Plebe Rude

Jornal do Brasil - 27/12/1989
Por Nauro Campos

Diga adeus aos anos 80. A discoteca Zoom (Rua Rodolfo Dantas 102, Copacabana) oferece a última chance de assistir nesse fim de ano um pouco do que de mais interessante surgiu no Rock Brasil - também o nome do projeto que Patrícia Pimenta e Lisiane Perthuif vêm desenvolvendo desde 87, com grupos emergentes do Rio, São Paulo e Brasília. Na noite de hoje, a partir das 22h, o 2º andar da Zoom - não confundir com a plúmea homônima de São Conrado - se torna sala de projeção de cinco blocos de vídeos que resgatam os festivais de rock em Juiz de Fora (1985 e 86) e o Festival Mixto Quente, realizado no Pepino e em Grumari, ainda no distante 1985. Talvez seja esta a derredeira oportunidade de se assistir aos desaparecidos Camisa de Vênus, Setembro Negro, Zero, Escola de Escândalos, e outros que ainda se arriscam nessa estrada sem acostamento.

Também serão exibidos vídeos dos punks Garotos Podres, Cólera e Inocentes, seguidos de um bloco dedicado ao rock candango do Plebe Rude, Legião Urbana, Detrito Federal e outros. Dos primeiros clipes nacionais foram desencavados Babi Índio, dos Titãs, Poema em linha reta, da Patife Band e Dias de luta!, do Ira!. Na parte final, o Circo Voador esquenta as turbinas com imagens do venerável Raul Seixas e Lobão, fazendo cenas de cinema, bem antes das policiais.

Enquanto isso, são defenestrados da pista de dança os tradicionais freqüentadores da boate, invadida por órfãos do Crepúsculo de Cubatão, tijucanos de Copacabana e magrelas de toda cidade, em busca de um pouco de som e fúria neste bocejante fim de década. A música da Zoom fica a cargo do DJ Pedro Serra, assessorado por André Mueller, baixista da Plebe Rude, e Edson Millesi, o grande guitarrista do Kongo. Para completar o ambiente, a cooperativa fotográfica HCB apresenta trabalhos de Henyo Barreto, Nauro Campos e Edmundo Barreiros, somente com instantâneos dos paleontológicos palcos da Mamute, Parque Lage, Ilha dos Mortos, Caverna, Metrópolis e Noites Cariocas, habitados por todas já citadas bandas, mais Mae East, Obina Shok, Voluntários da Pátria, Finis Africae, Black Future, O Verso e Ethiopia. Quem acha que estes anos 80 foram uma tremenda maracutaia que se prepare para os 90. Recordar é viver.

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Tribuna do Ceará - 15/07//1989

Ontem na estréia do Cumbuco Rock, um forte aparato policial foi montado para garantir a segurança dos espectadores e daqueles que moravam nas redondezas do "Grande Circo". Quem abriu os três dias de rock foi o Plebe Rude, que experimentou os instrumentos, o som e a luz e deu uma pequena amostra para as centenas de jovens, de 8 a 80 anos, que aguardavam a abertura dos portões que ocorríria às 8h30m. Plebe Rude seria o primerio a se apresentar, às 9 horas. Um pequeno intervalo com vídeos clips garantiu a animação para a segunda banda - Engenheiros do Hawaii, à meia-noite.

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Jornal do Brasil - 22/04/1989

Portugal e Brasil falam a mesma língua - o rock´n´roll - logo mais, aproximadamente às 18h, logo após a 2a corrida dos Descobrimentos, no Aterro do Flamengo, com o concerto dos grupos GNR e Plebe Rude. Detalhe de suprema importância neste outono descongelado" o show é de graça - e reúne uma das duas melhores bandas lusas (o outro é Xutos e Pontapés) e uma das primeiras do competitivo ranking nacional.

O GNR esteve aqui no Brasil ano passado na Bienal do Livro e para o lançamento do LP Psicopátria. Aproveitou e realizou um bom show no Scala 1. Com nove anos de banda, o núcleo base do grupo - Rui Reininho (voz), Jorge Romão (baixo) e Tóli César Machado (teclados) - optou por um technopop de alta competência para fazer fusão entre o eurorock e aquilo que eles chamam de portugalidade.

Já a Plebe Rude possui sólida tradição se shows aguerridos: ao vivo, Philippe Seabra (vocal e guitarra), Jander Ameba Bilaphra (vocal e guitarra), André X (baixo e Gutje (bateria) se superam. Com mais de oito anos de estrada, os quatro brasilienses radicados no Rio gravaram três discos: o mini-LP O concreto já rachou (85), e os LPs Nunca fomos tão brasileiros (87) e Plebe Rude (88) - sendo que o primeiro foi soberbo; o segundo bom; e o terceiro aquém das possibilidade da Plebe. Nada sério, porém.

O bom da banda é a tabelinha vocal entre o agudo de Philippe e o grave Jander, sustentada por letras politizadas e pela robusta cozinha André-Gutje. No palco, a performance é incorpada pela fúria pós-punk que inflama a Plebe Rude. No entanto, eles também sabem ser sombrios na medida exata, sem depressão de butique. "Os nativos, eles gostam de mim / É como se eu fosse uma espécie de Deus / mas se um dia minha magia falhar / Eles voltam a ser ateus", canta Longe.

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Correio da Bahia - 31/01/1989
Por Eduardo Bastos

O verão baiano de 89 viveu intensos momentos de Rock Brasil. Somente na primeira quinzena de janeiro as maiores expressões do nosso rock cruzaram seus acordes em vários palcos da cidade, descontando o período pré-reconstrução da Concha Acústica. Sinal de que não é só das batidas dos tambores dos blocos afros que vive a vida musical da Bahia. As guitarras também possuem seu espaço e provaram isto com o considerável público que compareceu às três apresentações do Rock Concha - Lobão, Paralamas do Sucesso e Engenheiros do Hawaí - e ao apoteótico show dos Titãs no Clube Bahiano de Tênis. Outras estrelas vieram, como o Capital Inicial, Barão Vermelho, Ed Motta, Marcelo Nova e Ira, mas o Rock in Bahia foi um fiasco e não conseguiu competir com o clima carnavalesco que, nesta época do ano, estabelece sua confeitada ditadura na Bahia.

Do mesmo problema padeceu o show da Plebe Rude na mesma época, na Concha Acústica.

Mas se o carnaval tem sido até agora um rival descomunal para os shows de rock na Bahia, nenhum roqueiro jamais poderia imaginar o que está se armando nos bastidores do entretenimento. Poderia, por exemplo, um desses punks que habitam o underground bahiano sonhar que um dia veria um de seus grupos preferidos, o Plebe Rude, se apresentar no trio elétrico nas vésperas do carnaval bahiano? Seria o mesmo que colocar um rabino judeu para rezar uma missa numa igreja espanhola da Idade Média.

Mas se esse punk passar hoje, à noite, pelas imediações do Farol da Barra, certamente vai tomar o maior susto se suas vistas cruzarem com o trio elétrico do Tiet Vip's. É que lá em cima estarão ninguém menos que Philippe, Jander, André, Gutje, os quatro rapazes do Plebe Rude. Quem diria, hein? Surpreso, né? Mas é bom ir se acostumando. Diversificação e conciliação são as palavras de ordem do rock moderno. Hoje em dia, as fronteiras de três ou quatro acordes que delimitam o rock n' roll estão se abrindo cada vez mais para a entrada de, como diz o Ira! Na letra de Farto de Rock n'roll, outros sons, outras batidas, outras pulsações.

NORDESTINOS - A Plebe, que se fixou no mercado detonando um rock radical com rasgadas políticas, não ficou alheia a estas tendências. Isto pode ser constatado no último LP do grupo, Plebe Rude, lançado no final do ano passado. Em suas faixas, o outrora grupo de Brasília, cruzou guitarras com violoncelos e acordeons e abriu uma ampla vertente para a penetração da música nordestina. "Estamos sempre pesquisando novos sons e novos ritmos e nesse disco utilizamos alguns elementos nordestinos em músicas como Valor e Repente", afirma o baterista Gutje. "Mas isso não foi uma coisa de momento e não significa que vamos fazer a mesma coisa a vida toda. Nosso próximo disco, por exemplo, pode muito bem ser um disco só de rock, como nossos trabalhos anteriores", completa Philippe, o guitarrista.

No momento, porém, os integrantes da Plebe estão interessados nos ritmos bahianos nessa última passagem por Salvador o grupo resolveu transformar este interesse em algo mais tangível. Philippe e Gutje entraram em contato com a diretoria do Tiet Vip's para uma possível participação no carnaval bahiano e acertaram uma apresentação no trio elétrico do bloco no período pré-carnavalesco. "Está entrando muito som internacional enlatado no mercado e estamos peitando aqui a nossa fatia. Estamos indo às ruas buscar o povo", esclarece Philippe.

IMPOSIÇÃO - Ao contrário do que muita gente pensa, o Plebe Rude, assim como a maioria dos nossos grupos de rock, não está preocupado com a competição da chamada música brega no mercado. "O que acontece com a música brega é um lance de imposição, mas isso não nos preocupa porque tudo tem que estar no seu espaço", diz Gutje. "Esta imposição da mídia não tem personalidade própria no mercado. É muito fácil manipular as pessoas".

Tematicamente, o grupo abriu o leque para outros assuntos, além da política. Em A Serra , por exemplo, uma das principais faixas do último disco, a preocupação é a ecologia. "O momento é propício - afirma Philippe - veja a morte de Chico Mendes, por exemplo. O brasileiro não tem consciência de nada. De repente tava todo mundo querendo saber quem matou Odete Roitman, mas ninguém se preocupa em saber quem matou Chico Mendes".

Depois do Carnaval, a Plebe Rude deverá entrar em estúdio para começar a preparar o material para o próximo disco, mas tudo sem pressa e sem maiores compromissos. Nos próximos shows, deverá também apresentar alguns músicos que participaram da gravação do último disco, como o violoncelista Jacques Morelembaum. Mas no momento, a grande supresa vai ser a apresentação do grupo no trio elétrico do Tiete hoje, na Barra. E o rock n'roll participando da abertura do carnaval bahiano.

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A Tarde (BA) - 31/01/1989
Por Hagamenon Brito

Modifique o verbo. Aquilo que muita gente pensou em fazer em Salvador, ou seja, a união da garra do rock´n´roll com a potência e qualidade do som do trio elétrico, acontece hoje no Farol da Barra, a partir das 20h, quando a Plebe Rude começar seu show em cima do trio do Tiete Vip´s. Isso já não é feito nesta terra de gigantes e no Brasil? Bem, João Barone e Lobão já andaram dando umas canjas em carnavais passados, mas nunca fizeram um show mesmo e, de vez em quando, como rolou recentemente com o Ultraje a Rigor, no Rio de Janeiro, alguém inventa de tocar num trio elétrico, só que não com a qualidade de um Tiete Vip´s, campeão de 1988 e candidato forte para repetir a dose.

A Plebe (Philippe, Jander, André e Gutje) tornou-se mais brasileira ainda? Nada de interpretações afoitas ou respostas profundas numa piscina rasa, porque o que a galera quer é apenas se divertir buscando um pouco a imprevisibilidade que marcou há tempos o início da carreira da Plebe em Brasília, quando, às vezes, tocava nas calçadas. Buscar de novo esse prazer e se apresentar sem nenhum integrante da sua própria equipe técnica é um ponto para esses boys nada rudes que, após o lançamento do seu terceiro disco ("Plebe Rude"), já conhecem muito bem os mecanismos da indústria cultural e da fonográfica, recusando, por isso mesmo, a acomodação e a caretice de fazer da antimáquina uma máquina.

Apresentando um repertório de 10 músicas, entre as quais velhos e novos hits, como Até Quando Esperar, Proteção, Johnny, A Ida, Censura, Plebiscito e A Serra , a Plebe Rude oferece mais uma vez ao púbilico baiano a oportunidade dele assistir e dançar com uma música em fase de transição, onde a banda deixa batidas, harmonias e andamentos mais habituais em sua trajetória, para mostrar novas investidas rítmicas e temáticas, sem que isso vá de encontro à frase por ela mesma cantada: "Maturidade não é covardia". Não é pelo momento de ser duro para o fechado mercado do rock nacional (assim como para outros gêneros, como extensão da crise econômica do País), que a Plebe vai deitar-se no berço eplêndido e, por isso mesmo, inverte a ordem do esquema.

Segundo Philippe, guitarrista e vocalista, ao se apresentar num palco móvel como o trio elétrico, a Plebe apenas inicia um projeto que é o de fazer o mesmo pelas ruas do Rio de Janeiro, unindo a zona norte à zona sul através do rock, como uma forma de reviver o velho contato da banda com o público de rua, ao mesmo tempo conquisatando novos fãs. Afinal, dançar é de lei e o Tite Vip´s estará possivelmente no Rio de Janeiro, como uma espécie de intercâmbio de informações musicais e oportunidades artísticas, também. Perguntado se a habitual galera que comparece aos shows da Plebe Rude em Salvador não estranhariam a presença da banda em cima de um trio, Gutje dispara: "Acho que esse público tem que estar aberto para variações e novidades, e, além do mais, a Plebe não estará tocando música de Carnaval, mas apenas utilizando o veículo potente e diferente que é um trio elétrico, para mostrar seu rock´n´roll de sempre".

E onde fazer isso melhor do que Salvador, onde sabidamente 75% (no mínimo) do público que vai ao show da Legião Urbana, Titãs ou Ira!, por exemplo, também se acabam nos bailes e encontros da música axé? Então tá combinado, hoje á noite a Plebe Rude mostra com quantas feras ela contribui para "...a festa da raça e da tradição", como forma de se entender em Salvador. Axé? Rock´n´roll, Plebe.

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Tribuna da Bahia - 20/01/1989

Rock na Concha! Neste domingo, às 18h30min, nada menos do que a energética banda de Brasília - a "Plebe Rude" - estará provocando mais uma vez a descarga positiva na platéia que deverá lotar a Concha Acústica do TCA! Alta vibração, moçada! Coisa de se ver disco voador! A Bahia, aliás, tem sido uma central roqueira neste verão. Depois de Lobão, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, temos agora a "Plebe Rude" conosco, num atestado puro e simples de que o verão deve continuar, o show pode parar e o amor deve prevalecer, com muito bom-senso, aliás, para tudo não terminar em Aids. Nada melhor para relaxar agora do que alguns parágrafos sobre a discografia do "Plebe Rude". Está pronto(a)? Então, ponha o disco a tocar e leia.

O primeiro disco da Plebe Rude, o mini-LP "O concreto já rachou", lançando em 1985, revela para o Brasil uma energética banda de Brasília, que em shows provocava descarga positiva na platéia que vibrava, pulava e cantava com vontade letras de protesto contra podres poderes, críticas sociais e manifestos concebidos a partir de ideais punks, o combustível que impulsionou-a reunião de quatro jovens .

O segundo, o LP "Nunca fomos tão brasileiros", lançado em 1987 - e como o anterior produzido pelo amigo Herbert Vianna - funcionou como limpa de arquivos, onde letras antigas e conhecidas de shows, porém extremamente atuais, compareciam em meio a algumas novidades. Desta feita, a Plebe já não era apenas uma banda de Brasília e passava por mudanças, pois adolescência cedia à entrada da vida adulta.

Agora chega o terceiro disco, sete anos após a formação da banda, apontando novos caminhos e mostrando uma Plebe mais madura, articulada, ainda fiel a seus princípios. Uma banda que constrói a carreira sem enganar os fãs ou fazer concessões. Longe de ser um disco simplesmente de transição, este é um trabalho de afirmação do nome Plebe Rude, de crescimento musical e de vida.

Portanto, não é difícil concluir que esta é a melhor coisa que os meninos de Brasília já realizaram em vinil. Com a participação ativa de todos os integrantes, Jander Bilaphra (vocais e guitarra), André X (baixo), Philippe Seabra (vocais e guitarra) e Gutje (baterista), é um disco de banda, não de mercado (como foram também os outros). É um disco de rock, no melhor sentido da palavra, tão usada em vão.

Todos deram seu toque em letras, Jander, que adora a vida no campo, assina a quase vinheta "Segundo feriado", um country amalucado e veloz; e com sua voz forte, de sotaque brasileiríssimo co-assina com André "Valor", música que apresenta uma nova sonoridade no estilo da Plebe, quase um rock rural. Essa nova sonoridade também se faz notar em "Repente", de Philippe, que brincando com o nome de cidades e estados brasileiros, traça um painel dos contrastes deste nosso país continente, com o ritmo variado de acordo com as regiões.

Com toques ecológicos e inspirado nas enchentes que aconteceram este ano nas regiões Sul e Sudoeste , Gutje traça um retrato melancólico em "A serra". Por caminhos mais abstratos, André dá seu recado em "Longe", enquanto a banda assina em conjunto com a faixa de abertura "Plebiscito", com o senso agudo e crítico de sempre. Outras faixas que soltam por sua musicalidade e inteligente composição são "O traço que separa" e "Um outro lugar", esta de temática bem atual.

Tudo isso faz deste novo LP da Plebe Rude um dos lançamentos mais importantes na área rock este ano, e mantém a banda no pódio do rock nacional. Medalha de ouro pra eles!

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Revista Bizz - 1989

A Plebe realizou o sonho de muito roqueiros tupiniquins: unir a garra do rock´n´roll com a potência e a qualidade de som de um trio elétrico. No dia 31 de janeiro a Plebe tocou em cima do trio Tiête Vips para um público de 20 mil pessoas que se espremia no Farol da Barra, em Salvador. Buscando a rua e a imprevisibilidade dos velhos tempos de Brasília, Philippe, Jander, André e Gutje detonaram antigos e novos hits em uma hora de rock, suor e cerveja.

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Jornal de Brasília - 09/12/1988
Por Rodrigo Leitão

Retomando a linha do primeiro LP a Plebe faz um som de rock com sotaque brasileiro

A Plebe Rude está em Brasília para fazer uma curta temporada de três apresentações que, ao mesmo tempo, registra o maior evento promocional do lançamento de seu terceiro disco e dá início a uma turnê de verão. No início de novembro eles fizeram uma espécie de aquecimento do disco, em palco, no Dama Shock, em São Paulo, partindo em seguida para Niterói, onde ao lado de Hojerizah se apresentaram para cerca de cinco mil pessoas. Hoje eles fazem o lançamento oficial do novo LP Plebe Rude, a partir das 21h30, no Gran Circo Lar. Amanhã se apresentam na discoteca Zoom, e domingo retornam ao palco do Gran Circo Lar, fechando o ciclo de shows em Brasília. A partir de janeiro a Plebe Rude segue em excursão pelos interiores dos estados do Rio e São Paulo e ruma para o Nordeste, passando antes por Santos e São Paulo.

No repertório dos três shows que fazem na Capital, André X, Philippe Seabra, Jander Billafra e Gutje vão incluir, além de oito faixas do novo disco (2º Feriado e Longe não entram), os principais hits do grupo. E aí estão incluídas, A Ida, Proteção, (versão IV, segundo Philippe), Nunca Fomos Tão Brasileiros (todas com arranjo novo) e algumas que eles só apresentam aqui - segundo Jander -, como Censura e Códigos, "Totalmente novas", afirmou o guitarrista cantor. Mas o público pode ficar tranqüilo. Até Quando Esperar entra no bis.

O novo disco da Plebe Rude trouxe novos elementos para a música do grupo. Conforme André X, eles continuam primando pela formação de quarteto, em palco, a fim de preservar a proposta rock que a banda apresenta - "Gostaríamos de contar com recursos eletrônicos para samplear os violoncelos e sanfonas, mas por enquanto preferimos continuar mesmo com esta formação nos shows", acrescentou Jander. Explicando que com três LP's gravados há uma necessidade de seleção para compor o repertório, Jander disse que as músicas deste show formam um painel geral do trabalho do grupo e que eles vão tocar a faixa Mentiras Por Enquanto (do segundo disco). "Uma das que mais gostamos de executar ao vivo" completa o vocalista.

Nas três edições em disco (O Concreto Já Rachou, Nunca Fomos Tão Brasileiros e Plebe Rude) o quarteto brasiliense reuniu 28 músicas, 18 das quais formam o repertótio atual do show, que tem duas horas de duração. "Mas vai depender do clima e do público. De repente a gente pode tocar todas as músicas", argumentou o baixista André X. Comentando o show do ginásio do Caio Martins em Niterói, André e Jander informaram que antes de tocarem Valor, um baião de primeira que está no novo disco, eles convidaram o público para dançar um forró e todo mundo entrou na dança.

Sobre uma possível especulação em torno de um álbum gravado ao vivo, André disse que este seria o quinto trabalho da Plebe: "Porque queremos chegar ao quarto LP para fazer uma avaliação melhor da nossa carreira. Este disco atual abriu muitos horizontes para nós em termos de composição". Porém, o baixista adiantou que o disco vai se chamar O Quinto é Ao Vivo. O tempo de estrada levaram o grupo a conhecer coisas novas (para eles) dentro da música brasileira, mas Gutje classifica isso como um amadurecimento evolutivo do trabalho. "Saiu baião porque tinha que ser feito assim, não houve forçação de barra", emendou André X.

Jander considera que a Plebe está compreendendo melhor as raízes musicais brasileiras e encontrando coincidências sonoras com o rock. Como por exemplo, a similaridade da batida dos bordões nas guitarras heavy com o vai-vem sanfoneado do acordeaon. Eles fizeram uma mesclagem disso tudo e alcançaram uma nova temática na conduta de suas músicas. Estão assumindo esta postura, sem esquecer as características sociais que registram o trabalho da Plebe Rude, desde o primeiro disco, Plebiscito, A Serra (que compra uma briga ecológica) e Repente, conservam traços originais da banda.

"O rock é muito mais abrangente e nós estamos pegando tudo que conhecíamos, ouvimos agora e no decorrer das turnês, aprendendo como era feito. Mas é rock. O show é uma pauleira", intervém Philippe Seabra, explicando que no caso da Plebe Rude a identidade permaneceu. "O som é peculiar, é nosso e por isso o disco se chama Plebe Rude", definiu o guitarrista. O aspecto importante do atual trabalho do grupo é que eles conseguem reproduzir em show tudo aquilo que pretenderam no disco, conservando a base rock da banda. A Plebe Rude, ao lado dos Titãs e João Penca, é uma das melhores bandas.

Plebe Rude - Temporada de três apresentações, lançando o terceiro LP do grupo e dando início à turnê de verão que vai percorrer o País a partir de janeiro. Hoje às 21h30 no Gran Circo Lar. Amanhã, às 22h00, na discoteca Zoom (Centro Comercial Gilberto Salomão - Lago Sul), Doming, às 20h00, no Gran Circo Lar. Ingressos para as duas apresentações no Gran Circo Lar ao preço único de Cz$ 2 mil. Na Zoom: Cz$ 2.500.

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Correio Braziliense - 09/12/1988
Por Irlam Rocha Lima

Uma coisa fica bem clara no novo trabalho da Plebe Rude, seu terceiro elepê, que será lançado neste final de semana em Brasília, com show hoje, às 21 horas, no Gran-Circo-Lar e amanhã, depois das 23 horas, na Discoteca Zoom: é a evolução, O amadurecimento de Philippe Seabra, Jander Bilaphra, André X e Gutje, como músicos e como instrumentistas. Pode-se dizer, mesmo, que existe um certo refinamento instrumental neste disco. Está bem colocada, também, a intenção da banda brasiliense em misturar ritmos, inclusive incorporando ao seu som, elementos rítmicos da cultura musical brasileira mais tradicional; além da preocupação com questões çomo a ecologia, que eles defenderam ontem numa entrevista. Vamos começar pelo show.

O que vocês estão propondo com esse novo espetáculo?

ANDRÉ X - Olha, a última vez que estivemos em Brasília fazendo show, lá na Zoom, era o final do Nunca Fomos Tão Brasileiros. As pessoas, inclusive você, falaram que a gente parecia cansado, sem pique. E era verdade. A gente estava tocando aquelas músicas há uns cinco anos. Já estava de saco cheio, sem nenhuma tesão. Quando começamos a trabalhar em cima das músicas do novo disco, era como se estivéssemos começando tudo de novo. É legal as pessoas saberem que esse show que vamos fazer no Gran-Circo-Lar e na Zoom, vai ser totalmente diferente. Mesmo as músicas mais antigas, que foram mantidas no repertório, estão modificadas, ganharam nova roupagem. E estamos bem mais livres para incluir trecho de músicas de bandas que a gente gosta.

Nesse novo disco é claramente perçeptível a inclusão de informações, de elementos rítmicos que não faziam parte do universo de vocês, ou que pelo menos não foram utilizados nos trabalhos anteriores.

GUTJE - Enquanto trabalhávamos em cima do Nunca Fomos Tão Brasileiros, fazendo show pelo País, fomos recolhendo uma série de informações, que à época não tínhamos como utilizar, como colocar em prática, porque não tínhamos tempo para ensaiar e reunir essas informações.

ANDRÉ X - Esse disco a gente começou do zero. O Concreto Já Rachou a gente compôs em Brasília e muita coisa do Nunca Fomos Tão Brasileiros, levamos pronto, também, daqui. Quando entramos no estúdio para gravarmos esse disco não tínhamos nada pronto. Tínhamos, sim, muitas idéias W serem desenvolvidas. Então, falamos: "Temos um disco para gravar, temos três meses para realizá?lo. Vamos ver se a gente é músico mesmo. Foi um teste definitivo para mostrarmos que a Plebe não é somente aquela energia de adolescente, aquela o Plebe Rude, ele tem faísca inicial. Nesse disco, acredito, fica muito clara nossa evolução como músicos.

Me parece que nesse disco há uma ruptura com o que vocês vinham fazendo. Nele, vocês reprocessam uma série de informações, inclusive Informações mais ligadas à cultura brasileira.

JANDER - Não acho que houve uma mudança, assim, tão radical em relação aos outros trabalhos, não. Nesse disco a gente utilizou elementos até bem simples, mas com arranjos mais bem apurados. Talvez a presenca maior de elementos da cultura brasileira esteja na música Repente. Pelo fato de a letra fazer referência a várias regiões, a várias cidades brasileiras, o Gutje pesquisou os ritmos e foi colocando. A gente levou uns três meses para arrani ar Repente. Há nesse trabalho, também, referências a coisas que a gente andou ouvindo nos últimos dois anos, música caribenha, Gorizagão, Xangai e Elomar, que eu gosto muito.

A falta de unidade do disco é uma coisa proposital?

JANDER - Realmente, no disco cada música fala por si. Cada uma tem sua própria sonoridade. Plebiscito, por exemplo, tem a cara da Plebe, da fase de Brasília. Repente já é uma coisa supervariada, em termos rítimicos. A Serra já aponta outro rumo. E por aí vai.

Que planos a Plebe tem para divulgar esse trabalho. Serão feitos shows esporádicos, ou há a perspectiva de uma grande turnê pelo País?

GUTJE - Lançamos o disco em São Paulo, depois fizemos niiterói e agora estamos aqui em Brasília. Depois, iremos a Belo Horizonte e pretendemos, no próximo ano, realizar uma grande turnê pelo Pais. Na medida em que esse disco abriu a cabeça da gente, acho que ele vai abrir fronteiras para o grupo. Acho que é um disco superinternacional, embora bem brasileiro. Ele é internacional no seu aspecto instrumental. Para que, como nós, tem pretensão de ir tocar fora do Brasil, é sumperimportante ter um instrumental forte. Temos planos de tocar na Argentina, Estados Unidos e na Europa - Espanha, Portugal. Acredito que a gente tenha essa possibilidade.

O rock brasileiro chegou a um Impasse. Existem quatro ou cinco bandas que arrastam platéias, que lotam ginásios em Piripiri ou São Paulo, mas as outras estão encontrando dificuldades até para fazer show, por falta de local.

JANDER - Eu acho que é o próprio País, que chegou a esse impasse a que você se refere. E isso é claro, é perceptível em todas as áreas. Veja por exemplo as rádios. As rádios hoje voltaram a dar mais espaço para a música internacional, para as bandas internacionais. E isso está fechando o mercado para as bandas nacionais. Como se não bastasse. ainda está havendo, cada vez mais, a presença de bandas estrangeiras nos palcos brasileiros.

GUTJE - Está muito difícil para nós conseguir apoio, obter recursos para fazer shows. Enquanto isso, bandas como a New Order, que lá fora é considerada uma banda pequena, que geralmente toca para 1 mil 500, 2 mil pessoas, vem para o Brasil com toda a infraestrutura, com patrocínio, passagens aéreas, mordomias e com um tremendo apoio da mídia. Como aqui tocam para 10, 20 mil pessoas, o lucro dos produtores é muito maior. Aí eles deimam de trabalhar com as bandas nacionais, estreitando, ainda mais, o mercado.

JANDER - Você veja por exemplo: o nosso show em Brasília seria no começo do mês, mas foi adiado porque naquela data o Boy George viria se apresentar aqui. Resultado, ele não veio e está dando o maior banho no produtor brasileiro.

Além de denunciar a agressão à ecologia na música A Serra, vocês estão engajados em algum movimento ecológico?

GUTJE - Quando fui fazer a letra de A Serra, me inspirei naquelas enchentes, naqueles desabatamentos ocorridos no Rio de Janeiro. Mas, acho que a letra não para por aí. Acho que ela chama a atenção, denuncia o poder de destruição humano, que é uma coisa muito perigosa. Quando fiz a letra pensei que Plebe poderia defender uma causa como a da ecologia. Estamos abertos e dispostos a encarar essa luta de defesa da ecologia, da preservação da natureza, sim. Temos um espaco muito grande para isso, na medida em que estamos no rádio, na televisão, nos palcos. Se a NASA está preocupada com a preservação da Amazônia, por que nós brasileiros vamos continuar agindo como se nada estivesse acontecendo? Mas, acho que essa conscientização tem que vir da base, do povo, pois a cúpula de dirigentes não está nem aí. Não vejo esse tipo de preocupação em nenhum segmento do Governo, seja IBDF, seja ministérios ou do próprio Presidente. Aliás, há dois meses, o Sarney estava no Maranhão e ofereceram um banquete a ele, do qual tomaram parte mais de 100 pessoas. E sabe qual foi um dos pratos servidos? Carne de tartaruga. Não sou uma pessoa pessimista. não. Eu sou positivista. Acho que o mundo está melhorando, com as descobertas da ciência, com novas invenções. Mas se não agirmos rápido em relacão à questão da ecologia, tudo vai se perder.

E num contexto mais amplo, como vocês estão vendo o nosso Brasilzinho?

ANDRÉ X - Acho que a gente está vivendo uma situação em que todo o mundo deixou se engarnar ao máximo, pela direita. Agora, está vindo outra alternativa com a esquerda, com o PT. Temos que buscar soluções a partir do que está aí, dos erros cometidos de 64 para cá e mesmo antes. Mas, não podemos esperar resultados Imediatos, porque quem detinha o poder vai criar todo tipo de dificuldades. Não será com a eleição do presidente que tudo vai resolver, não. Mas temos, cada um com as armas de que dispõe, de ajudar a reverter a situação, a modificar o que está aí, para podermos dar como legado às novas gerações, aos nossos filhos, um país melhor, socialmente mais justo para todos.

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Revista Amiga - 21/11/1988
Por Bianca Salgado

Ná oito anos, em Brasília, havia uma turma jovem, cujo principal elo era o punk rock. Os rapazes se reuniam para ouvir novos ritmos estrangeiros e depois saíam tocando pelas esquinas da capital. Daí, surgiram bandas como Capital Inicial, Legião Urbana e Plebe Rude. Agora mais maduro e articulado, chega o terceiro disco da Plebe. Jander Bilaphra, André X, Philippe Seabra e Gutje, integrantes do grupo, garantem grandes mudanças nesse novo trabalho. "Estamos menos contestadores. Atualmente, fazemos músicas que a gente gosta. Esse disco é um trabalho muito heterogêneo, com várias propostas. Não é 100% rock, como os dois primeiros. Neste, estamos usando vários sotaques", explica Jander.

Sem perder o senso crítico, que tanto agrada ao seu fiel público, além de ter se tornado a marca registrada da banda, eles pretendem quebrar o mito de que não são músicos de mercado. "A gente quer ser comercial, sem ter que mudar para isso. Nós não vamos fazer músicas para tocar em rádio, porque isso não faz nossas cabeças e decepcionaria as pessoas que acreditam na gente, mas não significa que não queremos ouvir nossas músicas tocando em todos os lugares", acrescenta Jander. A proposta desse novo LP é basicamente "levar música consciente para os jovens que serão o futuro do país. É tarde para mudar a cabeça dos políticos, temos que tentar mudar essa geração que ouve Plebe Rude", concordam todos.

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