Plebe Rude

Correio Braziliense - 10/01/1990
Por Iriam Rocha Lima

A rebeldia está de volta ao rock nacional. Depois de um ano longe dos estúdios de gravação e ausente da mídia eletrônica, a banda brasiliense Plebe Rude prepara-se para voltar à cena, em 1990, de forma avassaladora, como surgiu, em meados da década, a bordo do elepê O Concreto Já Rachou.

Depois de deixar a EMI-0deon, por onde lançou três discos, a Plebe, agora um trio, com a saída do guitarrista / vocalista Jander Bilaphra, o Ameba, está em negociações com urna outra grande gravadora, pela qual pretende realizar seu novo álbum, até março proximo. Já há muitas composições prontas, o que facilitará a formação do repertório.

Em Brasília, passando as comemorações de final de ano com a família, o guitarrista, vocalista, compositor e letrista Philippe Seabra, falou ao Correio Braziliense sobre está nova fase que a Plebe Rude vai iniciar em 1990, já sem Ameba, que preferiu, depois do nascimento do seu primeiro filho, trocar a agitação da cidade grande pelo bucolismo do campo. "A gente ficou triste comi a saída do Ameba, que preferiu ir cuidar de umas terras que ele adquiriu em Mendes, interior do Rio de Janeiro, próximo de onde o Negrete (ex-Legião Urbana) possui um sítio. Mas, talvez a saída dele tenha servido para mexer com o ânimo do grupo, que se sente, outra vez, bastante motivado para dar a volta por cima em 1990",comentou.

Nos shows que fará a partir de janeiro, a Plebe já trará a público as mudanças por que passou. Philippe, agora, vai atacar, também, de tecladista, exibindo mais uma faceta de sua polivalência. Além disso, ele, André X (baixo) e Gutje (bateria) terão em sua companhia o percussionista baiano Nego Beto. "O teclado e a percussão são elementos que estamos introduzindo no nosso som, coisas impensáveis até há pouco tempo, mas que têm tudo a ver corri a nossa nova proposta de trabalho, um rock and roll com toques de brasilidade, corri um espaço maior para o aspeçto rítmico", revela.

Subjetivismo - Pensando num retorno ao disco, em grande estilo, a Plebe já está com mais de vinte músicas compostas. Algumas, como Quando a Música Terminar (bem na linha de O Concreto Já Rachou); Roda Brasil, um rockbaião e Aurora, esta mais suave, já fazem parte do roteiro dos shows que a banda tem feito pelo País. Quanto às letras, elas continuam, segundo Philippe, com a mesma virulência, "se bem que agora isso é colocado de forma bem mais subjetiva. E como não poderia deixar de ser, refletem tudo isso que a gente está passando, enquanto músicos e cidadãos". O prestígio da Plebe Rude, segundo Philippe, continua inalterado, de Belém a Porto Alegre. "Temos feito vários shows e a acolhida do público tem sido impressionante", diz o guitarrista. Mesmo estando, atualmente, à margem da mídia, ele garante que a Plebe não perdeu seus admiradores.

Continuísmo - Mas, não é só em função da banda que os plebeus têm trabalhado. Eles vêm participado de outros projetos, demonstrando versatilidade. O baixista André, profundo conhecedor das técnicas da arte gráfica. participou da criação da capa do As Quatro Estações, novo elepê da Legião Urbana e, mais recentemente, do projeto Rock Brasil, uma exposição retrospectiva dos anos 80, montada no Rio de Janeiro. O baterista Gutje está envolvido com um vídeo, encomendado pela escola de samba Beija Flor, de Nilópolis - um documentário sobre a estrutura e a montagem para o Carnaval de 1990. Já Philippe vem criando trilhas para filmes comerciais e foi convidado para desenvolver um trabalho idêntico voltado para um longametragem.

Um confesso eleitor de Lula, Philippe acredita que o País perdeu a chance de vir a ter um presidente "preocupado em implantar as reformas, as mudanças que fazem parte das aspirações do povo brasileiro. Com o Lula, o Brasil corria o sério risco de melhorar. Mas, infelizmente, tudo vai continuar como está. Com o Collor não vejo perspectivas de mudanças fundamentais... E pensar que ficamos quase 30 anos à espera dessa eleição! " - desanima-se.

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