Plebe Rude

Correio Braziliense - 08/05/2006
Por Irlam Rocha Lima

Dinho Ouro Preto, Dado Villa-Lobos, Herbert Vianna, Philippe Seabra, Fê Lemos e Bi RibeiroNo camarim dos Paralamas, Dinho Ouro Preto, Dado Villa-Lobos, Herbert Vianna, Philippe Seabra, Fê Lemos e Bi Ribeiro

"Um momento histórico." O comentário emocionado de Philippe Seabra ao deixar o palco, depois da apresentação da Plebe Rude no Giraffestival, resumiu o que foi o encontro, na Esplanada dos Ministérios, dos roqueiros responsáveis pelo movimento mais importante da música em Brasília, ocorrido na década de 80. Com carreiras paralelas, os velhos companheiros da juventude nunca mais haviam estado juntos.

Nos bastidores do festival, o Correio reuniu para uma foto os personagens dessa história que colocou a capital no mapa do rock brasileiro. O registro, feito no camarim dos Paralamas, reuniu Herbert Vianna, Dinho Ouro Preto, Fê Lemos, Philippe Seabra e Dado Villa-Lobos. Era visível a alegria daqueles quarentões que, como numa viagem de volta ao tempo, mais pareciam adolescentes oitentistas.

O backstage era uma festa só. Todos celebravam o reencontro de forma efusiva e o bate-papo rolava solto. O mais sóbrio entre eles era Herbert. Atento a tudo em sua volta, ele viu pelo telão o show de Dado e sua banda. "Achei legal ver o Dado no palco mantendo viva a mística da Legião Urbana. De alguma forma, o show veio minimizar a carência dos fãs da Legião", comentou.

Logo depois, conversando com Dinho, Dado recordou o começo da carreira na cidade, lembrou os ausentes Negrete (ex-baixista da Legião Urbana) e Loro Jones (ex-guitarrista do Capital Inicial), e disse que Marcelo Bonfá estava participando do festival Mada, em Natal. Embora estivessem próximos, Dado, Carmem Tereza e Giuliano Manfredini (irmã e filho de Renato Russo) não se cumprimentaram. Há desavença entre eles em relação à marca Legião Urbana.

Tranqüilo e sempre sorridente, Dinho não se aborreceu com o assédio dos fãs que conseguiram burlar a segurança e chegaram à área privativa dos artistas. Aceitou posar para fotos com vários deles. Quem também estava lá era o professor Briquet Lemos, levado pelos filhos Fê e Flavio Lemos. Já o paralâmico Bi Ribeiro esteve o tempo todo cercado pelos amigos brasilienses – entre eles, Digão, guitarrista e vocalista dos Raimundos. Philippe colocou as mãos na massa e deixou assinatura no módulo que irá se juntar a outros na calçada da fama no Pier 21.

Criador e dono da franquia do Giraffas, Carlos Alexandre Guerra era todo entusiasmo com o sucesso da festa. "Com o Giraffestival quisemos homenagear os músicos que transformaram Brasília na capital brasileira do rock, retribuir aos brasilienses o que eles fizeram pelo Giraffas nesses 25 anos, e mostrar para o Brasil que aqui se faz muita coisa boa, que há empresários empreendedores, vencedores à custa de muito trabalho."

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Correio Braziliense - 08/05/2006
Por Carlos Marcelo

"São águas passadas, escolha uma estrada e não olhe, não olhe para trás...", pediu um emocionado Dinho, às 4h17 de ontem. Já era tarde demais – não dava nem para ver a Torre de TV, envolta na bruma da madrugada candanga – para desistir de olhar pelo retrovisor e, com isso, ignorar que a estrada construída há mais de duas décadas carrega os inevitáveis sulcos, mas ainda representa uma saída para diferentes gerações. Se não fosse assim, por que a menina chegou a fazer um cartaz para ouvir Psicopata ("quero soltar bombas no Congresso...") no show do Capital? Ou por que o menino de camiseta preta do Green Day e o baixinho calvo quarentão berravam com a mesma intensidade os refrões de Luzes e Johnny vai à guerra com a Plebe Rude? Porque eles sabem, ou melhor, eles sentem que essas músicas fazem parte do imaginário coletivo brasiliense. Formam o cancioneiro candango.

(Entre Dado, Plebe e Capital, coube aos irmãos-mais-velhos Paralamas o papel de lembrar que Brasília não é Washington, mas a capital de um país mestiço e, no melhor espírito da Orquestra Tabajara, pilotada pelo perplexo maestro Herbert Vianna-Severino Araújo, transformar a área ao lado do Eixo em um imenso e democrático salão de baile: a Gafieira Monumental)

É verdade que os mortos caminharam pela Esplanada: Kurt Cobain, Raul Seixas e, acima de tudo e de todos, Renato Russo, foram lembrados ao longo de toda a noite. Mas as 110 mil pessoas que passaram por lá estão bem vivas. Sabiam que os que estavam naquele palco, montado naquele lugar da cidade, carregavam na bagagem lembranças e histórias de um período definidor da identidade da cidade. Por isso, ainda emocionam – e se emocionam – ao cantar e mandar recados para "aquele prédio ali atrás" (o Congresso), ou sobre as ruas que têm cheiro de gasolina e óleo diesel. Eles sabem que ser brasiliense foi também, por muito tempo, um estado de espírito, espremido entre a opressão do poder e a angústia do indivíduo. Mas que chegou a hora de atender ao último apelo do vocalista do Capital Inicial: não olhar (somente) para trás. Talvez por isso a menina que agitava orgulhosamente a bandeira do Distrito Federal não a tenha jogado para Dinho, como ele pediu e era o esperado: daqui para frente, essa bandeira será carregada também por outras mãos, outras vozes, outras gerações.

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Correio Braziliense (matéria de capa) - 08/05/2006
Por Tiago Faria

A noite em que o concreto rachouCapital Inicial, Os Paralamas do Sucesso, Plebe Rude e Dado Villa-Lobos fazem show histórico para 110 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. Emocionado, Dinho Ouro Preto desabou no palco durante o show do Capital Inicial; Herbert Vianna dividiu Meu erro com Digão, dos Raimundos; Dado Villa-Lobos canta Legião; Philippe Seabra empolgou a platéia com discurso politizado.

Para quem esperava por um terremoto de nostalgia, ele veio. O concreto da Esplanada dos Ministérios finalmente rachou em plena madrugada de domingo, por volta das 4h. No palco, Dinho Ouro Preto colocava em ação o que normalmente se espera de um show do Capital Inicial: um vendaval pop de canções que o público conhece e canta junto. Era o momento mais aguardado de uma noite que, até ali, já parecia fadada a entrar na história do rock de Brasília. Mas as 110 mil pessoas (de acordo com a Polícia Militar) que enchiam a panela de pressão erguida entre a Catedral e a Rodoviária do Plano Piloto queriam mais. Conseguiram quando Dinho estancou a seqüência de sucessos para conversar com o público. "Esta é a capital brasileira do rock'n'roll", gritou. Era a senha para que, mais adiante, soassem os primeiros acordes de Que país é esse?. Os fãs receberam o prêmio pela persistência. E os agradecimentos vieram em forma de aplausos demorados, mãos erguidas, um coro barulhento – e comoção por todo canto.

Para uma multidão que enfrentou chuva, empurra-empurra e manteve-se por mais de nove horas em pé, o esforço valeu. Perderam a conta aqueles que se aventuraram a lembrar quando a cidade viveu um show de rock tão emocionado e concorrido quanto o de sábado à noite. Ao reunir as principais bandas que representam o "rock Brasília" do início dos anos 80, o Giraffestival (que comemora os 25 anos da rede fast food Giraffas) promoveu encontro inédito entre Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude e Dado Villa-Lobos. Porém, mesmo conscientes de que aquele era um evento criado sob medida para saudosistas, os ídolos da geração pareceram até discretos na celebração de amizade – curiosamente, não houve jam sessions entre as bandas.

Ainda assim, as homenagens às vitórias do passado não foram poucas, e estiveram presente tanto na seleção das músicas quanto em discursos entre um antigo sucesso e outro. Nesse quesito, os mais entusiasmados eram Dinho e Philippe Seabra, da Plebe Rude. O vocalista do Capital demonstrou espanto diante da Esplanada lotada. "Tudo aconteceu faz tanto tempo. Nunca imaginei que, 20 anos depois, estaríamos novamente aqui, com um público desse tamanho. Existe uma coisa especial na música desta cidade", disse, chorando, antes de começar Primeiros erros. Já a Plebe Rude foi mais explícita. Além de começar o show com uma sessão flashback de imagens do começo da banda no telão, pontuou músicas como Censura e Até quando esperar com lembranças de Seabra. "Este aqui é o encontro de uma turma que começou em 1980, 81. É uma prova de união. E isso aconteceu numa época sem internet, sem MTV", disse.

Enquanto os músicos entravam no túnel do tempo, o público não se impressionava de imediato com o apelo dos shows. O cansaço começou a pesar desde cedo. Muitas pessoas chegaram à área cercada da Esplanada por volta das 13h. O portão de acesso só foi aberto às 16h e, desde então, já havia quem se espremesse nas grades de proteção para ver tudo de perto. Os que se apertaram no gargarejo logo se irritaram com o tamanho da área VIP, desproporcional à quantidade de pessoas com ingressos especiais para o setor. Às 19h30, assim que foi anunciada a primeira banda – a furiosa 10Zer04, de Samambaia –, começou também o empurra-empurra, que continuou no show do Superaudio (banda local vencedora do Giraffestival) e permaneceu intenso até nos intervalos entre as atrações. Quando entrou em cena o primeiro show aguardado do festival, de Dado Villa-Lobos, a grade principal da área VIP veio abaixo com chutes do público.

A confusão começou às 22h30 e terminou uma hora depois, sem ocorrências graves. Com o corre-corre, pouca gente prestou atenção ao show do ex-guitarrista do Legião Urbana. Ficou claro que o show de Dado caberia melhor em um espaço menor, fechado. Só provocou alguma animação com o repertório da Legião: Eu sei, Um dia perfeito, Conexão amazônica e, no auge do show, Perfeição. Com versos como "Vamos celebrar a estupidez humana", a ironia da canção deu início também ao lado mais politizado da noite. "Aqui é o lugar perfeito para essa música ser tocada", disse Dado.

Política

Philippe SeabraO público seria fisgado apenas depois da meia-noite, ao fim do show da Plebe Rude. "Nesse prédio aí atrás estão tentando boicotar nosso caminho", disse Seabra, ao apontar para o Congresso Nacional. "Eu quero uma união dessas (do público) em um dia sem show, para pedir a renúncia desse bando de babacas aí atrás", atacou. E foi muito aplaudido. A união de pop e política ganhou vida nas primeiras músicas dos Paralamas do Sucesso, que depois puxaram uma seqüência infalível de hits, culminando com A novidade, Melô do marinheiro, O amor não sabe esperar e Você . Contido mesmo na participação de Digão (dos Raimundos), Herbert falou pouco e deixou para demonstrar emoção na descida para os camarins, quando cantou para um assistente os conhecidos versos de O que é o que é, de Gonzaguinha: "Mas isso não impede que eu repita. É bonita, é bonita e é bonita."

Às 3h15, quando chegou a vez do Capital Inicial, pouca gente havia deixado a Esplanada. Pudera. Grande parte do público esperava pela banda. Para Cláudia Regina Lopes de Almeida, 31 anos, valia até se apertar na fila do gargarejo, com uma bandeira do Brasil, para aguardar. "Vai ser meu primeiro show do Capital. Vim por causa do Herbert. Tenho tendinite, mas não dá para ir embora", disse. Já Natália Mayara, 12 anos, enfrentou a multidão em uma cadeira de rodas para ver Dinho. "Forçaram tanto a grade que tive de correr empurrando a cadeira", narra a mãe da menina, Rosineide de Azevedo, 34. A organização do show conseguiu um espaço privilegiado para Natália: o palco.

Com uma performance que alterna músicas do Aborto Elétrico e sucessos de rádio, o Capital Inicial apresentou uma versão reduzida – com pouco mais de uma hora de duração – para um espetáculo poderoso, com bonecos gigantes de borracha e chuva de papel prateado. A festa terminou às 4h30, quando começou a se apresentar o DJ Patife. Entre a diversão e a política, Dinho foi responsável por alguns dos discursos mais contundentes do festival. O principal deles, em defesa do voto nulo. "Imagino que vocês estejam entusiasmados com as eleições", ironizou. "Vocês podem votar no Garotinho, no Alckmin, ou podem reeleger Lula. Também podem anular o voto, para que Brasília saiba qual é a porcentagem do Brasil que não se sente representada por ninguém", disse. E depois emendou: "Garotinho, esta é para você". O que veio em seguida foi Que país é esse?, atual como sempre.

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Jornal de Brasilia - 06/05/2006

Diferentes gerações do rock de Brasília se encontram em um mesmo palco. O Giraffestival, evento em comemoração aos 25 anos da Rede Giraffas, promove, hoje, a união de bandas que fizeram parte do rock brasiliense nos anos 80 com os novos acordes do som da capital. A festa começa às 18h, na Esplanada dos Ministérios.

A doação de alimentos será espontânea. No palco, quem agita a noite é a Capital Inicial - que apresenta o show-tributo ao Aborto Elétrico, repertório de seu mais recente CD -, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, Dado Villa-Lobos, Mr. Magoo e Capitão do Cerrado, com participação dos DJs Patife e Mário Fischetti.

A Companhia Brasiliense de Teatro G7 anima o público. Depois de passarem por etapas eliminatórias e desbancarem 179 concorrentes de Brasília, Goiás e Tocantins, as bandas Superaudio e 10Zero4 chegaram à finalíssima. Elas abrirão o festival. A vencedora levará o prêmio de R$ 20 mil.

A Superaudio se classificou com a canção De Onde Vem, pra Onde Vai, do guitarrista Ricardo Cruz. Aos 7 anos, tenta emplacar músicas de autoria própria, tanto que o nome do grupo mudou. É Birinight, por tocar cover. O som forte e ritmado do casal de vocalistas Luara e Tom marca a música Violência Urbana da 10Zero4.

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Correio Braziliense - 06/05/2006

E tome rock. Será assim a noite deste sábado, na Esplanada dos Ministérios. No palco, ícones rock brasiliense: Capital Inicial, Plebe Rude, Dado Villa-Lobos e Paralamas do Sucesso. Os músicos constroem um verdadeiro túnel do tempo para homenagear os 25 anos da rede de fast food Giraffas, nascida em 1981. A festa, que custará somente um quilo de alimento não-perecível, promete levar 80 mil pessoas ao gramado próximo à Catedral de Brasília.

Além disso, duas atrações medianas subirão ao palco com a moral de quem desbancou dezenas de bandas na seletiva do Giraffestival, que movimentou finais de semanas na cidade. São elas: 10Zer04 e Superaudio. Nesta noite, o público escolherá o grande vencedor do concurso de bandas. O felizardo irá ganhar a produção de gravação de CD. O som inócuo dos brasilienses da Capitão do Cerrado também marca presença.

O túnel do tempo se mostra infalível quando as três bandas surgidas na década de 80 interpretam Que País É Esse?, eternizada pela primeira banda de Renato Russo, o Aborto Elétrico. O grupo, aliás, primeiro a disseminar o punk rock na capital, ganhou homenagem meses atrás. Capital Inicial, do vocalista Dinho Ouro Preto, gravou um disco só com músicas da banda.

Mais atual estarão, no entanto, o Paralamas do Sucesso. João Barone, Herbert Vianna e Bi Ribeiro cantam músicas do disco Hoje. Plebe Rude, por sua vez, tocará canções do novo disco, primeiro depois da reformulação - com Clemente (ex-Inocentes), nos vocais, junto com Philippe Seabra. Dado Villa-lobos (ex-Legião Urbana), também apresenta seu novo trabalho.

Além da chuvarada de bandas, a música eletrônica estará bem representada. DJ Patife e Mário Fischetti. Eles fecham a noite e prometem colocar som até de manhã.

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Jornal da Tarde - 03/05/2006
Por Ceci Alves

A fúria punk da politizada banda brasiliense volta a contaminar o cenário; breve, será lançado CD novo

Jornal da TardeQuem viveu a década de 80, viu: a banda Plebe Rude chegou em 1985 e rasgou o véu da leveza praieira e bem-humorada do rock carioca de alto a baixo, com suas performances repletas de vigor juvenil, suas letras ensopadas de teor explosivo e engajamento e sua fúria pós-punk. A banda queimou o curto pavio de pretensões politizadas até sua extinção, em 1994, não sem deixar hinos como Proteção e Até Quando Esperar ("Com tanta Riqueza por aí/ Onde é que Está?/ Cadê sua Fração?).

Mas, a mesma combustão que a criou trouxe-a de volta no ano passado, numa reunião "definitiva e oficial" – como colocou o vocalista, Philippe Seabra, em entrevista exclusiva para A TARDE. A volta já gerou um CD, "R ao Contrário", a ser lançado no próximo mês, além de celebradas apresentações por todo o País. Um desses shows aconteceu em Nazaré das Farinhas (BA), no mês passado, durante a Feira de Caxixis.

Em cima do palco, deu para conferir a nova formação da banda, que contém, de novo, outro tótem do punk nacional, Clemente, vocalista da banda Inocentes – há 25 anos na ativa –, além do baterista Txotxa. Da antiga formação, só restou André Mueller. E tudo na mesma verve baixo-guitarra-bateria, núcleo-base do punk.

Plebe RudeNO REVIVAL – Falar em verve, Philippe parece ter a mesma energia, disposição e inocência da época em que começou, 25 anos atrás, quando tinha 14 (!) anos. E as músicas, a mesma força, arrancando da garganta da audiência os refrões, como se tivessem sido escritos ontem.

Mas, atenção: a volta não é um revival. "Nosso som está mais moderno, mas é a boa e velha Plebe", diz o vocalista Philippe, com a mesma cara de menino que o consagrou na década de 80. Segundo ele, o novo disco é de inéditas, com apenas uma faixa dos anos de ouro – Vote em Branco. Mas mantém a essência da contestação, tão importante para ele e banda.

"As letras continuam fortes, mas não são mais tão políticas – tá mais para o sociopolítico. E eu digo isso porque o problema, na verdade, não é política. O problema são as pessoas. São elas que detêm o poder e não o usam corretamente. E as pessoas que as deixam agir, por omissão", afirma.

No quesito sonoridade, o som A Plebe Rude na ativa, durante show em Nazaré das Farinhas: formação nova, mas a mesma sonoridade punk e a essência raivosa que caracterizaram a banda-sensação da década de 80 direto e reto herdado do punk continua, e o show na Bahia deu mostras disso. "Sempre tem aquela coisa das duas vozes, por isso a entrada do Clemente foi fundamental", comenta o vocalista. "O trabalho de guitarra está excepcional, tem a pressão de batera, muito tambor... Um som elaborado, que se modernizou".

Clemente confirma o clima de animação com o projeto. "Eu conheço eles desde o começo. Foram os Inocentes (banda punk paulista da qual ele é vocalista há 25 anos) que os receberam, no primeiro show em São Paulo. Sempre houve uma amizade. Então, pra mim, tocar com a Plebe é decorrência".

NADA DE NOVO – Philippe encara com tranqüilidade a acusação de que todas as bandas da geração 80 voltam apenas como meros caçaníqueis ou refúgio de dinossauros que não se conformam com o passar do tempo. Para ele, o problema desses retornos é mais grave: trata-se de uma saturação de mercado. "Isso é carência, porque não tem muita coisa legal rolando", sentencia. "Olha o rock mainstream como tá. As letras insossas...

O mar não tá pra peixe. Não é que eu quero que as bandas sejam didáticas, proclamem "morte ao sistema", "eu odeio tudo". Mas, o artista tem o dever cívico de usar o espaço que foi lhe dado de uma maneira responsável. Não é só falar de política, mas acrescentar, passar alguma coisa positiva, construir", coloca.

E diz, em sua defesa: "A gente sentiu que só dava pra voltar, mesmo, no momento certo. E o momento certo, realmente, foi há uns dois anos", conta. "Mas, o nosso CD novo mostra uma nova fase da gente".

ERRANDO AO CONTRÁRIO – E Philippe poderia seguir falando da loucura pós-punk da segunda metade dos anos 80, que contaminou todo o BRock fervilhante da época; poderia falar, também, da Turma de Brasília, da qual fez parte e que revelou para o Brasil bandas como Capital Inicial e Legião Urbana; ou, ainda, de como foi vender 250 mil cópias do LP O Concreto Já Rachou, disco capitaneado pelo hino Até Quando Esperar, que conseguiu furar o bloqueio imposto pelo mainstream . Mas, não; ele prefere falar do futuro.

Clemente e PhilippeE, sem medo de errar ou meter as caras, a Plebe prossegue sua caminhada de duas décadas e meia. O próprio título do CD é uma representação desse destemor: "A letra R, entre aspas, e a frase "ao contrário" têm duas razões", começa o tranqüilo rapaz, que se transforma no palco. "Porque o nome Plebe Rude sempre foi escrito com o R ao contrário. Talvez esse nome seja, também, porque a Plebe já errou tanto, que, de repente, a gente tava errando ao contrário, quem sabe... O contrário de errar é acertar, então, sei lá!", brinca.

Empolgado, Philippe agora entra na história da banda: "Tudo no CD é inédito. Só não Voto em Branco, que, na verdade, antecede a Plebe. O Renato [Russo] sempre pedia pra gente gravá-la, mas nunca gravamos.

Foi a música que a gente tocou na estréia do Legião Urbana, em Patos de Minas (MG), em 82. O Renato cantou Música Urbana e a gente tocou Voto em Branco – isso em pleno governo Figueiredo, ainda ditadura", ri Philippe. "E foi todo mundo preso depois..." Então, essa música causou tanta confusão que a gente nunca gravou. Agora era a hora" E, na bagagem, planos para um DVD, logo em seguida ao lançamento do CD. "Vai ser bacana pra gente, porque não temos nenhum registro legal ao vivo". E, finaliza, com a mesma animação juvenil que sempre o caracterizou: "É legal esse processo de voltar e posso falar: a volta é definitiva, mesmo.

Agora é oficial. É o projeto de vida de todo mundo. E é legal a gente ter rodado muito por aí, vivido outras coisas, mas com aquela inocência ainda. Não perdemos a essência".

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www.brblack.com - 10/05/2006

O entrevistado desse mês é um cara que tem muito a dizer. O cara está na estrada desde os anos 80, e sua banda já protagonizou alguns marcos do rock brasileiro, como emplacar todas as músicas de um só disco nas rádios, e ter como show de abertura, ninguém menos que Legião Urbana.

Estamos falando do baixista da Plebe Rude, André X.

André já havia colaborado com o site iniciando uma coluna, a qual está ainda ativa esperando por ele, mas depois ele começou o próprio blog e ficou sem tempo para escrever, então, aproveitando o fato do disco novo da Plebe estar por sair, trouxemos ele de volta ao brblack.com na forma de entrevista.

Vamos lá...

Brblack.com - Bom, a pergunta mais importante e que todos estão fazendo é: Quando deve sair o CD novo, já tem uma nova previsão mais realista?

André - Todas as previsões que demos este ano foram realistas. O que não é realista é esse mercado. Já chegamos a milímetros de fechar com algumas gravadoras que, com medo, dão para trás. O mercado fonográfico está em crise, com vendas baixas, ameaças da pirataria e, eu acho, má gestão. Então, para tomarem uma decisão leva meses. Por isso, após prometer para o ano novo, para depois do carnaval, para maio, não quero arriscar em expor mais nada. Mas que sai este ano, sai!

Fora o CD, quais os planos da Plebe para o segundo semestre de 2006?

André - Trabalhar o disco, que tem várias músicas que devem funcionar bem em rádios, vídeos, etc. Shows, muito shows. O que eu quero mesmo é tirar esse trabalho fora do caminho e partir para o próximo, com composições com inputs do Clemente e do Txotxa.

Vocês, recentemente, tocaram em Brasília com o Capital, Paralamas e Dado Villa-Lobos (representando a Legião) como foi essa experiência de reunir essa turma de Brasília depois de tanto tempo?

André - Pensei que rolaria uma entrosação maior entre os amigos, que agora não passam de conhecidos. Não rolou nenhum jam, nenhuma participação um no show do outro. Foram quatro shows isolados.

Hoje podemos ver várias bandas brasileiras dos anos 80 de volta, algumas mais maduras, algumas tentando renovar os seus públicos, algumas perdidas no tempo...como você analisa, sob esse aspecto o trabalho novo da Plebe?

André - Comparo com um sujeito que foi dado como morto e voltou à vida por um milagre e está tentando convencer a indústria que ainda pode correr uma maratona - e ganhar!

Ainda relacionado à pergunta acima, como está o público da Plebe hoje? parece que tem muita gente jovem que nem existia nos 80's que curte Plebe, a que você atribui isso?

André - Muita gente jovem, com excelentes opiniões e visões do mundo. O público para nós é muito importante, é a nossa fonte de vida. Plebeu faz parte da Plebe.

Qual a diferença em tocar em um show cheio de fãs antigos, fieis à banda, porém mais velhos e barrigudos (rsrs) e tocar para um monte de adolescentes que muitas vezes adoram e cantam músicas feitas antes deles nascerem?

André - Os adolescentes cobram mais, no bom sentido. Temos que atingir a expectativa deles.

Outro dia li no Orkut um tópico da comunidade da Plebe onde um cara falava algo como "a plebe deveria reescrever algumas de suas músicas pois ficaram ultrapassadas"...você concorda? você acha que o país mudou tanto ao ponto dos problemas cantados pela Plebe já terem sido superados?

André - Impossível reescrever. Mas tome Censura, por exemplo, a música mais datada. Ainda tem aplicabilidade no contexto atual, com o PT tentando impedir a imprensa de divulgar certas opiniões, do Lula só elogiar a Carta Capital, etc. Então, como não são letras tão presas numa certa época, continuam atuais.

Parece-me que você andou escutando muito eletrônico ultimamente... como isso começou?

André - Quando voltei à Brasília em 1994, me envolvi muito com o pessoal das festinhas. Eles tinham um gás que me lembrava da velha tchurma. Me diverti muito e respeito muita esse underground eletrônico. O problema é que muito já foi capturado pelos Luciano Hucks da vida, virando um bate-estaca muito chato.

Isso teve alguma influência no seu modo de compor para a Plebe Rude?

André - Prestar atenção às sutilezas dos ritmos na música eletrônica me fez evoluir como baixista e, conseqüentemente, poder opinar um pouco mais sobre a cozinha.

Como você vê essa popularização do punk nos dias de hoje, coisas como essas bandas de emocore que fazem letras bonitinhas e usam roupas de grife, e se dizem punks?

André - Em economia tem uma expressão que se chama "capturar". É quando um setor da sociedade consegue se apoderar de uma agência reguladora, por exemplo. Hoje, o punk foi capturado pela mídia, pela MTV, pelas gravadoras. Emocore, grunge, etc, é isso: um rótulo criado para vender. De rebelde, não tem nada. Punk, hoje, está nos guetos cerebrais de algumas pessoas como nós, não na TV e mídia.

O que você anda ouvindo de bom nos grupos de hoje? (Nacional e Internacional)

André - Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Flaming Lips, Stokes, Chicken Lips, Dead 60s, Radio 4 - temos uma leva muito boa vinda de fora. Nacionalmente, acho que somente o CD solo do Fê Lemos.

O que você tem a dizer para a molecada que está começando na música?

André - Sejam vocês mesmos. Não copiem! Não se inspirem em velhos!

Algo mais que você gostaria de deixar registrado aqui?

André - A vida é dura para quem é mole!

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www.obaoba.com.br - 29/04/2006
Por Martina Carli

No próximo dia 06 de maio, Brasília vai sediar um festival que contará com a presença de bandas e DJs conhecidos no cenário nacional.

Entre atrações estarão Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude, Dado Villa Lobos e os DJs Patife e Mário Frischetti.

A festa, que acontece a partir das 18 horas na Esplanada dos Ministérios, tem entrada gratuita, mas é necessário trocar o convite por um quilo de alimentos em qualquer loja da lanchonete Giraffas, em Goiânia e no Distrito Federal.

Os organizadores esperam que cerca de 100 mil pessoas compareçam ao evento.

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UOL Música - 28/04/2006
Por Fernando Kaida

Produzido pelo canal da TV paga Multishow, este é um especial em homenagem aos 46 anos de Renato Russo, completados no dia 27 de março. Gravado na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, no final do ano passado, o show é uma reunião de diferentes gerações do pop rock brasileiro para homenagear o vocalista da Legião Urbana morto em 1996. Sem a participação dos ex-companheiros de Renato, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, o especial não passa do burocrático. Boas interpretações de nomes como Nasi, em "Música Urbana 2", dos contemporâneos da Plebe Rude, com "Química", e do power trio Autoramas, que tocam "Tédio (Com um T Bem Grande Para Você)", são exceções no fraco repertório. A não ser que você seja um fã atrás de qualquer material referente ao cantor, não há o que justifique a compra de "Uma Celebração", que não contribui em nada para o legado de Renato Russo. O lançamento traz ainda um CD com 16 das 21 músicas presentes no DVD.

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www.universia.com.br - 28/04/2006

Para conhecer melhor o lugar onde vivem, alguns moradores recorrem a letra das músicas. Foi esse o tema de pesquisa do sociólogo Eladio Palencia durante o mestrado e doutorado na UnB. Ele identificou, ao longo da história, três gêneros de composição musical sobre a capital Brasília: Mítica, Épica e Sem Aura. A Brasília Mítica tratava sobre os anos em que a cidade era projetada e começava a sair do papel, uma das canções desse período é Sinfonia da Alvorada, de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes. Outro gênero identificado por Palencia é a Brasília Épica, que com exaltação remetia ao espírito nacionalista da época. As músicas desse tempo falam sobre a esperança e fé no futuro do Brasil. O último gênero é a Brasília Sem Aura, que fala de uma capital sem tanto idealismo. Esse gênero está presente nas músicas de Legião Urbana e Plebe Rude. Suas letras mostram o desentendimento dos jovens com a utopia da cidade modernista de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Para saber mais visite o site www.unb.br/acs, na opção Banco de Pautas.

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