Plebe Rude

Correio Braziliense - 29/12/2006
Por Daniela Paiva e Tiago Faria

Alguma coisa parece estar fora da ordem quando Caetano Veloso escala as principais posições das listas de álbum de rock do ano. E que um dos lançamentos mais aguardados da estação recupera o repertório de um herói da onda brasiliense do final dos 70, o Aborto Elétrico. Porém, 2006 não emplacou um calendário tão atípico para o pop rock brasileiro. Enquanto o grande mercado fonográfico continua a agonizar em crise permanente, o nicho independente segue na missão quase impossível de solidificar os alicerces para uma geração de bandas acostumada ao faça-você-mesmo, em uma temporada sem estardalhaço ou revelações capazes de chacoalhar a desordem nacional.

A muitas superquadras da Turma da Colina, que rendeu sucessos de vendas como Legião Urbana e Capital Inicial, três festejadas crias do rock candango do século 21 tiraram 2006 para pôr à prova a condição de promessa. Sem susto, Prot(o), Bois de Gerião e Superquadra lançaram álbuns mais preocupados em consolidar a trajetória underground do que despontar no cenário nacional ou atingir público mais amplo. Se a banda de Carlos Pinduca buscou aprimorar a estética urgente do disco de estréia, de 2003, com sonoridade mais rebuscada em Prot(o), a boiada de Rafael Farret seguiu direção contrária com Nunca mais monotonia, sintonizado com o pop. Apontando tendência mais contemporânea, ao mesclar rock e eletrônica, Tropicalismo minimal, estréia do Superquadra após dois compactos, confirma a vocação de Cláudio Bull (ex-Divine) para situar o brasiliense em seu tempo.

Com poucos lançamentos e expectativas para 2007, Móveis Coloniais de Acaju e Sapatos Bicolores arrebanharam fãs em shows quentes. Uma leva de álbuns, que inclui Banduirá (Seus gritos e também os meus), Amanita (No caminho do bem), Zamaster (A cabeça é boa, os "pensamento" é que atrapalham), sugeriu concorrentes ao posto de novos produtos de exportação made in Brasília - ainda que nenhum tenha obtido sucesso. No nicho mais pesado/acelerado, destaques para Violator (Chemical assault) e Firstations (Punk rock station).

Nesse cenário, as coletâneas Caça bandas, Beats & bites e A terceira onda - O novo rock de Brasília foram instrumento para heróis da capital não saírem do radar de um público que sofre a falta de ferramentas radiofônicas para captar as vibrações de hoje. O Tributo Rock Brasília, promovido pelo programa de rádio Cult 22, reuniu, em CD e shows, 20 grupos para prestar reverência ao passado roqueiro que ainda não virou lugar-comum.

Nacional

Se os artistas brasilienses não precisaram sair da cidade para gravar álbuns, o êxodo pernambucano esteve em alta com os novos trabalhos do Mombojó, Homem-espuma, e do Cordel do Fogo Encantado, Transfiguração. Sob a chancela da Trama - no caso do Cordel, apenas para distribuição -, cercaram-se do aparato tecnológico de bons estúdios na tentativa de burilar o som. São resultados de calculada mutação. O Cordel reinventou o processo criativo e deixou a preocupação teatral para a turnê. Privilegiou o aspecto musical de um grupo que pavimenta trajetória particular, mas procura escapar de segmentações. Já o Mombojó cometeu a ousadia de livrar-se do caos controlado da elogiadíssima estréia Nadadenovo e investir em sonoridade mais compacta, menos juvenil, com experimentação mansa, quase suave.

No cardápio das gravadoras, o rock alinhou-se ao emocore - vertente chorosa e romântica do punk rock, liderada no país pelo CPM 22 - e perdeu diversidade. Exceção foram os cariocas do Moptop, ejetados da internet para as lojas com referências de Strokes e Franz Ferdinand no primeiro álbum, homônimo. Enquanto o Los Hermanos prepara novo trabalho — e não encontra competidores à altura em apoio de fã-clube cada vez maior —, até medalhões da MPB apostaram no gosto de um público de jovens adultos.

Amparado pela guitarra de Pedro Sá e a lembrança de Strokes e Wilco (no Tim Festival de 2005), Caetano Veloso expurgou sofreguidão amorosa em formato quase pós-punk em Cê. Tom Zé capitalizou o culto internacional (reforçado por Estudando o pagode, aceito nos EUA) e mergulhou em um laboratório de pós-canções chamado Danç-eh-sá— Dança dos herdeiros do sacrifício. Álbum punk, pelo menos em atitude.

No acostamento

Na cena carioca, o punk rock do Carbona estacionou na revista Outracoisa. O oitavo álbum, Apuros em Cingapura, reitera a acertada mudança de rota para o português, com músicas bem-humoradas. A produção prolífera do Sul desaguou novos trabalhos de Pelebrói Não Sei (Aos farsantes com carinho, pela Monstro Discos), Repolho vol. 3, do grupo Repolho, e a estréia, homônima, do Superguidis, pelo brasiliense Senhor F Discos. A menos de 200km da capital, a corrente do pequi liderada pela Monstro soltou as estréias do Trissônicos, Objeto direto; do Barfly, The longest turn; e o primeiro e, infelizmente, último trabalho do Hang the Superstars, First,lost and always. Para alguns nomes consagrados, a luta é outra. Renovar-se e escapar à cartilha é mais do que preciso - é até uma questão de sobrevivência. Com a bagagem carregada de hits que conduziriam a uma via sem volta, o Skank negou as facilidades do mainstream em Cosmotron (2003), e afinou um molde alinhado ao rock sessentista em Carrossel, sem deixar de se abastecer com timbres pop.

Coerente com o figurino outsider, a Plebe Rude retorna às graças da crítica em R ao contrário, encartado na revista Outracoisa. Em boa forma ao lado de Clemente (Inocentes) e Txotxa (ex-Maskavo), Philippe Seabra e André X saciam o público com um disco redondo e maduro. Mais longe na proposta de imersão nas origens, o Capital Inicial, também contabilizando um arsenal de hits, abraçou a crueza do Aborto Elétrico em uma homenagem digna à pré-história punk de Brasília. Com espírito independente e selo da MTV - como manda a lógica desordenada do rock brasuca.

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Garagem/Correio Braziliense - 29/12/2006
Por Carlos Marcelo, Daniela Paiva e Tiago Faria

A nova Plebe Rude, com R ao Contrário, demonstra boa forma em CD maduro: Quarto melhor disco do ano na votação do Garagem

1. TROPICALISMO MINIMAL, SUPERQUADRA (Bolacha Discos) Das cinzas do Divine,um dos ícones do rock underground de Brasília no final dos anos 1990, nasce mais uma cria do vocalista e compositor Cláudio Bull. A banda envolve as letras dele – que pontilha uma capital familiar para a geração que guarda na lembrança as tardes embaixo do bloco – em texturas bem trabalhadas de rock,eletrônica e baladas sob a iluminação artificial das noites brasilienses.Indicado para adultos – o que, apenas por isso, já é uma tremenda novidade.

2. SUPERGUIDIS, SUPERGUIDIS (Senhor F Discos) Parece até milagroso que uma das maiores revelações do rock brasileiro de 2006 tenha saído de idas e vindas nos 30km que separam Porto Alegre de Guaíba. Não é por falta de concorrentes.Com uma estética em sintonia com o renascimento do garage rock, o Superguidis exibe com orgulho referências dos anos 1990 (Pavement, Nirvana, Weezer), elogiadas pela poesia simples e espertíssima de Lucas Pocamancha e Andrio Maquenzi. A despretensão valeu: eis o álbum mais jovial do ano.

3. CARROSSEL, SKANK (Sony/BMG) O sétimo álbum do Skank cerca ainda mais o território iniciado em Maquinarama,de 2000,e seguido em Cosmotron,de 2003, que se distancia do reggae rock do começo da carreira.No entanto, novamente testa a vocação da banda, liderada por Samuel Rosa – que desenvolve, cada vez mais e melhor, o timbre vocal – para traduzir, com simplicidade,as referências que revigoram a sonoridade. Mais uma vez, o Skank prova que escapa bem às armadilhas do pop e até dos próprios acertos.

4. R AO CONTRÁRIO, PLEBE RUDE (Outracoisa) O primeiro álbum de estúdio em 13 anos sela, de vez,o retorno dos plebeus Philippe Seabra e André X, agora acompanhados dos recrutas Clemente (Inocentes) e Txotxa (ex-Maskavo Roots). Sem esquecer as cicatrizes raivosas de um passado cultuado e dissolvido pela discórdia interna, e atentos à importância da coerência nessa volta – daí o lançamento pela Outracoisa –, os "tios" do rock brasiliense nos fazem lembrar a importância de aliar, à maturidade, rebeldia.

5. CÊ, CAETANO VELOSO (Universal) Não há por que estranhar. Se Caetano Veloso parece deslocado em uma lista do Garagem, Cê é um álbum que também não se adapta ao rótulo MPB. Em um diálogo com a geração do filho Moreno, o eterno tropicalista interpreta a crueza do rock anos 2000 sem abandonar um universo particular, exposto em letras de confissão descarada e em melodias que cairiam bem na voz de uma Gal Costa (Não me arrependo).

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Zap'n'roll, Revista Dynamite - 27/12/2006
Por Humberto Finatti

E, como sempre, já vai tarde. Sim, porque dezembro sempre é época de fazer aquele balanço do que aconteceu nos últimos doze meses, de bom e de ruim, em todos os aspectos. E mesmo que o ano que acaba agora tenha sido bastante generoso e bacana ao menos no terreno do rock alternativo e da cultura pop, também houve os pontos negativos - mas estes Zap'n'roll prefere nem se lembrar deles. E, no final das contas, é hora de renovação e de tocar a bola pra frente. Esperar sempre que o novo ano seja ainda melhor do que o que passou, nas áreas que interessam a esta coluna e aos nossos amados leitores. Neste sentindo, 2007 promete continuar sim bastante agitado, com muitos shows imperdíveis já fechados e também com muitos discos legais para serem lançados aqui, ainda que o cd esteja na contagem regressiva para a sua extinção.

Enfim, é isso. Última coluna de 2006 e ela começa, lógico, com aquele tradicional balanço do ano pop e rock. As escolhas dos destaques que você irá ler logo abaixo foram feitas pelo autor destas linhas online. E você, leitor e parte fundamental desta coluna (afinal, sem vocês qual seria a razão de estarmos aqui?), tem todo o direito do mundo de concordar ou discordar de nossas escolhas. Para isso, o espaço no final da coluna está lá, à sua disposição, para que você se manifeste meeeesmo. Certo? Então é isso. Vamos nelson.

DEZ DISCOS GRINGOS QUE FIZERAM 2006 MAIS BACANA

1 - Yeah Yeah Yeahs/"Show Your Bones"
2 - Raconteurs/"Broken Boy Soldier"
3 - Primal Scream/"Riot City Blues"
4 - The Strokes/"First Impressions Of Earth"
5 - Sonic Youth/"Rather Ripped"
6 - Morrissey/"Ringleader Of The Tormentors"
7 - Cat Power/"The Greatest"
8 - Beck/"The Information"
9 - Muse/"Black Hole And Revelations"
10 - She Wants Revenge/"She Wants Revenge"

Disco de 2006 para esquecer em 2007: a estréia do sacal Arctic Monkeys.

Discos pra aguardar com tesão em 2007: os novos do Bloc Party, Art Brut e Rakes.

DEZ DISCOS BRASILEIROS QUE TAMBÉM FIZERAM 2006 MAIS BACANA

1 - Ludovic/"Idioma Morto"
2 - Pública/"Polaris"
3 - Zefirina Bomba/"Coconoisegrooveenvenenado"
4 - Moptop/"Moptop"
5 - Los Porongas/"Enquanto uns dormem"
6 - Superguidis/"Superguidis"
7 - Walverdes/"Walverdes"
8 - Plebe Rude/"R ao contrário"
9 - Rock Rocket/"Por um rock'n'roll mais alcoólatra e inconseqüente"
10 - Forgotten Boys/"Stand By The D.A.N.C.E."

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Rock Press - 27/12/2006

Há pessoas que gostam de anos pares. Outras preferem os anos ímpares. E, para a maioria, isso não faz a menor diferença. Ainda lembro de redigir a primeira grande matéria para o então nascente Portal Rock Press há um ano, tentando mapear o que havia sido legal em 2005. Estamos aqui, novamente, fazendo o mesmo raio-X e, você bem sabe, isso tudo vem com as listinhas dos rockpressers,
dos convidados do Portal, tudo muito legal e feito com carinho para todos que nos visitam todo santo dia. Enjoy.

Guto Jimenez - Skate Culture

- Melhores álbuns:

The Transplants - Haunted City
Audioslave - Revelations
Jurassic 5 - Feedback
Hard-Fi - In Operation
RHCP - Stadium Arcadium
De La Soul - The Impossible Mission
U.S. Bombs - We Are The Problem
Alkaline Trio - Crimson
Dilated Peoples - 20/20
Gnarls Barkley - St Elsewhere

Bidê Ou Balde - É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos
Plebe Rude - R Ao Contrário
Helião & Negra Li - Guerreiro Guerreira
Nasi - Onde Os Anjos Nâo Ousam Pisar
MV Bill - O Bagulho É Doido
Carbona - Apuros em Cingapura
Marcelo D2 - Meu Samba É Assim
Cascadura - Bogary
A Filial - Quem Menos Tem É Quem Mais Oferece
Simples - Escuta Aí

- Banda – Canastra/ Turbonegro
- Site de música – ultimate-guitar.com
- Show - Funk Como Le Gusta (Estrela da Lapa)/ US Bombs (Hangar 110)
- Pior - Caetano Veloso (esse devia ser hors concours) / Elton John (sim, a tiazinha ainda vive)
- Melhor - Bidê Ou Balde / Audioslave
- Revelação - Sweet Cherry Fury (Santos)/ Thee Midniters (LA)
- Filme – 1972/ Wassup Rockerz
- Livro - Tarja Preta - coletânea de contos / Jay Boy - Kent Sherwood
- TV - Gordo Freak Show/ Urbanation
- Para 2007 - filme O Magnata/ Kraftwerk Der Katalog

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Correio Braziliense - 25/12/2006
Por Philippe Seabra

Como acompanho a carreira solo de Pete Townshend há muito tempo, quando escutei Endless Wire não me surpreendi ao perceber mais traços de seus discos solos do que necessariamente elementos do The Who. Músicas que parecem ter sido feitas para compor um disco solo, sem dúvida, ganham força na voz de Roger Daltrey, ao invés do habitual tom agudo e confessional do próprio Townshend. Mas, pensando bem, The Who nada mais é que um grande projeto solo de Townshend, cantado por Daltrey, seu frontman alter ego.

Embora os trabalhos solo de ambos tenham excelentes momentos, After the fire, de Daltrey, e White city, de Townshend, por exemplo, não se igualam à força bruta de um disco do The Who, sem sombra de dúvida, os avôs do punk. A ausência de Keith Moon e de John Enwhistle não é tão sentida assim, mas quando se fica sem lançar um disco de inéditas por 24 anos, o que se pode esperar são vícios de um band leader que quase sempre trabalhou sozinho.

Do tom rascunhado e "low-fi" de Scoop e Another Scoop ao power guitar de Empty Glass, a primeira metade do disco é Townshend puro, talvez com a exceção mais nítida da introdução de Fragments, que anuncia imediatamente: The Who voltou, mesmo não sendo um disco "de banda". Mas Townshend não esconde as influências e parece aproveitar esse provável último disco da banda para prestar homenagem aos mestres do blues e até a Bob Dylan, com voz e violão cíclicos e confessionais, lembrando momentos de Iron man e Psychoderelict.

A segunda metade do disco, a miniópera Wire and glass, aí sim, é The Who com toda a pompa, talvez a causa da demora de um disco autoral da banda. O álbum simplesmente não soaria completo sem sua inclusão. Com todos os mods mundo afora tirando os ternos do armário em dia de festa, a banda volta ao terreno tão familiar de Quadrophenia, turnê que, inclusive, tive a honra de assistir ao vivo. Músicas que se sustentam sozinhas,mas que compõem uma saga que pode até ser confundida com a própria trajetória do The Who, são adicionadas à vasta obra de Townshend, sem ficar nada a dever a canções atemporais como as de Tommy.

Longe do fraco de It's Hard, Wire and Glass, é o disco que deve ser ouvido como a volta da banda. Das viradas à Keith Moon aos acordes abertos das guitarras, respiram aliviados aqueles que sonhavam com um álbum à altura dos clássicos da banda. Na música (quase vinheta) We got a hit, Townshend escreve o epitáfio definitivo da banda, que ajuda a definir o papel do The Who na história da música moderna e no coração dos fãs:

We got our folks together
We broke down barriers
We found a dream to dream
We were the carriers

We got rich and famous
Papers at our door
We talked a load of crap
They just wanted more

*Philippe Seabra é vocalista e guitarrista da banda Plebe Rude

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oglobo.globo.com/blogs/jamari - 25/12/2006
Por Jamari França

O disco nacional do ano para Jam Sessions é "Negro amor", de Toni Platão (Som Livre). Impecável de ponta a ponta em interpretação, arranjos, repertório e apresentação visual. Deve colocar Toni como um dos grandes intérpretes da música brasileira. Cantor de grandes recursos vocais, Toni não joga nota fora e nem se preocupa em mostrar que tem voz, ele se coloca a serviço da canção, daí o resultado notável deste disco.

Os demais estão sem ordem de preferência, mas um segundo lugar, se houvesse, ficaria com a volta dos Mutantes com Zélia Duncan. Esta foi a banda nacional mais importante na minha formação com as loucuras sonoras de seus seis primeiros e impecáveis discos, em parte recriados e atualizados no DVD e CD duplo lançados no final do ano. Os Mutantes partem agora para uma turnê nacional e um possível disco de inéditas. A ver e torcer.

Os projetos ao vivo continuaram com toda força este ano e gostei especialmente de três deles. Minha musa desde os anos 80, Fernanda Abreu, fez o primeiro registro de carreira num DVD maravilhoso de ponta a ponta com samba, samba rock, funk, soul, toda essa mistura que ela fez para criar seu estilo pessoal, com letras que falam do jeito carioca, do morro à beira-mar, um circuito musical que ela transita com bom gosto e competência.

O Cidade Negra,que nunca acompanhei muito, me ganhou com "Direto", DVD gravado para comemorar os 20 anos da banda. Produção impecável, uma pegada de reggae com rock muito afiada, nada como o tempo para deixar uma formação nos trinques. Eles fizeram uma mistura de inéditas (nove, acho) sucessos e dois convidados foda, Lulu Santos saltitante e feliz e um emocionante set com os Paralamas do Sucesso. Toni Garrido está saindo para gravar solo, mas dificilmente conseguirá ter a relevância desta banda.

O Barão Vermelho fez 25 anos de carreira este ano e está parando agora em janeiro por mais quatro anos. O ''MTV ao vivo'' revisita estes 25 anos, incluindo a presença de Cazuza, num dueto via telão com Roberto Frejat em ''Codinome Beija Flor''. Tudo que fez a fama do Barão está nesse disco, repertório excelente e interpretação precisa e explosiva. O vocalista do IRA!, Nasi, vestiu a roupa do X-man Wolverine e lançou um grande disco, "Onde os anjos não ousam pisar", uma sonoridade suja, vocal grave, rock e blues num clima bem bandido.

A crise do mercado está prejudicando muito algumas bandas. Nomes que deviam estar tocando em todas as rádios ainda estão longe de ocupar o lugar que merecem. É o caso do Luxúria, que não emplacou o primeiro disco, o Mop Top, ambos por gravadoras grandes e ainda Carbona, Plebe Rude e Cascadura lançados pela revista ''Outra Coisa''.

Levei muita porrada quando elogiei, mas sou teimoso e ponho o disco de Sandy & Junior, que leva o nome deles, como um dos melhores do ano também. Acho que fecham os ouvidos à notável virada sonora da dupla, capitaneada pelo Junior, por puro preconceito. Os Ratos do Porão atacaram com outra pedrada na vidraça do sistema, "Homem inimigo do homem", fiéis ao lema "odiando a tudo e a todos há 25 anos", mas eu não odiei o disco, gostei muito. A banda gravou seu primeiro DVD aqui no Rio por iniciativa do Circo Voador, a lona da Lapa que em 2006 continuou a dar relevantes contribuições para cultura brasileira. Um exemplo que devia ser seguido por outro palco histórico, hoje apenas uma máquina de ganhar dinheiro, o Noites Cariocas.

Acompanho a cantora baiana Rebeca Matta há muitos anos. Ela se mantém fiel ao estilo indie sem qualquer concessão, fazendo lançamentos esparsos. Este ano, com apoio da Petrobrás, ela lançou "rosasônica" com a mesma disposição de não se acomodar nunca. Audição às vezes inquietante, às vezes prazerosa, mas sempre rica de informações. Vi o show dela abrindo para o Pato Fu na concha do Castro Alves em Salvador, com mais punch, mais para o punk que no disco. Talento e atitude. Outra grande mulher, Cássia Eller, chegou ao disco e DVD no final do ano com o show do Rock in Rio em 2001. Ela estava elétrica e em grande forma. Naquele ano gravou o Acústico MTV que lhe deu um sucesso inédito e se foi.

Destaco ainda as reedições coordenadas pelo titã Charles Gavin que trouxe de volta discos históricos como "Acabou chorare" e "Ferro na boneca" dos Novos Baianos, "Vivo" de Alceu Valença e Joelho de Porco. Ele só não consegue reeditar a obra dos Titãs, emperrada na Warner.

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Laboratório Pop - 12/12/2006

Setenta e dois críticos, jornalistas especializados, produtores e representantes do mercado fonográfico nacional votaram nos melhores do ano de 2006 em nove categorias a pedido da LP. Os indicados estarão disponíveis para votação popular a partir de hoje na comunidade da Laboratório Pop no orkut e a partir de 26 de janeiro de 2007 aqui no site oficial da revista (www.laboratoriopop.com.br). Conheça os indicados para a segunda edição do Prêmio Laboratório Pop, vote e concorra a dezenas de CDs e DVDs

Disco nacional (multinacionais e gravadoras de maior porte)

Marcelo D2 - "Meu samba é assim" (Sony-BMG)
Nando Reis - "Sim e não" (Universal)
Skank - "Carrossel" (Sony-BMG)
Moptop - "Moptop" (Universal)
Gram - "Seu minuto, meu segundo" (Deckdisc)
Max de Castro - "Balanço das horas" (Trama)
Mombojó - "Homem-espuma" (Trama)
Detonautas - "Psicodeliamorsexo&distorção" (Warner)
Matanza - "A arte do insulto" (Deckdisc)
Zefirina Bomba - "Noisecoregroovecocoenvenenado" (Trama)

Disco independente (nacional)

Netunos - "Alto-mar" (Rastropop Records)
Filhos da Judith - "Eu queria ser vinil" (independente)
Cascadura - "Bogary" (Outracoisa)
Astronautas - "O amor acabou" (Outracoisa)
Superguidis - "Superguidis" (Senhor F Discos)
Rebeca Matta - "Rosa Sônica" (independente)
Cabaret - "Cabaret" (Rastropop Records)
Plebe Rude - "R" (Outracoisa)
Supercordas - "Seres verdes ao redor" (Midsummer Madness)
Cinco Rios - "Ecos da Cidade" (independente)

Produtor

Marcelo Camelo
John Ulhoa
Henrique Portugal
Carlos Eduardo Miranda
Philippe Seabra
Fernando Magalhães
Edu K
Chico Neves
Liminha
Sérgio Diab

Gravadora independente

Rastropop Records (RJ)
Monstro discos (GO)
Senhor F (DF)
Mondo 77 (SP)
Performance Be Records (RJ)
Mudernage (RN)
Slag Records (SP)
Astronauta Discos (RJ)
Outracoisa (RJ)
Super Music (RJ)

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Universo Musical - 08/12/2006
Por Leisa Ribeiro

Com o CD R ao Contrário, a Plebe Rude quebra um jejum de 13 anos sem um disco de músicas inéditas e estréia oficialmente a nova formação

Um dos ícones do rock brasileiro, a Plebe Rude está de volta ao cenário musical. Quem cantou exaustivamente Até Quando Esperar, nos anos 80, não precisa mais aguardar para ter o novo álbum do grupo, R ao Contrário, lançado pela revista "Outra Coisa", de Lobão.

Conterrâneos e contemporâneos de Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e Capital Inicial, os brasilienses da Plebe Rude estavam há 13 anos sem lançar um disco de músicas inéditas.

R ao Contrário também marca a estréia, em estúdio, da nova formação da banda, que vem tocando junta desde 2004. Aos remanescentes Philippe Seabra (voz e guitarra) e André X (baixo) uniram-se Clemente (guitarra), dos Inocentes, e Txotxa (bateria), ex-Maskavo Roots.

"A idéia do disco era registrar o nosso momento. Pelo visto, deu certo", comemora Philippe Seabra.

O longo tempo sem mostrar novidades não impediu que a sempre engajada Plebe Rude perdesse a inspiração para falar de política.

Em R ao Contrário, um exemplo disso é a faixa Voto em Branco, que tem a participação de Fê Lemos, do Capital Inicial. Para quem não sabe, esta canção foi responsável pela detenção da banda no histórico show de Patos de Minas, em 1981, junto com a Legião Urbana, que foi presa por causa de Música Urbana 2.

"Mesmo quando nossas letras falam de subjetividades, somos lembrados pelas músicas de protesto político", diz Philippe.

Sonoridade atual

A Plebe Rude ensaiava um trabalho com músicas novas desde 2000, quando gravou o álbum ao vivo Enquanto a Trégua Não Vem, que marcou o retorno do grupo após um período de inatividade.

Apesar de não ter feito muito sucesso, o disco agradou à banda e fez Phillippe Seabra ter certeza de que ainda existe espaço para a Plebe Rude na música brasileira.

"O pop de hoje é calçado nos anos 80. Pato Fu, O Rappa e Jota Quest são bandas que ouviram e confessam ser fãs da Plebe Rude. Ou seja, o som que fazemos ainda está aí", argumenta o músico, que também produz bandas alternativas.

A produção de R ao Contrário ficou nas mãos do próprio Phillippe Seabra, que gravou o disco em seu estúdio, em Brasília. Músicas como O Que Se Faz (primeira faixa de trabalho) e Mil Gatos no Telhado provam que a Plebe Rude ainda tem muito para mostrar aos fãs e aos que não conhecem o trabalho da banda.

"O som da Plebe não parece com nada, é uma versão única", avalia o guitarrista.

Recentemente, o quarteto brasiliense tocou as novas canções e antigos sucessos como Até Quando Esperar, Proteção e Johnny Vai à Guerra em um show no Circo Voador, lembrando os tempos em que a casa de espetáculos carioca era uma das protagonistas do movimento BRock.

Mas nostalgia não passa pela cabeça de Philippe Seabra e cia. Final de carreira, então, nem pensar.

"Tenho muito carinho pela Plebe Rude e ainda acredito muito no nosso som", afirma.

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www.obaoba.com.br - 23/11/2006

Nesta sexta e sábado, dias 24 e 25, o "Projeto Plataforma" do Sesc Pompéia (SP) recebe a banda Plebe Rude, na Choperia.

O objetivo do evento é abrir espaço aos grupos para lançarem seus novos trabalhos, a partir do segundo CD. Nestes dois dias, o conjunto roqueiro de Brasília mostrará ao vivo os sons do álbum inédito "R ao Contrário".

Com 12 faixas, a compilação traz melodias inspiradas no pós-punk sem abandonar a tradição dos anos 80, que os músicos viveram ao lado de nomes como Legião Urbana, Capital Inicial e Paralamas do Sucesso.

Composições já conhecidas, como "Até Quando Esperar", "Johnny vai à Guerra" e "Pânico em SP" também estarão no set list.

Os ingressos custam entre 8 e 20. No sábado, a abertura será do Banzé, já no domingo, Corvo Branco faz o aquecimento.

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Fnac/Brasília - 20/11/2006

Quarta-Feira - 29/11/2006 19:30

A Fnac convida para um bate papo seguido por pocket show para marcar o lançamento do novo cd R ao Contrário da Plebe Rude. Desde a gravação de Enquanto a Trégua Não Vem, o álbum ao vivo que marcou a volta da Plebe Rude, em 2000, um disco de inéditas vinha sendo aguardado pelos fãs. Pois a espera acabou com R ao Contrário, o novo álbum, lançado pela Revista Outracoisa e que marca a estréia, em disco, da formação que vem tocando pelo Brasil desde 2004. Além de Philippe Seabra (vocal e guitarra) e André X (baixo), remanescentes da Plebe original, estão na banda Clemente (guitarra e vocal), também integrante do Inocentes, outra lenda do punk rock nacional, e o baterista Txotxa, ex-Maskavo Roots.

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