Plebe Rude

Uma história da Geracão Coca-Cola

www.rabisco.com.br - 27/06/2004
Por Rodrigo Herrero

Teatro homenageia Renato Russo ao retratar movimento punk de Brasília dos anos 80

Está em cartaz no Teatro Gazeta a peça R-Evolução Urbana, a Lenda do Rock. Realizada pela Companhia de Teatro Rock, a peça retrata aspectos políticos e sociais do Brasil nos anos 80, durante o fim da ditadura e começo da abertura política. Aborda também questões culturais e comportamentais, ao falar do surgimento em Brasília de um movimento de jovens punks de classe média que culminou na formação de diversas bandas de rock brasileiras, casos da Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude.

A história ocorre num lugar chamado Província Central, que sofreu um golpe de estado e passou a ser governado de forma repressora pela figura mítica do "Grande Comandante" (André Abujamra), que aparece freqüentemente na televisão para contar os progressos do país. A única resistência comentada é a dos "Cavaleiros da Colina", que ninguém conhecia, mas todos temiam. É uma referência à "Turma da Colina", um grupo de jovens que se encontravam para se divertir num morro de Brasília, no começo dos anos 80, que originou o movimento punk local.

O texto, de Marcos Ferraz, é repleto de referências literárias, casos de Admirável Mundo Novo, de Adouls Huxley, Utopia, de Tomas Morus e 1984, de Geroge Orwell. Há uma passagem inteira deste último, como a conversa entre Eric Russel (Luiz Pacini) e uma companheira de trabalho sobre o novo dicionário de Novílingua, em que é retirada do livro a frase: "Quem controla o passado, controla o futuro. E quem controla o presente, controla o passado". Há também o "crime de pensamento", e o próprio "Grande Comandante" é retirado da obra de Orwell.

Há diversos lugares-comuns, como o caso da disputa entre "oprimidos e opressores", remetendo à eterna luta de classes do proletariado contra a burguesia. Alusões ao período medieval - tão adorado por Russo - são uma constante, inclusive, na citação aos cavaleiros da Távola Redonda. Há também digressões futuristas, encabeçadas por lutas parecidas com as do filme Matrix. Mesmo assim, algumas dessas batalhas são feitas com espadas, entregando todo o aspecto imaginário e atemporal de R-Evolução Urbana.

O foco central da história é o vocalista e líder da Legião Urbana, Renato Russo. Ele está representado pelo personagem principal, Eric Russel, líder dos Cavaleiros da Colina - Russel é um personagem criado pelo cantor aos 15 anos de idade, líder de uma de suas diversas bandas imaginárias. Há várias referências ao cantor durante o espetáculo. Porém, a peça não é considerada pela Cia. de Teatro Rock uma biografia de Russo. A diretora da peça, Fezu Duarte, revela essa preocupação: "Tivemos o cuidado de não contar como era a vida dele, não queríamos um espetáculo pessoal", conta. Esta é a primeira vez que a família Manfredini libera os direitos da obra do cantor para um espetáculo teatral.

Durante as quase três horas de espetáculo, uma banda de apoio dá o som. É composta por cinco músicos, que também atuam na peça e se revezam nos instrumentos, além de um baterista fixo. Eles tocam 23 músicas ao vivo, percorrendo o repertório da Legião Urbana, com "Será", "Geração Coca-Cola", "Fábrica" e "Que País É Esse", além de "Veraneio Vascaína" e "Música Urbana", do Capital Inicial e "Até Quando Esperar" e "Bravo Mundo Novo", da Plebe Rude.

O diretor musical, Johnny Monster, acredita na performance ao vivo como um grande atrativo para os fãs da Legião Urbana. "As novas gerações de fãs, que nunca tiveram a oportunidade de assistir a um show da banda, encontraram em R-Evolução Urbana a essência do grupo quando subia aos palcos". Não há virtuosismo dos músicos, que tocam da melhor forma punk, ou seja, sem muito capricho e beirando a tosqueira.

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