Plebe Rude

Into the groove

O Globo - 01/08/1993
Por Tom Leão

Estúdio de som vira point do under carioca

Se o samba desce o morro, o rock sobe. Há um ano e meio funcionando num casarão em aprazível rua na parte alta do Rio Comprido, o estúdio Groove reúne a fina nata do rock alternativo carioca, que usa o local não apenas para ensaios de shows ou gravações de fitas demo. Quando mais de duas bandas estão no local nos fins de semana o estúdio vira uma festa, um ponto de encontro, um bar, enfim, o groove corre solto.

E é por isso que, na falta de lugar para ir ou trocar idéias, a moçada under carioca está fazendo do Groove seu point. Mas o que atrai esse pessoal pra lá? O dono da casa, Ronaldo Pereira, também conhecido como Ronaldo Finis, ex-baterista do finado Finis Africae, atual baterista temporário do Second Come, está ativando dois projetos pessoais: Elvira Vilã (ao lado de César Nine, ex-Coquetel Molotov) e o Falso Inglês, este uma brincadeira com dance music.

Ronaldo sempre quis ter um estúdio e durante algum tempo reuniu toda a grana ganha com o Finis, a poupança pessoal e, com uma pequena ajuda dos pais, comprou a casa e montou o estúdio. Segundo seus cálculos, tudo não chegou a US$ 30 mil, uma pechincha. O toque final veio dos amigos. André X, da Plebe Rude, fez o projeto arquitetônico e outros camaradas foram trabalhar com Ronaldo na manutenção do lugar.

- Usamos o estúdio basicamente para ensaios e gravações menores - conta Ronaldo - e em um ano e meio de funcionamento já passaram por aqui umas 40 ou 50 bandas. Sem contar que todo mundo que trabalha aqui tem sua própria banda.

Mas não são só bandas iniciantes que passam por lá:

- Já passaram pelo Groove bandas como Dash, Second Come, Beach Lizards e também bandas mais conhecidas fora do under, como Plebe Rude, Buana 4 e Dorsal Atlântica. Bandas de fora do Rio, quando vão tocar na cidade, ensaiam aqui, como por exemplo, Os Raimundos e Pravda, ambas de Brasília. Mas não é só banda de rock que usa o estúdio. Uma pequena parte são grupos de samba e MPB.

O horário de funcionamento do Groove é de 10h à meia-noite, mas Ronaldo vive 24 horas no ar, já que ele mora na mesma casa e fica impossível não estar envolvido com o trabalho. E como reage a vizinhança?:

- Isso aqui sempre acaba virando zona, principalmente nos fins de semana. Somos vizinhos de dois casais de velhinhos, mas eles nunca reclamaram.

Fora os velhinhos, os fundos do Groove dão para uma igreja pentecostal, o que gera um contraste engraçado. Os próximos planos de Ronaldo são fazer do Groove um selo de fitas demo (as duas já lançadas são do Dogs in Orbit e Dash) e montar um estúdio só para música eletrônica.

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