Plebe Rude

Retorno promissor para a Plebe Rude

Jornal de Brasília - 10/02/1993
Por Rodrigo Leitão

O álbum simples Mais Raiva do que Medo é o quarto trabalho da banda que agora forma com André X e Philippe Seabra

Na melhor sequência de "O Concreto Já Rachou", a Plebe Rude recupera sua forma original e lança o petardo de "Mais Raiva do que Medo", o quarto disco de sua carreira. A Plebe volta como duo, apos um silêncio de três anos e as saídas de Gutje da bateria e de Jander Bilaphra da guitarra e voz. André X no baixo e o guitarrista-vocalista Philippe Seabra ordenam o repertório de dez músicas, com produção de Paulo Junqueiro, ao lado do ex-roadie da Plebe Marcio Romano, que assumiu a bateria.

A forma musical da Plebe Rude, que surgiu em Brasília no início dos anos 80 e foi um dos grupos responsáveis pela consolidação do boom do rock no Brasil ha dez anos, é fiel as origens de Clash, Killing Joke (principalmente a bateria) e Gang of Four. Isso significa que as raízes roqueiras de André e Philippe continuam na basa do punk 77. Mas absorvendo todas as tendências surgidas nos anos 80 e 90. Jogando com aspectos estéticos do grunge de Seattle e das "guitar bands" inglesas, a Plebe funde as noções que moldam o rock de hoje com a mesma energia de seu trabalho original. Mais Raiva do que Medo é um disco, um disco-marco. Surge para mostrar que a banda nao se desgastou na mídia e mostra que em dez anos - a Plebe completou em janeiro passado uma década de mídia nacional pela invasão carioca com um célebre show sob a lona do Circo Voador, quando marcou sua posição no rock tupiniquim que emergia no verão de 1983 - pelo menos André e Philippe mantiveram as características de sua proposta roqueira.

De saida, eles cantam, no mínimo, com quatro bons momentos nesse novo repertório: Este Ano - já nas rádios, Não nos diz Nada - que abre o disco, Mais Tempo que Dinheiro - de onde tiraram o título do trabalho, e Aurora - numa referência ao lado pop de U2 e The Cure.

Três anos após o terceiro album, quando tentaram ler o Brasil visto pelas turnês no auge da carreira da banda – cuja resposta de público e critica para um disco confuso não foi satisfatória, levando, inclusive à recisão de contrato com a EMI-Odeon -, a Plebe retoma o caminho do rock bem feito, inteligente, que marcou canções como Proteção e Até Quando Esperar, ambos da estréia.

Voltam a cruzar guitarras no estilo rock básico, esquecem as modulações do baião no repertório e modulam o baixo no andamento típico do quatro por quatro roqueiro, recuperando seu espaço. Neste sentido, o disco independente, lançado pelo sêlo Natasha, e um passo confortável e seguro.

Participação especial do Fernando Magalhães e Peninha (Barão Vermelho), Renato Russo e Dado Villa Lobos (Legiao Urbana). Preço médio do LP: Cr$ 120 mil.

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