Plebe Rude

O rock da Plebe Rude sobe no trio e agita o Farol

A Tarde (BA) - 31/01/1989
Por Hagamenon Brito

Modifique o verbo. Aquilo que muita gente pensou em fazer em Salvador, ou seja, a união da garra do rock´n´roll com a potência e qualidade do som do trio elétrico, acontece hoje no Farol da Barra, a partir das 20h, quando a Plebe Rude começar seu show em cima do trio do Tiete Vip´s. Isso já não é feito nesta terra de gigantes e no Brasil? Bem, João Barone e Lobão já andaram dando umas canjas em carnavais passados, mas nunca fizeram um show mesmo e, de vez em quando, como rolou recentemente com o Ultraje a Rigor, no Rio de Janeiro, alguém inventa de tocar num trio elétrico, só que não com a qualidade de um Tiete Vip´s, campeão de 1988 e candidato forte para repetir a dose.

A Plebe (Philippe, Jander, André e Gutje) tornou-se mais brasileira ainda? Nada de interpretações afoitas ou respostas profundas numa piscina rasa, porque o que a galera quer é apenas se divertir buscando um pouco a imprevisibilidade que marcou há tempos o início da carreira da Plebe em Brasília, quando, às vezes, tocava nas calçadas. Buscar de novo esse prazer e se apresentar sem nenhum integrante da sua própria equipe técnica é um ponto para esses boys nada rudes que, após o lançamento do seu terceiro disco ("Plebe Rude"), já conhecem muito bem os mecanismos da indústria cultural e da fonográfica, recusando, por isso mesmo, a acomodação e a caretice de fazer da antimáquina uma máquina.

Apresentando um repertório de 10 músicas, entre as quais velhos e novos hits, como Até Quando Esperar, Proteção, Johnny, A Ida, Censura, Plebiscito e A Serra , a Plebe Rude oferece mais uma vez ao púbilico baiano a oportunidade dele assistir e dançar com uma música em fase de transição, onde a banda deixa batidas, harmonias e andamentos mais habituais em sua trajetória, para mostrar novas investidas rítmicas e temáticas, sem que isso vá de encontro à frase por ela mesma cantada: "Maturidade não é covardia". Não é pelo momento de ser duro para o fechado mercado do rock nacional (assim como para outros gêneros, como extensão da crise econômica do País), que a Plebe vai deitar-se no berço eplêndido e, por isso mesmo, inverte a ordem do esquema.

Segundo Philippe, guitarrista e vocalista, ao se apresentar num palco móvel como o trio elétrico, a Plebe apenas inicia um projeto que é o de fazer o mesmo pelas ruas do Rio de Janeiro, unindo a zona norte à zona sul através do rock, como uma forma de reviver o velho contato da banda com o público de rua, ao mesmo tempo conquisatando novos fãs. Afinal, dançar é de lei e o Tite Vip´s estará possivelmente no Rio de Janeiro, como uma espécie de intercâmbio de informações musicais e oportunidades artísticas, também. Perguntado se a habitual galera que comparece aos shows da Plebe Rude em Salvador não estranhariam a presença da banda em cima de um trio, Gutje dispara: "Acho que esse público tem que estar aberto para variações e novidades, e, além do mais, a Plebe não estará tocando música de Carnaval, mas apenas utilizando o veículo potente e diferente que é um trio elétrico, para mostrar seu rock´n´roll de sempre".

E onde fazer isso melhor do que Salvador, onde sabidamente 75% (no mínimo) do público que vai ao show da Legião Urbana, Titãs ou Ira!, por exemplo, também se acabam nos bailes e encontros da música axé? Então tá combinado, hoje á noite a Plebe Rude mostra com quantas feras ela contribui para "...a festa da raça e da tradição", como forma de se entender em Salvador. Axé? Rock´n´roll, Plebe.

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