Plebe Rude

Rock na concha

Tribuna da Bahia - 20/01/1989

Rock na Concha! Neste domingo, às 18h30min, nada menos do que a energética banda de Brasília - a "Plebe Rude" - estará provocando mais uma vez a descarga positiva na platéia que deverá lotar a Concha Acústica do TCA! Alta vibração, moçada! Coisa de se ver disco voador! A Bahia, aliás, tem sido uma central roqueira neste verão. Depois de Lobão, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, temos agora a "Plebe Rude" conosco, num atestado puro e simples de que o verão deve continuar, o show pode parar e o amor deve prevalecer, com muito bom-senso, aliás, para tudo não terminar em Aids. Nada melhor para relaxar agora do que alguns parágrafos sobre a discografia do "Plebe Rude". Está pronto(a)? Então, ponha o disco a tocar e leia.

O primeiro disco da Plebe Rude, o mini-LP "O concreto já rachou", lançando em 1985, revela para o Brasil uma energética banda de Brasília, que em shows provocava descarga positiva na platéia que vibrava, pulava e cantava com vontade letras de protesto contra podres poderes, críticas sociais e manifestos concebidos a partir de ideais punks, o combustível que impulsionou-a reunião de quatro jovens .

O segundo, o LP "Nunca fomos tão brasileiros", lançado em 1987 - e como o anterior produzido pelo amigo Herbert Vianna - funcionou como limpa de arquivos, onde letras antigas e conhecidas de shows, porém extremamente atuais, compareciam em meio a algumas novidades. Desta feita, a Plebe já não era apenas uma banda de Brasília e passava por mudanças, pois adolescência cedia à entrada da vida adulta.

Agora chega o terceiro disco, sete anos após a formação da banda, apontando novos caminhos e mostrando uma Plebe mais madura, articulada, ainda fiel a seus princípios. Uma banda que constrói a carreira sem enganar os fãs ou fazer concessões. Longe de ser um disco simplesmente de transição, este é um trabalho de afirmação do nome Plebe Rude, de crescimento musical e de vida.

Portanto, não é difícil concluir que esta é a melhor coisa que os meninos de Brasília já realizaram em vinil. Com a participação ativa de todos os integrantes, Jander Bilaphra (vocais e guitarra), André X (baixo), Philippe Seabra (vocais e guitarra) e Gutje (baterista), é um disco de banda, não de mercado (como foram também os outros). É um disco de rock, no melhor sentido da palavra, tão usada em vão.

Todos deram seu toque em letras, Jander, que adora a vida no campo, assina a quase vinheta "Segundo feriado", um country amalucado e veloz; e com sua voz forte, de sotaque brasileiríssimo co-assina com André "Valor", música que apresenta uma nova sonoridade no estilo da Plebe, quase um rock rural. Essa nova sonoridade também se faz notar em "Repente", de Philippe, que brincando com o nome de cidades e estados brasileiros, traça um painel dos contrastes deste nosso país continente, com o ritmo variado de acordo com as regiões.

Com toques ecológicos e inspirado nas enchentes que aconteceram este ano nas regiões Sul e Sudoeste , Gutje traça um retrato melancólico em "A serra". Por caminhos mais abstratos, André dá seu recado em "Longe", enquanto a banda assina em conjunto com a faixa de abertura "Plebiscito", com o senso agudo e crítico de sempre. Outras faixas que soltam por sua musicalidade e inteligente composição são "O traço que separa" e "Um outro lugar", esta de temática bem atual.

Tudo isso faz deste novo LP da Plebe Rude um dos lançamentos mais importantes na área rock este ano, e mantém a banda no pódio do rock nacional. Medalha de ouro pra eles!

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