Plebe Rude

Plebe Rude :: Para Sempre
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O concreto ja rachou
1 - Até Quando Esperar
ate_quando_esperar.mp3
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Até Quando Esperar
Música: Philippe Seabra, André X e Gutje / Letra: Philippe Seabra e André X
Letra

Não é nossa culpa
nascemos já com uma benção
mas isso não é desculpa
pela má distribuição

Com tanta riqueza por ai
onde é que esta, cadê sua fração?

Até quando esperar?

E cadê a esmola
que nos damos sem perceber
que aquele abençoado
poderia ter sido você

Até quando esperar?
A plebe ajoelhar esperando a ajuda de Deus

Posso, vigiar o seu carro, te pedir cigarro, engraxar o seu sapato?

Até quando esperar?
A plebe ajoelhar esperando a ajuda do divino Deus

História

Feita em cima da frase do André X "com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração?" Philippe completou a letra em 84. Nesta época o grupo ensaiava debaixo da piscina do centro Olímpico em Brasília, numa sala que conseguiram através da Camila, primeira empresária do grupo, indiretamente iluminada pela luz que vinha dos vidros sub-aquáticos. Na verdade a música, que virou hino, era uma espécie de auto crítica, pois falava de justiça social enquanto o grupo morava na ilha da fantasia que era Brasília. "Não e nossa culpa, nascemos já com uma benção..." Mas também foi um dos protestos mais fortes da má distribuição de renda no país jamais feito.

A primeira vez que ela foi tocada foi num festival no Ginásio de Esportes em Brasília junto com a Legião Urbana e o Ultraje a Rigor. Legião ainda não havia gravado o primeiro disco, mas quem viu o show (a Plebe foi a banda de abertura no Ginásio com mais de 5 mil pessoas; o maior público até então da Plebe - apesar de que poucos estavam ali por causa da banda e da Legião, Ultraje estava no auge), viu que o rock de Brasília estava prestes a estourar.

Quando foi gravado, 16 canais foram suficientes para essa música simples, mas foi o poder dela que fez que as rádios naturalmente escolherem-na para tocar primeiro. A música escolhida para ser a música de trabalho foi A minha renda, com direito a clipe do Fantástico. Mesmo assim Até Quando virou sucesso e o rock de Brasília passou a ter a fama que tem, ainda mais com o Capital Inicial, morando em São Paulo, também estourado. Um clipe, na mesma casa aonde foi tirado a foto da capa do Concreto Já Rachou, foi filmado, com direção do José Emilio Rondeau.

A idéia do cello foi de Herbert, que chamou Jaques Morelembaum, então arranjador de Tom Jobim. Numa sessão rápida, foi gravado o que é considerado um dos 'riffs' mais reconhecíveis do rock Brasil. Mas a música não tinha o cello no começo sozinho. Só quando a música estava sendo mixada e o Renato Luiz, o fenomenal técnico de gravação, 'solou' o canal do cello para poder equaliza-lá, e a banda sugeriu que fosse gravado numa fita separada do resto dos instrumentos, e colada na frente. Dito e feito. Mas se os 'headphones' do Jaques estivessem um pouco mais alto, não seria possível isolar o som do cello e o começo da música seria como fora intencionada. A banda deixou-o solar um pouco na parte do meio, e ele até complementa o solo de guitarra do Philippe, considerados um dos mais fortes gravados do Rock nacional.

Foi a primeira vez que o Herbert vestiu seriamente a camisa de produtor, e fez um belíssimo trabalho. O Herbert recebeu um disco de ouro por sua participação e até hoje este é considerado um dos seus melhores trabalhos.

Lulu Santos, Paralamas, Cólera, Tantra e Capital Inicial, sem mencionar inúmeras bandas 'cover,' já tocaram a música ao vivo. É um clássico. A Universidade de Brasília usava a música para ilustrar a desigualdade social no Brasil para os alunos de certas matérias.

O concreto ja rachou
2 - Proteção
protecao1.mp3
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Proteção
Música e Letra: Philippe Seabra
Letra

Será verdade, será que não
nada do que posso falar
e tudo isso prá sua protecao
nada do que posso falar

A PM na rua, a guarda nacional
nosso medo suas armas, a coisa não tá mal
a instituição esta aí para a nossa protecao

Pra a sua proteção

Tanques lá fora, exército de plantão
apontados aqui pro interior
e tudo isso para sua proteção
pro governo poder se impor

A PM na rua, nosso medo de viver
um consolo é que eles vão me proteger
a unica pergunta é: me proteger do que?

Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão

Tropas de choque, PM's armados
mantêm o povo no seu lugar
Mas logo é preso, ideologias marcadas
se alguém quiser se rebelar

Oposição reprimida, radicais calados
toda a angustia do povo é silenciada
Tudo pra manter a boa imagem do Estado!

Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão

Armas poilidas, os canos se esquentam
esperando a sua função
exército brabo e o governo lamenta
que o povo aprendeu a dizer não

Até quando o Brasil vai poder suportar?
Código penal não deixa o povo rebelar
Autarquia baseados em armas não dá
E tudo isso é para a sua segurança

Para a sua segurança

História

A emenda Dante de Oliveira para as Diretas Já tinha acabado de ser recusada pelo Congresso. Quando o país inteiro ligou a televisão a noite para ver o tão esperado resultado, o Cid Moreira apareceu no Jornal Nacional com uma reportagem sobre o aniversário da ocupação Soviética no Afeganistão, que durou 15 minutos. E só. Estado de sítio, pela primeira vez em anos, foi decretado. Jornalistas apanharam e foram presos. Brasília foi isolada do resto do país com o exército na rua.

Philippe tinha uma canção sem letra, e estava tentando fazer uma letra de 'amor' pois estava apaixonado pela primeira namorada, mas nada saía. Não teria jeito, a Plebe nunca conseguiu fazer uma letra de amor, com a exceção, anos mais tarde , de Quando a música terminar, do Mais raiva do que medo, e de talvez uma parte de 2a feriado, do Plebe Rude III. A letra de Proteção veio num instante, e foi um feito e tanto gravar a música dois anos depois e apresenta - lá no Chacrinha várias vezes sem a intervenção da censura federal. Anos antes, uma música da Blitz (também artistas da EMI) não só foi censurada para execução em rádio, como todos os discos, e não eram poucos, já prensados, foram recolhidos. A faixa foi aranhada manualmente, disco por disco, para evitar que o público a ouvisse de qualquer maneira. Mas ao contrário de Proteção, seu conteúdo era sexualmente explicito, não político. Os Plebeus não sabiam o que esperar. Muito menos o sucesso estrondoso da faixa, que não só dominou a rádio por meses, mas levou a Plebe ao disco a Ouro.

O sucesso da música foi tanto que, para evitar um 'remix' ridículo, pratica comum na época para prolongar a vida útil de rádio de uma faixa, a Plebe Rude entrou mais uma vez em estúdio para gravar a versão que a banda estava atualmente tocando ao vivo, Proteção II, a missão (uma brincadeira em cima de Rambo II, a missão, do filme recém lançado). Uma versão 'remix' de Até Quando foi feita sem o conhecimento nem aval da banda, mas para o seu alívio, poucas pessoas a ouviram. Anos mais tarde, Proteção II foi incluída no Nunca fomos tão brasileiros que vinha dentro do box set da Plebe Rude, o Portfólio, lançado em 1997, sem nenhuma menção.

O clipe, o que é considerado o melhor da banda, foi feito num galpão no centro do Rio. A banda tocou a música, intercalado com imagens de repressão policial e militar. No fundo, sombras de soldados e de monumentos de Brasília eram projetadas num fundo branco. No final, um par de algemas eram jogadas no chão e até o Partido Socialista brasileiro, com o slogan 'Tortura Nunca Mais' queria usar a música para a sua campanha. Mas a única vez que a banda autorizou algum partido a usar uma de suas obras foi quando o Partido Comunista foi legalizado e tiveram o seu primeiro horário gratuito televisionado nacionalmente em 87, com um minuto da faixa Brasília, última faixa do Concreto já rachou.

O concreto ja rachou
3 - Johnny Vai à Guerra
johnny_vai_a_guerra.mp3
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Johnny Vai à Guerra
Música e Letra: Plebe Rude
Letra

Go Johnny, go!

Johnny vai à guerra outra vez
diversão que ele conhece bem
Johnny vai à guerra outra vez
enquanto que a trégua não vem (não vem...)

Ele era apenas uma pequena ilha de luz na escuridão
sentado debaixo de um poste somente a pensar
Quem está lá fora? Ele queria saber.
O que a noite lhe espera? Ele procura saber. Saber!

Festa cheia de soldados que insistem em batalhar
por ausentes generais
Eles atacaram por trás com tapinhas na costas
ja se conheciam há muito tempo mas tinham que disfarçar
Trocarem papéis, informações falsas
Se esconderam atrás de sorrisos procurando vitórias. Vitórias!
Todos sabem a procedência, mas não seu destino
Vão para todos os lugares

Ele não teme o interrogatório, mas as drogas podem fazê-lo falar
revelar segredos sobre ele mesmo
que o tornaria vunerável demais

Johnny vai à guerra outra vez
diversão que ele conhece bem
Johnny vai à guerra outra vez
enquanto que a trégua não vem (não vem...)

Você os ouve? Estão lá fora!
Você os vê? Estão lá fora!
Seus aliados, estão lá fora!
Contra você!

E a trégua quanto tempo que eu espero
E a trégua quanto tempo que eu espero e não vem (não vem...)

Agora a noite terminou
mais uma batalha foi ganha
Mas ainda restam outras guerras
outros fins de semana
outros fins de semana

E a trégua não vem nunca!

História

Talvez a musica mais poderosa que a Plebe já fez, é a faixa preferida dos 'plebeus' mais ardorosos. Gravado com apenas uma guitarra, baixo e bateria (assim como Brasília e Sexo e karatê) pois o Jander só cantava quando a música foi feita, Johnny se tornou obrigatório nos shows. Até quando Philippe Seabra estreou o seu Daybreak Gentlemen em Nova Iorque em 1997, os Plebeus que habitavam lá a exigiram. É claro que a banda nova de Philippe estava preparada, mesmo não entendendo o que ele estava cantando, e a platéia veio abaixo. Depois do show, Philippe brincava com os amigos americanos dele "Viu? Não te falei que eu era um rock star no Brasil!"

A letra da música faz uma comparação a uma saída noturna de um adolescente com uma batalha. Indo para a guerra, no sentido de lutar contra suas frustrações, sua timidez e, também, os preconceitos contra ele pos se vestir diferente. Nessa "batalha" também está incluído o esforço para ser aceito como é, fugir das drogas, fazer parte de grupos, etc.

O concreto ja rachou
4 - Minha Renda
minha_renda.mp3
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Minha Renda
Música: Philippe Seabra / Letra: Plebe Rude
Letra

Você me prometeu um apartamento em Ipanema
Iate em Botafogo, se eu entrasse no esquema
contrato milionário, grana, fama e mulheres
a música não importa, o importante é a renda!

Ambição - grana, fama e você
Ambição - grana, fama e você

Tenho fazer sucesso antes que seja tarde
Eles acham que eu vendo, eu tenho uma boa imagem
o meu produtor, ele gosta de mim
grana vale mais que a minha dignidade

Tocar no Chacrinha ou na televisão
tudo isso ajuda pra minha divulgação
isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!

Você me comprou, pôs meu talento a venda
você me ensinou que o importante é a renda
contrato milionário, grana, fama e mulheres
a música não importa, o importante é a renda!

Ambição - grana, fama e você
Ambição - grana, fama e você

Ele trocam minhas letras, mudam a harmonia
no compacto esta escrito que a música é minha
ja sei o que vou fazer pra ganhar muita grana
vou mudar meu nome para Herbert Vianna

Estar no Chacrinha ou na televisão
tudo isso ajuda pra minha divulgação
isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!

Grana, fama e você!

Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo (fundo!)
minha letra é muito forte? Se quiser eu a mudo
e tem que ter refrão (sim!) um refrão repetido (repetido!)
pra música vender, tem que ser accessivel!

Ambição - grana, fama e você
Ambição - grana, fama e você

Não sei o que fazer, grana tá difícil
tenho que me formar e nem escolhi um ofício
Você é músico, não é revolucionário!
Faça o que eu te digo que te faço milionário!

Estar no Chacrinha ou na televisão (a minha renda)
tudo isso ajuda pra minha divulgação (a minha renda)
isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!

A minha renda!

História

Composta em 83, a música na verdade começou como um protesto sobre falsos punks. No lugar do que viraria "Você me prometeu,'" Philippe e o André escreveram "a sua ideologia, não está na cabeça, a sua ideologia, está na tua camiseta..." E no lugar do futuro "Grana - fama - e você," escreveram "Eu não - quero - me vender." Esta versão nunca foi apresentada ao resto da banda, por motivos óbvios. A letra de Minha Renda era muito mais madura, mas foi o mais 'irreverente' que a Plebe já chegou.

O tema saiu da raiva da Plebe de ver grupos como os Paralamas, que todo mundo adorava em BSB, gravando só porque estavam no Rio. Brasília era o maior fim de mundo e a letra refletia esse sentimento de isolamento, mas foi justamente por causa disso que Plebe, Legião e Capital soavam tão únicos.

Composta em 83, em cima de uma peça instrumental do Philippe, a música começou a chamar atenção. Através de amigos em comum, os Paralamas ouviram a respeito, e quando a Plebe foi tocar pela primeira vez no Rio, no lendário Circo Voador, eles abriram para a Legião (curiosamente, o primeiro show da Legião foi abrindo para a Plebe em Patos de Minas) que estava abrindo para os Paralamas, curtindo o recém sucesso de Óculos. Na passagem de som, o Herbert esperava de braços cruzados no meio do Circo para escuta - lá. Foi a segunda vez que os Plebeus se encontraram com o ele. A primeira vez foi na sala de ensaio no Brasília Rádio Center, que dividiam com a Legião e o XXX. O Herbert usou um pedal Flanger do Philippe e ligou acidentalmente na tomada sem transformador (Brasília é 220 Volts), mas não falou nada. A primeira coisa que o Herbert disse ao Philippe, antes de escutar a música foi "que papo é esse que queimei o seu pedal?" O Philippe ficou sem graça. Eles subiram ao palco para passar o som e tocaram a Minha renda... "Vou mudar meu nome para Herbert Vianna." Desceram do palco sem saber a sua reação e o Herbert estava todo sorridente. Viraram amigos e ele acabou produzindo os dois primeiros discos da banda. Ele também cantou esta frase no disco, e participou do clipe do Fantástico. Anos depois o Herbert admitiu que foi ele quem queimou o pedal e pediu desculpas. Esse tempo todo, o Philippe pôs a culpa no Iko Ouro Preto, irmão de Dinho do Capital, e guitarrista do extinto Aborto Elétrico. Coitado.

A partir daí, dependendo de qual Paralamas estava num show da Plebe, cantavam "Já sei o que vou fazer pra ganhar muito dinheiro, vou mudar meu nome para o Bi Ribeiro" ou "Já sei o que vou fazer pra ter fama e um nome, vou mudar meu nome para o João Barone."

Ironicamente, a EMI queria que essa canção fosse a primeira musica de trabalho para apresentar a Plebe ao público brasileiro. Primeira faixa do lado B do disco (não existiam CDs no mercado brasileiro ainda), é curioso a menção de um compacto na letra, pois quando o Concreto foi lançado, as gravadoras já não imprimiam mais compactos para venda. Plebe Rude nunca teve um.

O clipe do Fantástico, dirigido pelo Jodele Larcher, foi apresentado no programa pelo Herbert. Este clip, mesmo no formato da Globo, ficou bem feito. Herbert, de terno com aquele fundo habitual que aparece atrás dos apresentadores do programa, falou do explosivo movimento de bandas de Brasília, e de um grupo que ele produziu. O clipe abre com o André ouvindo um fictício produtor musical que o manda, com "Take Um, valendo," a subir no palco, aonde o resto do grupo o esperava. O produtor então pega um rapaz e tenta o moldar num artista comercial. Ele mudava o figurino dele, de punk a sertanejo a brega repetidas vezes enquanto que o grupo tocava num palco de frente de uma parede de tijolos falsos. Antes da gravação, a banda foi dado tinta spray para tornar o set mais 'rude' e picharam um grande 'A' de anarquia. (Ironicamente, na semana seguinte, a Tetê Espindola apareceu com um clip no Fantástico usando o mesmo cenário!) O Philippe tocava um violão Ovation emprestado e o André X estava tocando com o baixo pendurado na altura dos joelhos.

No meio da música, quando o rapaz canta "Já sei o que fazer para ganha muita grana..." a câmera dá um close nele. O rapaz vira o Herbert que canta "vou mudar meu nome para Herbert Vianna!" Anos antes do vídeo do Michael Jackson "Black and white," a Plebe inventou o efeito 'morphing.'

O clip termina com o rapaz se revoltando e descendo o cacete no produtor, que no final diz "Não Valeu!" e para a surpresa da banda que não sabia que iria ao ar esse detalhe, o Herbert aparece com o mesmo fundo do Fantástico do começo e respondeu "Valeu sim!" Foi assim que o Brasil foi introduzida a Plebe.

Ironicamente, nenhum dos integrantes da banda, quando mudaram para o Rio, morou em Ipanema. E muito menos compraram iates.
Mas apresentaram a música no Chacrinha...

Anos mais tarde, fã confesso da banda, Marcelo D2 usou trechos da letra sem dar credito a banda na música “Em busca da batida perfeita” no disco homônimo de 2003:

“João e Maria, cheio de regalia
Entrou no conto do canalha que fazia e acontecia
Agora é artista não se mistura cá plebe
Domingo no Faustão Terça-feira na Hebe

Iate em Botafogo, apartamento em Ipanema
Uma vida de bacana se eu entrasse pro esquema
Mas eu busco na raiz e o natal que eu sempre quis
Não é um saco de dinheiro que me deixa feliz”

O concreto ja rachou
5 - Sexo e Karatê
sexo_e_karate.mp3
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Sexo e Karatê
Música: André X / Letra: André X e Jander Bilaphra
Letra

Sexo e karate na minha TV
me deixa tao doente que liguei pra voce
e atendeu um chinês que me falou em inglês
"que você não gosta mais de mim."

Então eu volto pra TV
pra ver sexo e karatê
Lembrei de você
Liguei para um chinês que me lembrou outra vez
"que você não gosta mais de mim."

Que você não gosta mais de mim?

Sexo e karatê, Sexo e karatê, Sexo e karatê

Sexo e karatê, não quero mais ver
um uísque sem gelo e voltei pra TV
telefonei, falei com você
Está passando na Globo sexo e karatê

Pois eu também não gosto de você!

Sexo e karatê, Sexo e karatê, Sexo e karatê

História

Sexo e karatê, uma das primeiras músicas da Plebe, tinha o tempo metade da velocidade da gravação. O clima era bem 'The Cure' na sua primeira fase e se chamava "Gritos no escuro." Mas como os amigos da banda de Brasília não hesitavam em procurar semelhanças com grupos estrangeiros, dobraram o tempo, e mudaram a letra.

Foi a única musica da Plebe com um gongo, que soa na introdução. A Fernanda Abreu, da então Blitz, gravou o "que você não gosta mais de mim" a convite do Herbert, o produtor do disco.

O concreto ja rachou
6 - Seu Jogo
seu_jogo.mp3
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Seu Jogo
Música e Letra: ---
Letra

Sua moral submerge na escuridão
Se mata um pouco a cada dia
Maioridade não é nada então
Maturidade não é covardia

Na sua indecisão você nem viu
Ninguém se importa por seu jogo
Você está em cheque e nem sentiu
E quem move as peças é você

Na batalha onde me alistei
Procuro orgasmo permanente
Mas finalmente acho que encontrei
Fugindo é que você se sente

Na sua indecisão você nem viu
Ninguém se importa por seu jogo
Você está em xeque-mate viu?
E o culpado é você

Seu sangue é híper inflamável
Uma faísca para explodir
Recolha a sua insignificância
Há tantos outros por aqui

Remédio que caiu do céu
Para curar a sua insegurança
Se entorpecendo não é vida
É a sua angústia contida
Angústia contida
Angústia contida
O anjo se mordeu, o veneno está embutido
Agora noite, vida, turma, sexo tem sentido

Na sua indecisão você nem viu
VocÊ não morreu mas está sem vida
Você está em xeque-mate, viu?
E o culpado é você
Quem move as peças é você!

História

Seu jogo foi baseado numa frase de uma carta que o André X recebeu do André Pretorius, primeiro guitarrista do Aborto Elétrico e primeiro punk de Brasília, se não do Brasil, depois de mudar do Brasil. Na carta o Pretorius escreveu "acho que finalmente acho que encontrei orgasmo permanente." Estava se referindo a heroína. Philippe completou a letra e Seu jogo virou um 'statement' contra as drogas.

Para a gravação, o Herbert sugeriu que a linha de guitarra do refrão fosse dobrada por um naipe de metais, e chamou o George Israel do Kid Abelha para fazer o arranjo. Cogitaram em chamar o Léo Gandleman, mas como era um arranjo de rock, e relativamente simples, o Jorge seguraria a onda. Philippe não gostou nem um pouco da idéia de metais na música, mais o Herbert categoricamente lhe disse para parar de se grilar com que os seus amigos de Brasília iriam achar e pensar maior. Relutantemente aceitou.

Seu jogo é um clássico da Plebe, e o seu arranjo mudou durante os anos nos shows, especialmente a parte do meio. Alguns anos depois o lançamento do Concreto, o Pretorius faleceu de overdose na Alemanha.

O concreto ja rachou
7 - Brasília
brasilia.mp3
1-o_concreto_ja_rachou-1985.jpg
Brasília
Música e Letra: Plebe Rude
Letra

Capital da esperança
Asas e eixos do Brasil
Longe do mar, da poluição
mas um fim que ninguém previu

Carros pretos nos colégios
em tráfego linear
Servidores Públicos ali
polindo chapas oficiais

Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais

As luzes iluminam
os carros só passam
A morte traz vida
e s baratas se arrastam

O concreto já rachou!
Brasília, Brasília, Brasília

Os prédios se habitam
as maquinas param
as árvores enfeitam
e a polícia controla

Os comércios só vendem
os porteiros só olham

E essas pessoas
elas não fazem nada
mas essas pessoas elas não fazem nada
Nada! Nada!

Brasília tem luz
Brasília tem carros
Brasília tem mortes
Tem até baratas

Brasília tem prédios
Brasília tem máquinas
Árvores nos eixos
a polícia montada

 

Utopia na mente de alguns
Utopia na mente de alguns

 


Utopia na mente de alguns
Utopia na mente de alguns

 

 

Brasília, Brasília...

História

Marca registrada das 'duas vozes' da Plebe, Brasília virou um clássico instantâneo, de aonde saiu o título do primeiro disco, O Concreto já Rachou. Para alguns, a música mais poderosa que a Plebe já fez. A música tinha duas linhas melódicas, com o Jander cantando coisas diferentes ao mesmo tempo que o Philippe e fazia menção aos privilégios de alguns servidores públicos com a frase "carros pretos nos colégios," um retrato forte do que movia a cidade.

A Capital Federal tinha apenas 25 anos na época em que a música foi feita e as obras públicas da cidade já mostravam sinais de fadiga, passarelas de pedestres com o azulejo caindo e viadutos com sinais de stress evidentes. Isso, para a Plebe simbolizava a decadência da utopia forjada que era Brasília, toda a corrupção que desviava dinheiro da obras públicas para Deus sabe aonde.

O Concreto já Rachou inicialmente teria 6 músicas, mas o Herbert conseguiu convencer os executivos da EMI que Brasília era fundamental ao disco, e que a Plebe merecia a exceção. Senão, teria que ficar para o Nunca Fomos tão Brasileiros, egundo disco da banda.

Marca registrada das 'duas vozes' da Plebe, Brasília virou um clássico instantâneo, de aonde saiu o título do primeiro disco, O Concreto já Rachou. Para alguns, a música mais poderosa que a Plebe já fez. A música tinha duas linhas melódicas, com o Jander cantando coisas diferentes ao mesmo tempo que o Philippe e fazia menção aos privilégios de alguns servidores públicos com a frase "carros pretos nos colégios," um retrato forte do que movia a cidade.

A Capital Federal tinha apenas 25 anos na época em que a música foi feita e as obras públicas da cidade já mostravam sinais de fadiga, passarelas de pedestres com o azulejo caindo e viadutos com sinais de stress evidentes. Isso, para a Plebe simbolizava a decadência da utopia forjada que era Brasília, toda a corrupção que desviava dinheiro da obras públicas para Deus sabe aonde.

O Concreto já Rachou inicialmente teria 6 músicas, mas o Herbert conseguiu convencer os executivos da EMI que Brasília era fundamental ao disco, e que a Plebe merecia a exceção. Senão, teria que ficar para o Nunca Fomos tão Brasileiros, egundo disco da banda.