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Letra
Se eu lhe dissesse olhe além do horizonte Conselho ou sermão, não aprendemos a lição Bravo mundo novo Se eu lhe dissesse Bravo mundo novo está nascendo Herdamos do passado velhos erros e idéias Bravo mundo novo Não pergunte então Bravo mundo novo, decadente nosso cativeiro |
História
Bravo mundo novo, uma das músicas mais sérias da Plebe, era a favorita do Renato Russo. Uma vez ele perguntou ao Philippe porque não repetiam a parte do meio, que aparecia uma vez, que ele achava tão legal. Philippe respondeu justamente porque era a parte que as pessoas mais gostavam. Alex Antunes, crítico paulista, também a achava uma das melhores músicas da Plebe. É um belo exemplo do trabalho de duas vozes contrastantes, o agudo do Philippe com o grave do Jander. Quando foi gravado, o Herbert sugeriu que aproveitassem a orquestra de 22 pessoas que gravaria A Ida, sob regência do Jaques Morelembaum, o mesmo cellista de Até Quando. O Jaques então apareceu com a orquestração praticamente dobrando a guitarra do Philippe, que adicionou uma dramaticidade à música e a transformou em umas das mais requisitadas entre àquelas que não tiveram tanta execução de rádio. Apesar da semelhança com a obra de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, o livro não chegou a influênciar na letra. A EMI chegou a cogitar que fosse uma música de trabalho, mas não sabiam como trabalhar uma música considerada, pela empresa, tão diferente. Realmente a Plebe não se encaixava nos moldes brasileiros de 'parada de sucessos.' Nunca apareceram no programa Globo de Ouro, nunca tiveram uma música em novela e não eram incluídos em coletâneas de sucesso. Não por escolha da banda, que até apreciaria a exposição, mas pelos moldes do mercado. Pela segunda vez na história da música brasileira, Ernest Hemmingway é citado numa canção. Raul Seixas tinha uma música chamada "Por Quem os Sinos Dobram". |
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Letra
Eu decido o seu futuro Estou rindo de você Artigo 93 O que você faz escondido diverte, me faz rir Estou rindo de você Faça o que você bem entender Você acha que é livre para agir como quer? Estou rindo de você Artigo 93 Se eu largar a tua mão você vai se perder Estou rindo de você O seu direito é me obedecer |
História
Uma das músicas mais poderosas da Plebe, Códigos tem a cara de uma banda vivendo perto do poder. Philippe abriu o Código Penal e escolheu três artigos alheatóriamente, mas retórica é retórica e as frases adicionaram ainda mais dramaticidade a música. Tão importante para repertório da banda, Códigos foi incluída na colêtanea de melhores sucessos lançado em outubro de 1998, na série Preferência Nacional, da EMI. |
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Letra
Tomei uma coca Cale a boca e consuma Comprei de tudo Cale a boca e consuma Consumidor Cale a boca e consuma |
História
Uma das primeiras músicas feitas depois da entrada do Jander em 82, Consumo é o mais 'rock na veia' que a Plebe já chegou. Mais uma vez, a Plebe pôde contar com a presença da Fernanda Abreu da Blitz, desta vez acompanhada de sua companheira de banda, a Marcia, que ajudaram com o backing vocal sarcástico (no primeiro disco da banda, a Fernanda gravou em Sexo e karatê). O André se inspirou numa frase de um poster dos Dead Kennedys, que era uma imensa colagem. Entre os recortes, aparecia a frase "Shut Up and Buy". |
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Letra
Quem tem a razão? Esclarece por favor Justiça é tão bela Eu só sei... adeus Quem escutar então? Esclarece por favor Uma crença ajudaria Eu só sei... adeus Aceitar ou não? Esclarece por favor |
História
Ao contrário da crença popular, A Ida não tem nada a ver com a ópera Aida. Esta música foi feita para um amigo do Philippe, Alexei Farias, que foi atropelado por um barco na Barra da Tijuca, no Rio, acidente que lhe causou a morte. Estudante de oceonografia numa faculdade carioca, ele estava mergulhando dentro da faixa de segurança imposta pela guarda costeira. Um barco em alta velocidade a menos de cem metros da praia, o atropelou. Um amigo que estava com ele conseguiu puxar o Alexei até a praia, mas ele não sobreviveu aos ferimentos. Esta música foi um parto para o Philippe, que não estava se acostumando com a vida no Rio. Ele não estava se adaptando à cidade e se sentia muito sozinho. Tinha a idéia básica da música por mêses, mas não conseguia expressar o seu pesar pela primeira pessoa próximo a ele que faleceu, três anos antes. No encarte duplo do disco, a letra de A Ida é dedicada ao Alexei. Num show em Nitéroi, no estado do Rio, a irmã do Alexei foi ao show e a música foi dedicada à sua família. Violão, tambores, e uma orchestra de 22 pessoas. É a favorita de muitos críticos. Um critico paulista chegou a confidenciar à banda que ele achou a música uma das mais bonitas que tinha ouvido em toda sua vida. Durante a gravação das cordas, o Herbert e o Philippe se enfiaram no canto da sala imensa do estúdio 1 da EMI e ouviram a orquestra com lágrimas no olhos. A Ida virou música de trabalho e teve dois clips gravados, sendo um para o Fantastico. Até hoje é uma das mais requisitadas em shows. |
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Letra
Sou brasileiro, vocês dizem que sim Nasci aqui, mas não só eu Pensam que é um paraíso Do que adianta vocês viverem assim? Nasci aqui, mas não só eu Não temos identidade própria Pra que tudo isso na região tupiniquim? |
História
O título da música, que também deu nome ao segundo disco, foi inspirado na obra Nunca Fomos tão Felizes, de Nelson Rodrigues. Com uma introdução de bateria poderosa, Nunca Fomos era um hit certo nos shows. A música começou a tocar tanto, que a banda resolveu gravar uma versão melhor, chamado Nunca Fomos II, a Missão (brincadeira em cima de Proteção II, versão do primeiro disco da Plebe, inspirado na sequência do filme Rambo: Rambo II, a missão). Para também evitar um 'remix' mal feito (prática comum na época, feito a revelia da banda), re-gravaram a canção, mas com a introdução em 'fade in,' onde o volume demora para entrar. Os Plebeus gravaram o Chacrinha com ela e o velho guerreiro não soube o que fazer com os quase 15 segundos de 'fade in' enquanto a Plebe entrava para o programa. Inspirado no guitarrista Yngwie Malsteem, Philippe solou mais rápido do que jamais solou, mas felizmente voltou a se concentrar nas guitarras base. |
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Letra
Muitas coisas eu poderia fazer Há vemelhos que viram tão pretos Muitas coisas eu poderia fazer Por trás desta letra não há sentido algum Entendeu o que quero dizer? (Não) |
História
Única música no tempo 3/4 da Plebe (com a exeção de Traço que separa, do Plebe Rude III), Nada foi uma das canções mais ímpares da banda. Na verdade Nada era uma música diferente, com a mesma letra, de quatro acordes e uma levada bem punk, que a banda tocava em 1981 antes da entrada do Jander. O Gutje e o André X dividiam vocais, e Philippe com apenas 14 anos, ainda não cantava. Todo o resto era cantado pelo Gutje, mas conseguir um bom som de voz de trás da bateria começou a virar um transtorno. O som sempre era de péssima qualidade, e o então trio tinha que tocar no volume máximo. Convidaram o Jander para cantar em 1982. Anos depois, o André apareceu com a letra de novo e a banda, no estúdio II da EMI, fez a música praticamente num dia. O grupo de Brasília Finis Africae, recém contradado da EMI, estava presente neste ensaio, assim como o falecido Feijão, fenomenal guitarrista da então Escola de Escândalos. Renato Luiz, técnico de gravação, que ficava no comando quando o Herbert não aparecia, sugeriu o uso de castanholas para a parte do meio. Nessa época, Gutje e Philippe começaram se interessar por produção. O baterista da Plebe produziu o disco da banda brasiliense Arte no Escuro com Mayrton Bahia, produtor dos discos da Legião e o Philippe produziu uma demo da Escola de Escândalos, também de Brasília, mas que foi recusada pela EMI. O Philippe se desentendeu com o diretor artístico da EMI, que defendia a contratação do Arte no Escuro, certamente mais uma coisa que não ajudou a relação da Plebe com a gravadora. |
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Letra
Unidade repressora oficial A censura, a censura Hora pra dormir Unidade repressora oficial A censura, a censura Contra a nossa arte está a censura Unidade repressora oficial A censura, a censura Nada para ouvir, nada para ler Unidade repressora oficial |
História
A censura não era uma novidade para a Plebe. Na época da ditadura, toda música tinha quer ter permissão da Polícia Federal para ser apresentada ao vivo. Duas cópias de cada música tinham que ser enviadas ao Departamento de Censura Federal, que as vezes demorava meses para aprovação. Mas é claro que a Plebe não mandava as letras mais subversivas. No verão de 83, Philippe passou um mês nos Estados Unidos com os seus irmãos, para ver se ele gostaria de se mudar para lá depois de se formar do segundo grau. Por causa disso, a Plebe perdeu a oportunidade de tocar no Rio pela primeira vez, junto com a Legião. Em Washington D.C., no porão da casa do seu irmão mais velho Alex, que tocava bateria, gravaram uma demo instrumental de uma música que o Philippe estava trabalhando, que viraria Censura. O André Pretorius, o primeiro punk de Brasília, guitarrista do Aborto Elétrico, na época morando em Washington, também tinha um quarto na casa e o porão era o seu estúdio. O Philippe e o seu irmão usaram o seu equipamento, mas não colocaram vocal. Foi o irmão do Philippe que apareceu com a ideia dos tambores nas partes de "unidade repressora oficial". Philippe nasceu em Washington e se mudou para o Brasil com 9 anos de idade, e foi a primeira vez desde que saiu, que voltou a América. Ele não gostou muito dos EUA, estava com 16 anos e não conseguia se ver morando lá. E ele tinha a banda. Na volta, quando o avião fez escala no Rio, ele leu num jornal carioca uma entrevista com Nelson Motta ou o Caetano Veloso, que falou "ninguém censura a censura." Num outro caderno do mesmo jornal tinha uma materia sobre a polícia, que tinha subido um morro no dia anterior. Era chamada de unidade repressora oficial. Poucas pessoas perceberam a menção do falecido ator Jardel Filho, "Jardel com travesti, censor com bisturi," que na época participava de um cena erótica com um travesti no filme Rio Babilônia, de Neville D'Almeida. O filme foi censurado e a cena teve que ser cortada, causando muita polêmica e a ameaça da volta da censura ao país. Anos depois, o Philippe conheceu o polêmico diretor no festival de Gramado, na epoca em que fazia trilha sonora para Cinema. Censura foi a próxima música de trabalho depois de A Ida. Foi sucesso e por muito pouco não levou o Nunca fomos a disco de Ouro também. Mas, como era de se esperar, a música foi censurada. Ironicamente, num bom sinal que a abertura democrática estava acontecendo, não foi o tema da música que chamou a atenção dos censores, foi a palavra 'porra.' A banda não chegou a se assustar com isso, até tiveram mais exposição na imprensa. Logo foi liberada para execução e até tocaram a música várias vezes no Chacrinha, aonde uma vez o Jander passou uma rasteira no Russo, o 'curinga' do Abelardo 'Chacrinha' Barbosa e o Philippe foi até o mesa de jurados e beijou a mão da Luiza Brunet, lhe confessando que era seu maior fã. Em noites de show mais descontraídos, o Jander as vezes cantava 'a fisura, única vontade que ninguém segura.' O André cantou o refrão errado durante anos sem saber, inserindo 'identidade' no lugar de 'entidade.' |
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Letra
Não tema! Não, não! Não tenha medo de se divertir Não tema! Não, não! Não tema! Não, não! |
História
Talvez a música mais alegre da Plebe, é uma das primeiras também, e de longe, a canção mais otimista da banda. No começo se chamava "Não Tenha Medo de Se Divertir". A parte do meio tinha um riff de guitarra propositalmente desafinado, mas que estava incomodando demais o Herbert. Ele exigiu que fosse tirado, mas o Philippe falou "eventualmente você acostuma". O Herbert respondeu "até com o cheiro de merda da para acostumar..." enquanto que a apagava. Atenção para o trompete desafinado na última nota da música. |
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Letra
Cinco dias pra trabalhar Tantas coisas pra fazer (Libera as férias aí patrão! Meu patrão é um sacana Tantos lugares que eu quero ir |
História
Desde sua composição em 1982, a parte do meio da música sempre foi uma festa. Na gravação, Gutje tocou percussão eletrônica com sons de cuíca e agogô e gritou "Cadê minhas nêgas?!?" O Jander adicionou um "Libera as férias aí patrão!" e um "ah, ah" ritmado, o no final, Philippe solta um berro quilométrico aonde o Gutje detona os tambores como ninguém. |
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Letra
Bem vindo micro, não sei pra que te apresentar Baixa, baixa, baixa o nível um pouco mais Eu quero ser um técnico O seu futuro já chegou! Vem brincar com o novo brinquedo Baixa, baixa, baixa o nível um pouco mais Na primeira revolução industrial Se voce quiser trabalhar |
História
Uma das músicas mais alegres da banda, Nova Era Techno foi construída em torno da frase do André X "na segunda revolução industrial, a maquina substituiu o trabalho mental." Previa um futuro sombrio, dominado pela informática, que acabou não sendo tão sombrio assim. A música veio de uma idéia do Philippe, em 1984, para um jingle de uma rede de supermercados, a Planalto, de Brasília. Mas o dono da agência de propaganda foi categórico, "esta música é muito punk!" Tão rápido quanto a carreira de 'jingle-maker' começou, terminou na mesma hora. Durante a excursão Nunca Fomos tão Brasileiros, foi a música que abria o show e é um hit favorito dos fãs. Mas, por incrível que pareça, a parte do "Baixa, baixa, baixa" foi inspirado na música "Extra," do Gilberto Gil. A idéia do André X sempre foi de ter um naipe de metais dobrando o baixo, dando um suingue à música. Fato nunca concretizado. |
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Letra
No olho do furacão esta calma Não tente explicar a tempestade De cima do altar é estranho Você sabe que não estou aqui para converter Se você falar mentiras sobre a gente É! Não olhe para mim É! Não me acuse! Não vou rezar pra infiéis Olhe em volta, veja os danos feito pelo vento Não tente explicar a tempestade Se você quiser entender olhe em volta Você sabe que não estou aqui para converter Se você falar mentiras sobre a gente |
História
Desde a época que Minha Renda foi composta, a Plebe tinha uma música com o refrão completo de "se você falar mentiras sobre a gente, falamos a verdade sobre você." O resto da canção era completamente diferente. Ninguém da banda lembra como era, e a idéia ficou arquivada por 4 anos. A EMI estava pressionando a banda a gravar o segundo disco, e num final de tarde chuvoso, daquela chuva torrencial que inunda todo o Rio, Philippe estava na casa do André. Só que a chuva não parava nunca e Philippe teve que passar a noite por lá. Inspirados no filme Rude Boy, do Clash, que assistiram em vídeo, traçaram a música, um desabafo sobre toda a pressão que estavam passando com a exposição, do sentimento estranho de estar no olho público e das críticas que começavam a ser não tão positivas como antes. Com uma audição mais atenciosa da para perceber que a frase "vejo muitos sorrisos, e um é falso," é seguido de um membro não idêntificado da banda falando "o horror" (1m17s dentro da faixa em CD). Depois de homenagear o Herbert no primeiro disco, em Minha Renda, agora seria a vez do crítico paulista, Alex Antunes. Nos primeiros shows da banda em São Paulo, dois anos antes de gravar o primeiro disco, as vezes a Plebe dividia o palco com a sua banda, o Número 2, na qual cantava. Eles tinham uma música que citava o filme Apocalypse Now (Apocalipse) aonde o Alex narrava "o horror." Sempre que a banda o encontrava, ou se referia a ele, eles sorriam e o imitavam, falando "O horror." O Antunes vivia dizendo que adorava a Plebe, que Bravo Mundo Novo era uma das melhores músicas do rock brasileiro, que coincidentamente está no mesmo disco. É uma piada pessoal que a banda, até hoje, não sabe se ele pegou. Mentiras por Enquanto não tinha título até a hora da mixagem. A banda a chamava de 'Mentiras,' mas o Finis Africae já tinha uma música com esse nome. O Renato Luiz, técnico de gravação perguntava sempre, "Afinal, qual é o nome desta música?" A banda respondia, é "Mentiras, por enquanto". E assim ficou. Foi a última faixa do disco Nunca fomos tão Brasileiros. |
