Plebe Rude

Plebe Rude :: Para Sempre
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Nunca fomos tão Brasileiros
1 - Bravo Mundo Novo
bravo_mundo_novo.mp3
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Bravo Mundo Novo
Música: Philippe Seabra / Letra: Philippe Seabra e André X
Letra

Se eu lhe dissesse olhe além do horizonte
será que você olharia?
Bravo mundo novo está nascendo
pelo visto vai te surpreender um dia

Conselho ou sermão, não aprendemos a lição
de que com insistência ou não
nos protegemos e lutamos contra o que?

Bravo mundo novo

Se eu lhe dissesse
as coisas não são como parecem
será que você escutaria?

Bravo mundo novo está nascendo
pelo visto vai te surpreender um dia

Herdamos do passado velhos erros e idéias
que só servem de exemplo para os demais
que já há muito tempo

Bravo mundo novo

Não pergunte então
se os sinos dobrarão
se dobrarem não será por você

Bravo mundo novo, decadente nosso cativeiro
mas se tão jovem mais parece que já há muito tempo.

História

Bravo mundo novo, uma das músicas mais sérias da Plebe, era a favorita do Renato Russo. Uma vez ele perguntou ao Philippe porque não repetiam a parte do meio, que aparecia uma vez, que ele achava tão legal. Philippe respondeu justamente porque era a parte que as pessoas mais gostavam. Alex Antunes, crítico paulista, também a achava uma das melhores músicas da Plebe. É um belo exemplo do trabalho de duas vozes contrastantes, o agudo do Philippe com o grave do Jander.

Quando foi gravado, o Herbert sugeriu que aproveitassem a orquestra de 22 pessoas que gravaria A Ida, sob regência do Jaques Morelembaum, o mesmo cellista de Até Quando. O Jaques então apareceu com a orquestração praticamente dobrando a guitarra do Philippe, que adicionou uma dramaticidade à música e a transformou em umas das mais requisitadas entre àquelas que não tiveram tanta execução de rádio. Apesar da semelhança com a obra de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, o livro não chegou a influênciar na letra.

A EMI chegou a cogitar que fosse uma música de trabalho, mas não sabiam como trabalhar uma música considerada, pela empresa, tão diferente. Realmente a Plebe não se encaixava nos moldes brasileiros de 'parada de sucessos.' Nunca apareceram no programa Globo de Ouro, nunca tiveram uma música em novela e não eram incluídos em coletâneas de sucesso. Não por escolha da banda, que até apreciaria a exposição, mas pelos moldes do mercado.

Pela segunda vez na história da música brasileira, Ernest Hemmingway é citado numa canção. Raul Seixas tinha uma música chamada "Por Quem os Sinos Dobram".

Nunca fomos tão Brasileiros
10 - Códigos
codigos.mp3
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Códigos
Música: Philippe Seabra / Letra: Philippe Seabra e André X
Letra

Eu decido o seu futuro
eu e os meus fuzis
minhas normas determinam
seus direitos civis

Estou rindo de você
Estou rindo de você
o seu direito me obedecer

Artigo 93
Regra geral emando de autoridade competente
Artigo 96
Normas se distinguem em regras congentes ou de ordem pública
Artigo 156
Sua classificação tendo em vista a sua força obrigatória

O que você faz escondido diverte, me faz rir
você pode me subestimar, mas vou te punir

Estou rindo de você
Estou rindo de você
você não é ameaça para mim

Faça o que você bem entender
mas esteja a par do que vai acontecer
depois acerto as contas com você

Você acha que é livre para agir como quer?
Mas o seu futuro foi traçado antes de nascer

Estou rindo de você
Estou rindo de você
Aqui está escrito como podes ver

Artigo 93
Regra geral emando de autoridade competente
Artigo 96
Normas se distinguem em regras congentes ou de ordem pública
Artigo 156
Sua classificação tendo em vista a sua força obrigatória

Se eu largar a tua mão você vai se perder
eu já estou até aqui de corrigir você

Estou rindo de você
com pena de você
E rindo de você

O seu direito é me obedecer

História

Uma das músicas mais poderosas da Plebe, Códigos tem a cara de uma banda vivendo perto do poder. Philippe abriu o Código Penal e escolheu três artigos alheatóriamente, mas retórica é retórica e as frases adicionaram ainda mais dramaticidade a música.

Tão importante para repertório da banda, Códigos foi incluída na colêtanea de melhores sucessos lançado em outubro de 1998, na série Preferência Nacional, da EMI.

Nunca fomos tão Brasileiros
9 - Consumo
consumo.mp3
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Consumo
Música: Philippe Seabra / Letra: André X
Letra

Tomei uma coca
cadê o sorriso?
Gastei dinheiro
e fiquei liso

Cale a boca e consuma
Cale a boca e consuma
você não tem o direito de dúvidar

Comprei de tudo
a prestação
o SPC
é o meu caixão

Cale a boca e consuma
Cale a boca e consuma
você não tem o direito de dúvidar

Consumidor
que não reclama
paga filé come banana

Cale a boca e consuma
Cale a boca e consuma
você não tem o direito de dúvidar

História

Uma das primeiras músicas feitas depois da entrada do Jander em 82, Consumo é o mais 'rock na veia' que a Plebe já chegou. Mais uma vez, a Plebe pôde contar com a presença da Fernanda Abreu da Blitz, desta vez acompanhada de sua companheira de banda, a Marcia, que ajudaram com o backing vocal sarcástico (no primeiro disco da banda, a Fernanda gravou em Sexo e karatê).

O André se inspirou numa frase de um poster dos Dead Kennedys, que era uma imensa colagem. Entre os recortes, aparecia a frase "Shut Up and Buy".

Nunca fomos tão Brasileiros
8 - A Ida
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A Ida
Música e Letra: Philippe Seabra
Letra

Quem tem a razão?
um burocrata ou um padre com o envangelho em mãos
Um momento instante então
palavras não justificam a ida em vão

Esclarece por favor
o que é tão temido só acontece com os outros
O que você faria?

Justiça é tão bela
se funcionasse só uma vez
a lei não ressuscita
burocratriza o que eu já sei

Eu só sei... adeus

Quem escutar então?
Delegado ou jurista, relatório em mãos
ou um padre e seu sermão
um toque divino não é explicação

Esclarece por favor
o que é tão temido só acontece com os outros
me mostre então, a ida sem razão

Uma crença ajudaria
se amenizasse só uma vez
se ter fé for a saída
quem sempre teve foi embora de vez

Eu só sei... adeus

Aceitar ou não?
Crença nenhuma justifica a ida em vão
sua papelada então?
Do que adianta tantas folhas sem conclusão

Esclarece por favor
o que é tão temido só acontece com os outros
me mostre então, a ida sem razão

História

Ao contrário da crença popular, A Ida não tem nada a ver com a ópera Aida. Esta música foi feita para um amigo do Philippe, Alexei Farias, que foi atropelado por um barco na Barra da Tijuca, no Rio, acidente que lhe causou a morte. Estudante de oceonografia numa faculdade carioca, ele estava mergulhando dentro da faixa de segurança imposta pela guarda costeira. Um barco em alta velocidade a menos de cem metros da praia, o atropelou. Um amigo que estava com ele conseguiu puxar o Alexei até a praia, mas ele não sobreviveu aos ferimentos.

Esta música foi um parto para o Philippe, que não estava se acostumando com a vida no Rio. Ele não estava se adaptando à cidade e se sentia muito sozinho. Tinha a idéia básica da música por mêses, mas não conseguia expressar o seu pesar pela primeira pessoa próximo a ele que faleceu, três anos antes.

No encarte duplo do disco, a letra de A Ida é dedicada ao Alexei. Num show em Nitéroi, no estado do Rio, a irmã do Alexei foi ao show e a música foi dedicada à sua família.

Violão, tambores, e uma orchestra de 22 pessoas. É a favorita de muitos críticos. Um critico paulista chegou a confidenciar à banda que ele achou a música uma das mais bonitas que tinha ouvido em toda sua vida. Durante a gravação das cordas, o Herbert e o Philippe se enfiaram no canto da sala imensa do estúdio 1 da EMI e ouviram a orquestra com lágrimas no olhos.

A Ida virou música de trabalho e teve dois clips gravados, sendo um para o Fantastico. Até hoje é uma das mais requisitadas em shows.

Nunca fomos tão Brasileiros
7 - Nunca Fomos Tão Brasileiros
nunca_fomos_tao_brasileiros.mp3
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Nunca Fomos Tão Brasileiros 
Música e letra: Plebe Rude
Letra

Sou brasileiro, vocês dizem que sim
mas importações não deixam ser assim
Pra que tudo isso na região tupiniquim?

Nasci aqui, mas não só eu
você está neste barco também (também)

Pensam que é um paraíso
parece que eles vivem aqui
Nunca fomos tão brasileiros

Do que adianta vocês viverem assim?
Ser prisioneiros dentro do seu próprio jardim
Pra que tudo isso na região tupiniquim?

Nasci aqui, mas não só eu
você está neste barco também (também)

Não temos identidade própria
copiamos tudo em nossa volta
Nunca fomos tão brasileiros

Pra que tudo isso na região tupiniquim?
Eu não sei, eu não sei

História

O título da música, que também deu nome ao segundo disco, foi inspirado na obra Nunca Fomos tão Felizes, de Nelson Rodrigues.

Com uma introdução de bateria poderosa, Nunca Fomos era um hit certo nos shows. A música começou a tocar tanto, que a banda resolveu gravar uma versão melhor, chamado Nunca Fomos II, a Missão (brincadeira em cima de Proteção II, versão do primeiro disco da Plebe, inspirado na sequência do filme Rambo: Rambo II, a missão). Para também evitar um 'remix' mal feito (prática comum na época, feito a revelia da banda), re-gravaram a canção, mas com a introdução em 'fade in,' onde o volume demora para entrar. Os Plebeus gravaram o Chacrinha com ela e o velho guerreiro não soube o que fazer com os quase 15 segundos de 'fade in' enquanto a Plebe entrava para o programa.

Inspirado no guitarrista Yngwie Malsteem, Philippe solou mais rápido do que jamais solou, mas felizmente voltou a se concentrar nas guitarras base.

Nunca fomos tão Brasileiros
6 - Nada
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Nada
Música: Plebe Rude / Letra: André X
Letra

Muitas coisas eu poderia fazer
Muitas coisas eu poderia dizer
Não estou tentando ser irônico
Não estou tentando ser cinico

Há vemelhos que viram tão pretos
há esquerdos que viram direitos
há pessoas tentando dizer
o que eu devo fazer

Muitas coisas eu poderia fazer
Muitas coisas eu poderia dizer
Não estou tentando ser irônico
Não estou tentando ser cinico

Por trás desta letra não há sentido algum
entre estas linhas não há mensagem algum

Entendeu o que quero dizer? (Não)
Entendeu o que quero fazer? (Sim)
Se entendeu não entendeu nada
porque eu não estou dizendo nada

História

Única música no tempo 3/4 da Plebe (com a exeção de Traço que separa, do Plebe Rude III), Nada foi uma das canções mais ímpares da banda. Na verdade Nada era uma música diferente, com a mesma letra, de quatro acordes e uma levada bem punk, que a banda tocava em 1981 antes da entrada do Jander. O Gutje e o André X dividiam vocais, e Philippe com apenas 14 anos, ainda não cantava. Todo o resto era cantado pelo Gutje, mas conseguir um bom som de voz de trás da bateria começou a virar um transtorno. O som sempre era de péssima qualidade, e o então trio tinha que tocar no volume máximo. Convidaram o Jander para cantar em 1982.

Anos depois, o André apareceu com a letra de novo e a banda, no estúdio II da EMI, fez a música praticamente num dia. O grupo de Brasília Finis Africae, recém contradado da EMI, estava presente neste ensaio, assim como o falecido Feijão, fenomenal guitarrista da então Escola de Escândalos.

Renato Luiz, técnico de gravação, que ficava no comando quando o Herbert não aparecia, sugeriu o uso de castanholas para a parte do meio.

Nessa época, Gutje e Philippe começaram se interessar por produção. O baterista da Plebe produziu o disco da banda brasiliense Arte no Escuro com Mayrton Bahia, produtor dos discos da Legião e o Philippe produziu uma demo da Escola de Escândalos, também de Brasília, mas que foi recusada pela EMI. O Philippe se desentendeu com o diretor artístico da EMI, que defendia a contratação do Arte no Escuro, certamente mais uma coisa que não ajudou a relação da Plebe com a gravadora.

Nunca fomos tão Brasileiros
5 - Censura
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Censura
Música: Philippe Seabra / Letra: Philippe Seabra e André X
Letra

Unidade repressora oficial

A censura, a censura
unica entidade que ninguém censura

Hora pra dormir
hora pra pensar
Porra meu papai
deixa me falar

Unidade repressora oficial

A censura, a censura
unica entidade que ninguém censura

Contra a nossa arte está a censura
abaixo a postura, viva a ditadura
Jardel com travesti, censor com bisturi
corta toda música que você não vao ouvir

Unidade repressora oficial

A censura, a censura
unica entidade que ninguém censura

Nada para ouvir, nada para ler
nada para mim, nada pra você
nada no cinema, nada na TV
nada para mim, nada pra você

Unidade repressora oficial
Unidade repressora oficial

História

A censura não era uma novidade para a Plebe. Na época da ditadura, toda música tinha quer ter permissão da Polícia Federal para ser apresentada ao vivo. Duas cópias de cada música tinham que ser enviadas ao Departamento de Censura Federal, que as vezes demorava meses para aprovação. Mas é claro que a Plebe não mandava as letras mais subversivas.

No verão de 83, Philippe passou um mês nos Estados Unidos com os seus irmãos, para ver se ele gostaria de se mudar para lá depois de se formar do segundo grau. Por causa disso, a Plebe perdeu a oportunidade de tocar no Rio pela primeira vez, junto com a Legião. Em Washington D.C., no porão da casa do seu irmão mais velho Alex, que tocava bateria, gravaram uma demo instrumental de uma música que o Philippe estava trabalhando, que viraria Censura. O André Pretorius, o primeiro punk de Brasília, guitarrista do Aborto Elétrico, na época morando em Washington, também tinha um quarto na casa e o porão era o seu estúdio. O Philippe e o seu irmão usaram o seu equipamento, mas não colocaram vocal. Foi o irmão do Philippe que apareceu com a ideia dos tambores nas partes de "unidade repressora oficial".

Philippe nasceu em Washington e se mudou para o Brasil com 9 anos de idade, e foi a primeira vez desde que saiu, que voltou a América. Ele não gostou muito dos EUA, estava com 16 anos e não conseguia se ver morando lá. E ele tinha a banda. Na volta, quando o avião fez escala no Rio, ele leu num jornal carioca uma entrevista com Nelson Motta ou o Caetano Veloso, que falou "ninguém censura a censura." Num outro caderno do mesmo jornal tinha uma materia sobre a polícia, que tinha subido um morro no dia anterior. Era chamada de unidade repressora oficial.

Poucas pessoas perceberam a menção do falecido ator Jardel Filho, "Jardel com travesti, censor com bisturi," que na época participava de um cena erótica com um travesti no filme Rio Babilônia, de Neville D'Almeida. O filme foi censurado e a cena teve que ser cortada, causando muita polêmica e a ameaça da volta da censura ao país. Anos depois, o Philippe conheceu o polêmico diretor no festival de Gramado, na epoca em que fazia trilha sonora para Cinema.

Censura foi a próxima música de trabalho depois de A Ida. Foi sucesso e por muito pouco não levou o Nunca fomos a disco de Ouro também. Mas, como era de se esperar, a música foi censurada. Ironicamente, num bom sinal que a abertura democrática estava acontecendo, não foi o tema da música que chamou a atenção dos censores, foi a palavra 'porra.' A banda não chegou a se assustar com isso, até tiveram mais exposição na imprensa. Logo foi liberada para execução e até tocaram a música várias vezes no Chacrinha, aonde uma vez o Jander passou uma rasteira no Russo, o 'curinga' do Abelardo 'Chacrinha' Barbosa e o Philippe foi até o mesa de jurados e beijou a mão da Luiza Brunet, lhe confessando que era seu maior fã.

Em noites de show mais descontraídos, o Jander as vezes cantava 'a fisura, única vontade que ninguém segura.' O André cantou o refrão errado durante anos sem saber, inserindo 'identidade' no lugar de 'entidade.'

Nunca fomos tão Brasileiros
4 - Não Tema
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Não Tema
Música e Letra: Plebe Rude
Letra

Não tema! Não, não!

Não tenha medo de se divertir
Não tenha medo de falar e sorrir
Não tenha medo de pular e dançar
Não tenha medo de se apaixonar

Não tema! Não, não!
Não tenha medo de se divertir
Não fique em casa vendo o Fantástico
Saia pra rua, você tem que sair
ou você vai virar um fanático

Não tema! Não, não!

História

Talvez a música mais alegre da Plebe, é uma das primeiras também, e de longe, a canção mais otimista da banda. No começo se chamava "Não Tenha Medo de Se Divertir".

A parte do meio tinha um riff de guitarra propositalmente desafinado, mas que estava incomodando demais o Herbert. Ele exigiu que fosse tirado, mas o Philippe falou "eventualmente você acostuma". O Herbert respondeu "até com o cheiro de merda da para acostumar..." enquanto que a apagava.

Atenção para o trompete desafinado na última nota da música.

Nunca fomos tão Brasileiros
3 - 48
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48
Música e Letra: Plebe Rude
Letra

Cinco dias pra trabalhar
só dois dias pra descansar
48 horas não chega, chega, chega, chega

Tantas coisas pra fazer
tantas pessoas pra conhecer
48 horas não chega, chega, chega, chega

(Libera as férias aí patrão!
Cadê minhas nêgas?)

Meu patrão é um sacana
me faz trabalhar até fim de semana
48 horas não chega, chega, chega,chega

Tantos lugares que eu quero ir
só dois dias pra me divertir
48 horas não chega, chega, chega, chega

História

Desde sua composição em 1982, a parte do meio da música sempre foi uma festa. Na gravação, Gutje tocou percussão eletrônica com sons de cuíca e agogô e gritou "Cadê minhas nêgas?!?" O Jander adicionou um "Libera as férias aí patrão!" e um "ah, ah" ritmado, o no final, Philippe solta um berro quilométrico aonde o Gutje detona os tambores como ninguém.

Nunca fomos tão Brasileiros
2 - Nova Era Tecno
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Nova Era Tecno
Música e Letra: Plebe Rude
Letra

Bem vindo micro, não sei pra que te apresentar
ele fará tudo por você, no seu lugar

Baixa, baixa, baixa o nível um pouco mais
Nova era techno te deixou pra trás

Eu quero ser um técnico
apertar botões no meu robô
informações ao meu dispor

O seu futuro já chegou!

Vem brincar com o novo brinquedo
antes que ele acabe por querer brincar com você

Baixa, baixa, baixa o nível um pouco mais
Nova era techno te deixou pra trás

Na primeira revolução industrial
a maquina substituiu o trabalho braçal
Na segunda revolução industrial
a maquina substituiu o trabalho mental

Se voce quiser trabalhar
você vai ter esperar na sua casa

História

Uma das músicas mais alegres da banda, Nova Era Techno foi construída em torno da frase do André X "na segunda revolução industrial, a maquina substituiu o trabalho mental." Previa um futuro sombrio, dominado pela informática, que acabou não sendo tão sombrio assim.

A música veio de uma idéia do Philippe, em 1984, para um jingle de uma rede de supermercados, a Planalto, de Brasília. Mas o dono da agência de propaganda foi categórico, "esta música é muito punk!" Tão rápido quanto a carreira de 'jingle-maker' começou, terminou na mesma hora.

Durante a excursão Nunca Fomos tão Brasileiros, foi a música que abria o show e é um hit favorito dos fãs. Mas, por incrível que pareça, a parte do "Baixa, baixa, baixa" foi inspirado na música "Extra," do Gilberto Gil.

A idéia do André X sempre foi de ter um naipe de metais dobrando o baixo, dando um suingue à música. Fato nunca concretizado.

Nunca fomos tão Brasileiros
11 - Mentiras Por Enquanto
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Mentiras Por Enquanto
Música e Letra: Plebe Rude
Letra

No olho do furacão esta calma
olhe em volta, veja os danos feito pelo vento

Não tente explicar a tempestade
procure abrigo ou se torne vunerável

De cima do altar é estranho
vejo muitos sorrisos, e um é falso (...o horror)

Você sabe que não estou aqui para converter
você sabe que não estou aqui pra rezar pra infiéis
se a situação se invertesse você iria entender?

Se você falar mentiras sobre a gente
falamos a verdade sobre você

É! Não olhe para mim
não quis que fosse assim
queria que a situação se invertesse para você entender
que estamos nisso até o fim

É! Não me acuse! Não vou rezar pra infiéis
Tente perceber que as coisas não são como você vê
Inverte a situação, será que você ia entender?

Olhe em volta, veja os danos feito pelo vento
Era de se esperar mais eu não estava pronto

Não tente explicar a tempestade
procure abrigo ou se torne vunerável

Se você quiser entender olhe em volta
é essa troca que faz valer a pena

Você sabe que não estou aqui para converter
você sabe que não estou aqui pra rezar pra infiéis
se a situação se invertesse você iria entender?

Se você falar mentiras sobre a gente
falamos a verdade sobre você

História

Desde a época que Minha Renda foi composta, a Plebe tinha uma música com o refrão completo de "se você falar mentiras sobre a gente, falamos a verdade sobre você." O resto da canção era completamente diferente. Ninguém da banda lembra como era, e a idéia ficou arquivada por 4 anos. A EMI estava pressionando a banda a gravar o segundo disco, e num final de tarde chuvoso, daquela chuva torrencial que inunda todo o Rio, Philippe estava na casa do André. Só que a chuva não parava nunca e Philippe teve que passar a noite por lá. Inspirados no filme Rude Boy, do Clash, que assistiram em vídeo, traçaram a música, um desabafo sobre toda a pressão que estavam passando com a exposição, do sentimento estranho de estar no olho público e das críticas que começavam a ser não tão positivas como antes.

Com uma audição mais atenciosa da para perceber que a frase "vejo muitos sorrisos, e um é falso," é seguido de um membro não idêntificado da banda falando "o horror" (1m17s dentro da faixa em CD). Depois de homenagear o Herbert no primeiro disco, em Minha Renda, agora seria a vez do crítico paulista, Alex Antunes. Nos primeiros shows da banda em São Paulo, dois anos antes de gravar o primeiro disco, as vezes a Plebe dividia o palco com a sua banda, o Número 2, na qual cantava. Eles tinham uma música que citava o filme Apocalypse Now (Apocalipse) aonde o Alex narrava "o horror." Sempre que a banda o encontrava, ou se referia a ele, eles sorriam e o imitavam, falando "O horror." O Antunes vivia dizendo que adorava a Plebe, que Bravo Mundo Novo era uma das melhores músicas do rock brasileiro, que coincidentamente está no mesmo disco. É uma piada pessoal que a banda, até hoje, não sabe se ele pegou.

Mentiras por Enquanto não tinha título até a hora da mixagem. A banda a chamava de 'Mentiras,' mas o Finis Africae já tinha uma música com esse nome. O Renato Luiz, técnico de gravação perguntava sempre, "Afinal, qual é o nome desta música?" A banda respondia, é "Mentiras, por enquanto". E assim ficou. Foi a última faixa do disco Nunca fomos tão Brasileiros.