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Letra
Um pouco além de notícias de jornal O que tens que evitar é se acustomar O poder do sim ou não O absurdo e essa indecisão É o caminho ao voto popular O poder do sim ou não |
História
Plebiscito abria o terceiro disco da banda com uma porrada logo de cara, uma temática do que era de se esperar de uma banda de Brasília: simples e honesto. Sem muita imaginação, quase todos os críticos que escreviam sobre a Plebe usavam os termos "direto à jugular" ou "metralhadora giratória," mas convenhamos, Plebiscito nao os dava muita escolha. |
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Letra
De repente distância No nordeste a terra descansa em paz Dona Terezina vira pro lado Eu procuro além dos Recifes A negligência vem mais de cima A festa da raça e da tradição Em nome do pai e do Espirito Santo De Cuiabá, Campo Grande De repente um repentista Na Amazônia, Roraima, Acre, Rondônia Pra atingir em cheio nosso coração Passo por Curitiba e Floripa De repente um repentista Vasto e cinza e olhos ardendo Aporto no Rio, fico observando O problema que é muito grande Meus brasileiros, minhas brasileiras O que eu quero é o porque do improviso É um dito popular! De repente um repentista De repente um repentista |
História
Uma das músicas mais ambiciosas, ou pretensiosas, do rock nacional, Repente é uma das mais longas também. Com mais de 6 minutos de duração, Philippe a mostrou pela primeira vez à banda num ônibus no meio de uma excursão em Minas. Numa letra imensa, que mencionava toda capital e estado brasileiro ao mesmo tempo observando as injustiças e contrastes do Brasil através dos olhos de um repentista, os plebeus teriam que passar por todos os estilos musicais e ritmos dos estados mencionados. Gutje topou o desafio. O conceito foi em cima da observação de que o brasileiro, para sobreviver, tem de improvisar. A banda já tinha tocado em quase toda capital brasileira, e inspiração para a letra não seria problema. Foi difícil gravar tantos instrumentos diferentes em 24 canais somente (O concreto ja rachou foi gravado em 16 canais) e Gutje se sobressaiu com os impressionantes arranjos de bateria e percussão. O seu nome figurou entre os melhores bateristas brasileiros na revista Bizz naquele ano. Mais uma vez, Zé Americo, que tocou o teclado de Valor, na mesma sessão de estúdio gravou safona para a parte do sul. Os Plebeus ficaram impressionados com ele, e realmente, o arranjo de sanfona no meio da canção é lindo. A Plebe tocou a música várias vezes, mas como era quilométrica, Philippe tinha que ter a letra no chão no palco a sua frente. Uma vez em Curitiba, quando a banda não estava com a música ensaiada, alguns estudantes de direito começaram a cantar o refrão música para chamar a banda de volta para o bís. O Philippe voltou ao microfone com um violão e chamou os plebeus ao palco, que cantaram a música inteira com ele, cantando partes da letra que nem ele lembrava. Poucas pessoas perceberam através da frase "o sol nascente se põe em Goiás" a menção da radiação nuclear que foi fatalmente encontrado num centro urbano em Goiás na época, causando muita discriminação contra produtos Goiânos e reacendendo a polêmica sobre o programa nuclear brasileiro. Pouco tempo depois, o Governo apareceu com a constrangedora campanha de TV Nacional, "Eu amo Goiânia." Atenção para o 'riff' de guitarra da música Brasília, do Concreto Já Rachou, que rola por trás da parte que passa pelo Distrito Federal. No final da parte, a guitarra começa a falhar a lá Gang of Four, propositalmente. Mas como era de se esperar, ninguém entendeu Repente, e com a música Valor também no repertório, tinha pessoas dizendo que o grupo tinha virado um grupo de baião. Por causa do tamanho da letra e da diversificação de estilos, comparações com Faroeste Caboclo foram inevitáveis. O Renato Russo confidenciou ao Philippe que apesar de ser fã número 1 da banda, não gostou da música. Anos depois, Daniela Mercury gravou uma música que passava pelo Brasil inteiro e grupos de rock com um sotaque regional apareciam mais na mídia. A Plebe sem dúvida esteve à frente do seu tempo. O jornalista Arthur Dapieve chamou Repente de "um inteligente passeio póli-rítmico pelo Brasil," mas só quem era plebeu gostou. |
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Letra
Era meio dia Mesmo no Jóquei enchi o tanque Eu estava no alto da serra Era segunda feirado (Sol, só amanha...) |
História
Com Jander no violão de dez cordas e Jaques Morelenbaum (o mesmo cellista da famosa introdução de Até Quando e do arranjo para 22 duas cordas de A ida), no cello somente, 2a feriado é provávelmente a música mais experimental jamais feito por uma banda da década de 80. Bem no clima rabeca de Xangai e Elomar, o Jander apareceu com uma musica para viola e cello, sabendo que o Jaques poderia toca-lá. Afinal o cellista já tocou com o Xangai e o Elomar nesse mesmo estílo. O Jaques ficou supreso com a sabedoria do Jander desse gênero tão obscuro, e lisongeado, pois o plebeu tinha um disco dele dessa época. Jander, quando dividia um apartamento com o Philippe quando mudaram para o Rio, comprou um Baja, um fusca modificado com rodas traseiras grandes. A música narra um dia muito especial na vida do Jander. O Naldo, Arnaldo Bortolon, era o empresário da banda na época, e morava perto, na praça Santos Dumont, em frente ao Jóquei. E o dono do posto de gasolina vizinho era "chegado" do Jander. Era segunda feirado e para quem não conheçe o Rio, narra a viagem da cidade a Mendes, no interior do estado, para aonde o Jander eventualmente se mudaria. A banda e o então empresário, com a exceção de Philippe, vibraram com a música. O Philippe, em minoria, brincava que só se o Jander prometesse casar com a menina para quem ele fez a música, ele deixaria a música ser incluída no disco. O Jander não só se casou, como teve duas filhas com ela. |
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Letra
Quero ver a serra Quero verde perto Nada mais crecse Tropical, húmida Nada mais crecse Todos reclamando O verde da mata Tropical, húmida |
História
Com letra do Gutje, A Serra foi uma das primeiras músicas compostas para o terceiro disco da Plebe. A letra foi inspirada quando o Gutje conheçeu um grupo de ativistas ecológicos preservacionistas da Mata Atlântica, na gravação de uma entrevista em São Paulo, e lhe deram uma camiseta que mostrava a bandeira brasileira começando a desbotar de um dos lados. O instrumental da música beira o progressivo, com arranjos de guitarra bastante complicados. A linha do baixo tem um pouco de jazz no 'feeling' com uma batida, brilhantemente arranjada pelo Gutje, um bate-estaca que o torna bastante acessível e dancante. Provávelmente é a música mais complicada que a banda já fez. E sim, aquilo é um 'sample' de uma àrvore sendo derrubada no meio do instrumental, tirado de um disco de vinil de efeitos sonoros do arquivo dos estúdios da EMI. A Serra foi escolhida como música de trabalho e consequentemente virou clip do Fantástico. Foi muito engraçado ver o Sergio Chapelin apresentando o clip dizendo "Agora com vocês, o protesto ecológico da banda de Brasília, Plebe Rude..." A direção do clip foi do Boninho, fã da banda. (A primeira direção dele foi para o Clip Clip, programa semanal de clips da Globo, da música Proteção numa versão ao vivo no estudio II da EMI. Batizada Proteção II, a missão, a banda entrava numa levada funk inserindo trechos de Bichos escrotos dos Titãs; foi a primeira vez que a música do grupo paulista, então censurada, foi ao ar). Gravado na Barra da Tijuca no Rio num terreno com uma pequena floresta, de propriedade da Globo, o clip mostrava o grupo tocando primeiro na floresta, para depois acabar num terreno de construção, que semelhava um deserto. Mas quando o clip foi ao ar, os editores da Globo cometeram um erro gritante. A guitarras e a parte narrada do Jander (tropical - húmida... que o Philippe compilou de um livro de cursinho antigo) foi gravado em estéreo total. Mas quando a música foi editada, alguém esqueceu de mudar o estéreo para mono-duplo, para que o som saisse completo quando fosse escutado em mono, ou em um dos lados somente (mesmo assim não existia no Brasil transmissão de TV em estéreo ainda). Os editores editaram a música em cima de um lado da música e os arranjos de guitarra soavam incompletos e o vocal, sem metade da voz de Jander. O grupo não continuou os protestos ecológicos depois disso. Depois que a música começou a tocar bastante na rádio, Herbert confidenciou a banda que a letra do refrão não era o que ele esperava do grupo, e se ele tivesse produzido o disco, não teria a deixado passar. Mas A serra era um grande hit nos shows ao vivo. Esta música não era a preferida do André, e ele eventualmente queria tira-la do repertório, mas como era um hit, ela sempre foi exigida pelos fãs. Mas a Serra não resistiu o teste do tempo. Não foi incluído no disco ao vivo "Enquanto a trégua não vem" e com a exceção de dois shows já na formação nova com o Clemente, a música nunca mais foi tocada. |
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Letra
Sem teoria, sem razão Entre dois pontos: a linha reta Sem ajuda, nem motivação Entre dois pontos: a linha reta O traço que separa Traços que se cruzam Durma agora, sonhe tranqüilo Vá seguir a linha reta Qual é a força e inspiração? Entre dois pontos: a linha reta O traço que separa Traços que se cruzam O paradoxo entre o certo e errado Vá seguir a linha reta |
História
Esta letra passou por muitas encarnações até o André e o Philippe optarem por essa. O Traço Que Separa foi uma das músicas preferidas do Plebe Rude III segundo plebeus mais ortodoxos. Depois do quarto disco da banda, o Mais raiva do que medo, ela ganhou uma versão nova ao vivo, com uma batida mais simples e piano, pois por um breve período, a Plebe excursionou com um tecladista. |
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Letra
Sei que em busca do futuro Qual caminho pela frente devo tomar? Só que o tempo corre Riscos são aceitos em vão Assim a sorte emana |
História
Seguindo o conceito de 'cada um apresenta uma música' para o terceiro disco, esta foi a música do Gutje, e a única vez que ele assumiu o vocal. Inicialmente uma música instrumental, ela foi composta quase que de improviso dentro do estúdio 1 da EMI, no Rio de Janeiro, para o terceiro disco, aonde a Plebe, Legião e Paralamas gravaram a maioria de seus trabalhos. Plebiscito também saiu da mesmo 'jam session.' Gutje tinha essa letra há muito tempo e no disco anterior, Nunca Fomos Tão Brasileiros, ele a sugeriu para A Ida, mas a banda achou que não funcionaria na música. Tempo ao tempo, ainda sem título, foi gravada e mixada instrumentalmente, mas na fase de masterização do Plebe Rude III, Gutje gravou o vocal, com backing vocal do Jander. Philippe e André só ouviram a versão, agora intitulada Tempo ao tempo, juntos com os fãs, quando receberem o disco já prensado. Muitos fãs que compraram a fita original desse disco ou o box set lançado em 1997, ouviram a versão que foi mandada para prensagem antes que o vocal foi colocado. A Plebe tocou a versão instrumental da música no trio elétrico Tiéte Vips na Bahia, com direito a percussão extra dos músicos baianos, já que Gutje gravou timbales nela. Foi uma das poucas vezes que a música foi tocada em público. A Plebe se apresentou duas vezes em shows de meia hora, no meio do set longo do grupo Tiéte Vips, em frente ao Farol da Barra, em Salvador no carnaval de 1989. Depois dos Paralamas, a Plebe foi uma das primeiras bandas de rock a tocar de cima de um trio elétrico. No meio da apresentação, a banda sentiu um cheiro de fumaça. Logo em seguida ouviram um estouro e todo o trio elétrico se apagou, som e luz. A Plebe já passou por isso uma vez, mas não num trio elétrico. Normalmente quando o som se apaga, o som da bateria pode ser ouvido acústicamente. Mas não nesse caso, pois o Gutje estava usando a bateria do grupo baiano, uma bateria eletrônica. Foi a primeira, e última vez que ele usou uma. O gerador, que tinha força suficiente para gerar energia para uma cidade pequena, não suportou a porrada da Plebe! Mas, dez minutos depois, o gerador voltou a funcionar, e a porrada continuou, mas a um volume um pouco mais baixo. |
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Letra
Acenda as tochas Pra que de longe Os nativos, eles gostam de mim Mas se um dia minha magia falhar Toque os sinos Pra que de longe A noite chega e faz muito frio Quando amanhece enterramos os mortos |
História
O André X queria algo mais sombrio para o disco, e como neste disco cada um apresentava uma música, esta foi a sua. Uma das mais belas do disco, com a batida tribal já característica da banda, Longe se diferenciava do resto do repertório da banda porque a música foi estruturada em cima de um piano. O arranjador Victor Chicri foi chamado para tocar piano, um Steinway de 9 pés de comprimento que ficava dentro do estúdio I da EMI. Foi o mesmo piano de cauda que Ray Charles usou quando passou no Brasil e que os Paralamas gravaram "Quase um Segundo" com Charlie Garcia. A banda perdeu muito tempo tentando convencer o exímio pianista a simplificar o arranjo, e de não solar. No final, usaram muitos efeitos na bateria e ecos em estéreo típo Pink Floyd nas guitarras, apesar de não serem inspirados pela grupo. Longe é considerada uma das melhores performances vocais do Jander, mas devido ao arranjo de piano, mesmo com um teclado na estrada, foi apresentada ao vivo poucas vezes. Era difícil passar o peso dela com uma guitarra somente, pois o Philippe estava ocupado ao teclado. |
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Letra
Há vidas que por vontade eu canto A gente só dá valor à juventude Quem não da valor ao que tem Há vidas que por vontade eu canto A gente só dá valor às alegrias Quem não da valor ao que tem |
História
Sem sombra de dúvida, Valor foi o primeiro "forró-core" já feito, do qual o Jander é tido como o pai. Numa música ambiciosa de cinco minutos, a Plebe misturou batidas de baião com guitarras distorcidas, algo inimaginável por uma banda de rock da década de 80. Também foi a primeira vez que eles usaram teclados, com participação do diretor musical da Elba Ramalho, Zé Americo, e o diretor musical da cantora Joana, Victor Chicri. Philippe não estava muito entusiasmado com idéia, mas Jander, André X e Gutje estavam há muito tempo querendo 'modernizar' a Plebe. O trabalho de baixo do André foi fenomenal. E o Gutje fez um belíssimo trabalho de bateria, feito repetido na gravação do mais longo ainda Repente. O Jander convidou o Alceu Valença para fazer o backing vocal, mas este disse não estar interessado, então quem fez foi o Philippe. Consequentemente, a música foi escolhida a ser a segunda música de trabalho, e com ela, até fizeram o programa 'Milk Shake' da Angélica com Philippe irônicamente nos teclados. Eventualmente Philippe tocava teclados em Valor nos shows ao vivo. O teclado passou a ser usado pela banda, mais como efeito de fundo e cama de cordas. Ele vinha de fábrica com um som que simulava o som de um chicote. Nos shows mais descontraídos, o Philippe dava uma "chibatada", gritando no microfone "Olha a chibatada no Sarney!" E a platéia vinha abaixo. Talvez a escolha de Valor como segunda música de trabalho não foi a mais sabia da parte da EMI, pois era muito diferente não só do que era esperado da Plebe, mas do que era esperado de qualquer banda de geração 80. Mas, com esse disco, a Plebe queria mesmo confundir todo mundo. E conseguiram. A banda foi massacrada pela tentativa. Perderam muitos fãs, e algumas pessoas escreveram ao fã clube dizendo ter quebrado os discos com raiva da traíção. Os críticos não entenderam nada, e quem não gostava da Plebe, passava a gostar menos ainda. Será que pagaram o preço do pioneirismo? Só a história dirá... Mas que quebraram a regra número um de concordância, quebraram. |
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Letra
Ontem fez cem anos Tem um outro lugar Ninguém pode calar Tire a mordaça Demoraria mais de cem anos Mas existe um outro lugar Esse retrocesso Tem um outro lugar Um ideal que se agarra Ontem fez cem anos Tem um outro lugar Demoraria mais de cem anos Mas existe um outro lugar |
História
Na véspera dos cem anos da abolição da ecravidão no Brasil, Philippe escreveu esta canção, inspirado na canção "Biko" do Peter Gabriel. A música tinha acabado de ser regravada para a trilha do filme "Cry Freedom", narrando a trajetoria do ativista anti-apartheid Stephan Biko, morto pela policia sul-africana. Por pouco não foi escolhida como música de trabalho, mas os programadores de rádio, que as gravadoras começavam a convidar para ajudar na escolha de músicas de trabalho, acharam a introdução longa demais. A influência dos programadores provávelmente foi uma das piores coisas que poderia ter acontecido à música brasileira, e foi nessa época que a prática foi consolidada. Mais uma vez, os Plebeus chamaram Jaques Moremlembaum para tocar, mas desta vez o arranjo era simples, acentuando o dedilhado de violao de nylon do Philippe. O instrumental do meio foi usado como introdução do show durante a excursão inteira e nao volta da Plebe em 1999. |
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Letra
Sei que na língua que aprendi Sim, existe mais de uma opção Modifique o verbo Necessita significado A valdade da ação; por acaso ou não? Mas oração sujeito a modificação Advérbio por acaso é integrante |
História
Num uso bastante peculiar de analogias gramaticais, Modifique o verbo é basicamente sobre o destino, talvez refletindo dúvidas sobre o destino dos Plebeus. O Jander narra a mesma letra que o Philippe estava a cantar, e com um instrumental belo no meio, com uma suavidade não muito característica da banda, a música fecha o disco Plebe Rude III. Foi a última vez que os quatro membros da banda gravaram juntos até o "retorno temporário" de 1999, 11 anos depois. |
