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Letra
Não é nossa culpa Com tanta riqueza por ai Até quando esperar? E cadê a esmola Até quando esperar? Posso, vigiar o seu carro, te pedir cigarro, engraxar o seu sapato? Até quando esperar? |
História
Feita em cima da frase do André X "com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração?" Philippe completou a letra em 84. Nesta época o grupo ensaiava debaixo da piscina do centro Olímpico em Brasília, numa sala que conseguiram através da Camila, primeira empresária do grupo, indiretamente iluminada pela luz que vinha dos vidros sub-aquáticos. Na verdade a música, que virou hino, era uma espécie de auto crítica, pois falava de justiça social enquanto o grupo morava na ilha da fantasia que era Brasília. "Não e nossa culpa, nascemos já com uma benção..." Mas também foi um dos protestos mais fortes da má distribuição de renda no país jamais feito. A primeira vez que ela foi tocada foi num festival no Ginásio de Esportes em Brasília junto com a Legião Urbana e o Ultraje a Rigor. Legião ainda não havia gravado o primeiro disco, mas quem viu o show (a Plebe foi a banda de abertura no Ginásio com mais de 5 mil pessoas; o maior público até então da Plebe - apesar de que poucos estavam ali por causa da banda e da Legião, Ultraje estava no auge), viu que o rock de Brasília estava prestes a estourar. Quando foi gravado, 16 canais foram suficientes para essa música simples, mas foi o poder dela que fez que as rádios naturalmente escolherem-na para tocar primeiro. A música escolhida para ser a música de trabalho foi A minha renda, com direito a clipe do Fantástico. Mesmo assim Até Quando virou sucesso e o rock de Brasília passou a ter a fama que tem, ainda mais com o Capital Inicial, morando em São Paulo, também estourado. Um clipe, na mesma casa aonde foi tirado a foto da capa do Concreto Já Rachou, foi filmado, com direção do José Emilio Rondeau. A idéia do cello foi de Herbert, que chamou Jaques Morelembaum, então arranjador de Tom Jobim. Numa sessão rápida, foi gravado o que é considerado um dos 'riffs' mais reconhecíveis do rock Brasil. Mas a música não tinha o cello no começo sozinho. Só quando a música estava sendo mixada e o Renato Luiz, o fenomenal técnico de gravação, 'solou' o canal do cello para poder equaliza-lá, e a banda sugeriu que fosse gravado numa fita separada do resto dos instrumentos, e colada na frente. Dito e feito. Mas se os 'headphones' do Jaques estivessem um pouco mais alto, não seria possível isolar o som do cello e o começo da música seria como fora intencionada. A banda deixou-o solar um pouco na parte do meio, e ele até complementa o solo de guitarra do Philippe, considerados um dos mais fortes gravados do Rock nacional. Foi a primeira vez que o Herbert vestiu seriamente a camisa de produtor, e fez um belíssimo trabalho. O Herbert recebeu um disco de ouro por sua participação e até hoje este é considerado um dos seus melhores trabalhos. Lulu Santos, Paralamas, Cólera, Tantra e Capital Inicial, sem mencionar inúmeras bandas 'cover,' já tocaram a música ao vivo. É um clássico. A Universidade de Brasília usava a música para ilustrar a desigualdade social no Brasil para os alunos de certas matérias. |
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Letra
Há vidas que por vontade eu canto A gente só dá valor à juventude Quem não da valor ao que tem Há vidas que por vontade eu canto A gente só dá valor às alegrias Quem não da valor ao que tem |
História
Sem sombra de dúvida, Valor foi o primeiro "forró-core" já feito, do qual o Jander é tido como o pai. Numa música ambiciosa de cinco minutos, a Plebe misturou batidas de baião com guitarras distorcidas, algo inimaginável por uma banda de rock da década de 80. Também foi a primeira vez que eles usaram teclados, com participação do diretor musical da Elba Ramalho, Zé Americo, e o diretor musical da cantora Joana, Victor Chicri. Philippe não estava muito entusiasmado com idéia, mas Jander, André X e Gutje estavam há muito tempo querendo 'modernizar' a Plebe. O trabalho de baixo do André foi fenomenal. E o Gutje fez um belíssimo trabalho de bateria, feito repetido na gravação do mais longo ainda Repente. O Jander convidou o Alceu Valença para fazer o backing vocal, mas este disse não estar interessado, então quem fez foi o Philippe. Consequentemente, a música foi escolhida a ser a segunda música de trabalho, e com ela, até fizeram o programa 'Milk Shake' da Angélica com Philippe irônicamente nos teclados. Eventualmente Philippe tocava teclados em Valor nos shows ao vivo. O teclado passou a ser usado pela banda, mais como efeito de fundo e cama de cordas. Ele vinha de fábrica com um som que simulava o som de um chicote. Nos shows mais descontraídos, o Philippe dava uma "chibatada", gritando no microfone "Olha a chibatada no Sarney!" E a platéia vinha abaixo. Talvez a escolha de Valor como segunda música de trabalho não foi a mais sabia da parte da EMI, pois era muito diferente não só do que era esperado da Plebe, mas do que era esperado de qualquer banda de geração 80. Mas, com esse disco, a Plebe queria mesmo confundir todo mundo. E conseguiram. A banda foi massacrada pela tentativa. Perderam muitos fãs, e algumas pessoas escreveram ao fã clube dizendo ter quebrado os discos com raiva da traíção. Os críticos não entenderam nada, e quem não gostava da Plebe, passava a gostar menos ainda. Será que pagaram o preço do pioneirismo? Só a história dirá... Mas que quebraram a regra número um de concordância, quebraram. |
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Letra
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História
Marca registrada das 'duas vozes' da Plebe, Brasília virou um clássico instantâneo, de aonde saiu o título do primeiro disco, O Concreto já Rachou. Para alguns, a música mais poderosa que a Plebe já fez. A música tinha duas linhas melódicas, com o Jander cantando coisas diferentes ao mesmo tempo que o Philippe e fazia menção aos privilégios de alguns servidores públicos com a frase "carros pretos nos colégios," um retrato forte do que movia a cidade. A Capital Federal tinha apenas 25 anos na época em que a música foi feita e as obras públicas da cidade já mostravam sinais de fadiga, passarelas de pedestres com o azulejo caindo e viadutos com sinais de stress evidentes. Isso, para a Plebe simbolizava a decadência da utopia forjada que era Brasília, toda a corrupção que desviava dinheiro da obras públicas para Deus sabe aonde. O Concreto já Rachou inicialmente teria 6 músicas, mas o Herbert conseguiu convencer os executivos da EMI que Brasília era fundamental ao disco, e que a Plebe merecia a exceção. Senão, teria que ficar para o Nunca Fomos tão Brasileiros, egundo disco da banda. Marca registrada das 'duas vozes' da Plebe, Brasília virou um clássico instantâneo, de aonde saiu o título do primeiro disco, O Concreto já Rachou. Para alguns, a música mais poderosa que a Plebe já fez. A música tinha duas linhas melódicas, com o Jander cantando coisas diferentes ao mesmo tempo que o Philippe e fazia menção aos privilégios de alguns servidores públicos com a frase "carros pretos nos colégios," um retrato forte do que movia a cidade. A Capital Federal tinha apenas 25 anos na época em que a música foi feita e as obras públicas da cidade já mostravam sinais de fadiga, passarelas de pedestres com o azulejo caindo e viadutos com sinais de stress evidentes. Isso, para a Plebe simbolizava a decadência da utopia forjada que era Brasília, toda a corrupção que desviava dinheiro da obras públicas para Deus sabe aonde. O Concreto já Rachou inicialmente teria 6 músicas, mas o Herbert conseguiu convencer os executivos da EMI que Brasília era fundamental ao disco, e que a Plebe merecia a exceção. Senão, teria que ficar para o Nunca Fomos tão Brasileiros, egundo disco da banda. |
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Letra
Quem tem a razão? Esclarece por favor Justiça é tão bela Eu só sei... adeus Quem escutar então? Esclarece por favor Uma crença ajudaria Eu só sei... adeus Aceitar ou não? Esclarece por favor |
História
Ao contrário da crença popular, A Ida não tem nada a ver com a ópera Aida. Esta música foi feita para um amigo do Philippe, Alexei Farias, que foi atropelado por um barco na Barra da Tijuca, no Rio, acidente que lhe causou a morte. Estudante de oceonografia numa faculdade carioca, ele estava mergulhando dentro da faixa de segurança imposta pela guarda costeira. Um barco em alta velocidade a menos de cem metros da praia, o atropelou. Um amigo que estava com ele conseguiu puxar o Alexei até a praia, mas ele não sobreviveu aos ferimentos. Esta música foi um parto para o Philippe, que não estava se acostumando com a vida no Rio. Ele não estava se adaptando à cidade e se sentia muito sozinho. Tinha a idéia básica da música por mêses, mas não conseguia expressar o seu pesar pela primeira pessoa próximo a ele que faleceu, três anos antes. No encarte duplo do disco, a letra de A Ida é dedicada ao Alexei. Num show em Nitéroi, no estado do Rio, a irmã do Alexei foi ao show e a música foi dedicada à sua família. Violão, tambores, e uma orchestra de 22 pessoas. É a favorita de muitos críticos. Um critico paulista chegou a confidenciar à banda que ele achou a música uma das mais bonitas que tinha ouvido em toda sua vida. Durante a gravação das cordas, o Herbert e o Philippe se enfiaram no canto da sala imensa do estúdio 1 da EMI e ouviram a orquestra com lágrimas no olhos. A Ida virou música de trabalho e teve dois clips gravados, sendo um para o Fantastico. Até hoje é uma das mais requisitadas em shows. |
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Letra
Eu decido o seu futuro Estou rindo de você Artigo 93 O que você faz escondido diverte, me faz rir Estou rindo de você Faça o que você bem entender Você acha que é livre para agir como quer? Estou rindo de você Artigo 93 Se eu largar a tua mão você vai se perder Estou rindo de você O seu direito é me obedecer |
História
Uma das músicas mais poderosas da Plebe, Códigos tem a cara de uma banda vivendo perto do poder. Philippe abriu o Código Penal e escolheu três artigos alheatóriamente, mas retórica é retórica e as frases adicionaram ainda mais dramaticidade a música. Tão importante para repertório da banda, Códigos foi incluída na colêtanea de melhores sucessos lançado em outubro de 1998, na série Preferência Nacional, da EMI. |
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Letra
Ontem fez cem anos Tem um outro lugar Ninguém pode calar Tire a mordaça Demoraria mais de cem anos Mas existe um outro lugar Esse retrocesso Tem um outro lugar Um ideal que se agarra Ontem fez cem anos Tem um outro lugar Demoraria mais de cem anos Mas existe um outro lugar |
História
Na véspera dos cem anos da abolição da ecravidão no Brasil, Philippe escreveu esta canção, inspirado na canção "Biko" do Peter Gabriel. A música tinha acabado de ser regravada para a trilha do filme "Cry Freedom", narrando a trajetoria do ativista anti-apartheid Stephan Biko, morto pela policia sul-africana. Por pouco não foi escolhida como música de trabalho, mas os programadores de rádio, que as gravadoras começavam a convidar para ajudar na escolha de músicas de trabalho, acharam a introdução longa demais. A influência dos programadores provávelmente foi uma das piores coisas que poderia ter acontecido à música brasileira, e foi nessa época que a prática foi consolidada. Mais uma vez, os Plebeus chamaram Jaques Moremlembaum para tocar, mas desta vez o arranjo era simples, acentuando o dedilhado de violao de nylon do Philippe. O instrumental do meio foi usado como introdução do show durante a excursão inteira e nao volta da Plebe em 1999. |
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Letra
Quero ver a serra Quero verde perto Nada mais crecse Tropical, húmida Nada mais crecse Todos reclamando O verde da mata Tropical, húmida |
História
Com letra do Gutje, A Serra foi uma das primeiras músicas compostas para o terceiro disco da Plebe. A letra foi inspirada quando o Gutje conheçeu um grupo de ativistas ecológicos preservacionistas da Mata Atlântica, na gravação de uma entrevista em São Paulo, e lhe deram uma camiseta que mostrava a bandeira brasileira começando a desbotar de um dos lados. O instrumental da música beira o progressivo, com arranjos de guitarra bastante complicados. A linha do baixo tem um pouco de jazz no 'feeling' com uma batida, brilhantemente arranjada pelo Gutje, um bate-estaca que o torna bastante acessível e dancante. Provávelmente é a música mais complicada que a banda já fez. E sim, aquilo é um 'sample' de uma àrvore sendo derrubada no meio do instrumental, tirado de um disco de vinil de efeitos sonoros do arquivo dos estúdios da EMI. A Serra foi escolhida como música de trabalho e consequentemente virou clip do Fantástico. Foi muito engraçado ver o Sergio Chapelin apresentando o clip dizendo "Agora com vocês, o protesto ecológico da banda de Brasília, Plebe Rude..." A direção do clip foi do Boninho, fã da banda. (A primeira direção dele foi para o Clip Clip, programa semanal de clips da Globo, da música Proteção numa versão ao vivo no estudio II da EMI. Batizada Proteção II, a missão, a banda entrava numa levada funk inserindo trechos de Bichos escrotos dos Titãs; foi a primeira vez que a música do grupo paulista, então censurada, foi ao ar). Gravado na Barra da Tijuca no Rio num terreno com uma pequena floresta, de propriedade da Globo, o clip mostrava o grupo tocando primeiro na floresta, para depois acabar num terreno de construção, que semelhava um deserto. Mas quando o clip foi ao ar, os editores da Globo cometeram um erro gritante. A guitarras e a parte narrada do Jander (tropical - húmida... que o Philippe compilou de um livro de cursinho antigo) foi gravado em estéreo total. Mas quando a música foi editada, alguém esqueceu de mudar o estéreo para mono-duplo, para que o som saisse completo quando fosse escutado em mono, ou em um dos lados somente (mesmo assim não existia no Brasil transmissão de TV em estéreo ainda). Os editores editaram a música em cima de um lado da música e os arranjos de guitarra soavam incompletos e o vocal, sem metade da voz de Jander. O grupo não continuou os protestos ecológicos depois disso. Depois que a música começou a tocar bastante na rádio, Herbert confidenciou a banda que a letra do refrão não era o que ele esperava do grupo, e se ele tivesse produzido o disco, não teria a deixado passar. Mas A serra era um grande hit nos shows ao vivo. Esta música não era a preferida do André, e ele eventualmente queria tira-la do repertório, mas como era um hit, ela sempre foi exigida pelos fãs. Mas a Serra não resistiu o teste do tempo. Não foi incluído no disco ao vivo "Enquanto a trégua não vem" e com a exceção de dois shows já na formação nova com o Clemente, a música nunca mais foi tocada. |
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Letra
Um pouco além de notícias de jornal O que tens que evitar é se acustomar O poder do sim ou não O absurdo e essa indecisão É o caminho ao voto popular O poder do sim ou não |
História
Plebiscito abria o terceiro disco da banda com uma porrada logo de cara, uma temática do que era de se esperar de uma banda de Brasília: simples e honesto. Sem muita imaginação, quase todos os críticos que escreviam sobre a Plebe usavam os termos "direto à jugular" ou "metralhadora giratória," mas convenhamos, Plebiscito nao os dava muita escolha. |
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Letra
Sexo e karate na minha TV Então eu volto pra TV Que você não gosta mais de mim? Sexo e karatê, Sexo e karatê, Sexo e karatê Sexo e karatê, não quero mais ver Pois eu também não gosto de você! Sexo e karatê, Sexo e karatê, Sexo e karatê |
História
Sexo e karatê, uma das primeiras músicas da Plebe, tinha o tempo metade da velocidade da gravação. O clima era bem 'The Cure' na sua primeira fase e se chamava "Gritos no escuro." Mas como os amigos da banda de Brasília não hesitavam em procurar semelhanças com grupos estrangeiros, dobraram o tempo, e mudaram a letra. Foi a única musica da Plebe com um gongo, que soa na introdução. A Fernanda Abreu, da então Blitz, gravou o "que você não gosta mais de mim" a convite do Herbert, o produtor do disco. |
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Letra
Sou brasileiro, vocês dizem que sim Nasci aqui, mas não só eu Pensam que é um paraíso Do que adianta vocês viverem assim? Nasci aqui, mas não só eu Não temos identidade própria Pra que tudo isso na região tupiniquim? |
História
O título da música, que também deu nome ao segundo disco, foi inspirado na obra Nunca Fomos tão Felizes, de Nelson Rodrigues. Com uma introdução de bateria poderosa, Nunca Fomos era um hit certo nos shows. A música começou a tocar tanto, que a banda resolveu gravar uma versão melhor, chamado Nunca Fomos II, a Missão (brincadeira em cima de Proteção II, versão do primeiro disco da Plebe, inspirado na sequência do filme Rambo: Rambo II, a missão). Para também evitar um 'remix' mal feito (prática comum na época, feito a revelia da banda), re-gravaram a canção, mas com a introdução em 'fade in,' onde o volume demora para entrar. Os Plebeus gravaram o Chacrinha com ela e o velho guerreiro não soube o que fazer com os quase 15 segundos de 'fade in' enquanto a Plebe entrava para o programa. Inspirado no guitarrista Yngwie Malsteem, Philippe solou mais rápido do que jamais solou, mas felizmente voltou a se concentrar nas guitarras base. |
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Letra
Unidade repressora oficial A censura, a censura Hora pra dormir Unidade repressora oficial A censura, a censura Contra a nossa arte está a censura Unidade repressora oficial A censura, a censura Nada para ouvir, nada para ler Unidade repressora oficial |
História
A censura não era uma novidade para a Plebe. Na época da ditadura, toda música tinha quer ter permissão da Polícia Federal para ser apresentada ao vivo. Duas cópias de cada música tinham que ser enviadas ao Departamento de Censura Federal, que as vezes demorava meses para aprovação. Mas é claro que a Plebe não mandava as letras mais subversivas. No verão de 83, Philippe passou um mês nos Estados Unidos com os seus irmãos, para ver se ele gostaria de se mudar para lá depois de se formar do segundo grau. Por causa disso, a Plebe perdeu a oportunidade de tocar no Rio pela primeira vez, junto com a Legião. Em Washington D.C., no porão da casa do seu irmão mais velho Alex, que tocava bateria, gravaram uma demo instrumental de uma música que o Philippe estava trabalhando, que viraria Censura. O André Pretorius, o primeiro punk de Brasília, guitarrista do Aborto Elétrico, na época morando em Washington, também tinha um quarto na casa e o porão era o seu estúdio. O Philippe e o seu irmão usaram o seu equipamento, mas não colocaram vocal. Foi o irmão do Philippe que apareceu com a ideia dos tambores nas partes de "unidade repressora oficial". Philippe nasceu em Washington e se mudou para o Brasil com 9 anos de idade, e foi a primeira vez desde que saiu, que voltou a América. Ele não gostou muito dos EUA, estava com 16 anos e não conseguia se ver morando lá. E ele tinha a banda. Na volta, quando o avião fez escala no Rio, ele leu num jornal carioca uma entrevista com Nelson Motta ou o Caetano Veloso, que falou "ninguém censura a censura." Num outro caderno do mesmo jornal tinha uma materia sobre a polícia, que tinha subido um morro no dia anterior. Era chamada de unidade repressora oficial. Poucas pessoas perceberam a menção do falecido ator Jardel Filho, "Jardel com travesti, censor com bisturi," que na época participava de um cena erótica com um travesti no filme Rio Babilônia, de Neville D'Almeida. O filme foi censurado e a cena teve que ser cortada, causando muita polêmica e a ameaça da volta da censura ao país. Anos depois, o Philippe conheceu o polêmico diretor no festival de Gramado, na epoca em que fazia trilha sonora para Cinema. Censura foi a próxima música de trabalho depois de A Ida. Foi sucesso e por muito pouco não levou o Nunca fomos a disco de Ouro também. Mas, como era de se esperar, a música foi censurada. Ironicamente, num bom sinal que a abertura democrática estava acontecendo, não foi o tema da música que chamou a atenção dos censores, foi a palavra 'porra.' A banda não chegou a se assustar com isso, até tiveram mais exposição na imprensa. Logo foi liberada para execução e até tocaram a música várias vezes no Chacrinha, aonde uma vez o Jander passou uma rasteira no Russo, o 'curinga' do Abelardo 'Chacrinha' Barbosa e o Philippe foi até o mesa de jurados e beijou a mão da Luiza Brunet, lhe confessando que era seu maior fã. Em noites de show mais descontraídos, o Jander as vezes cantava 'a fisura, única vontade que ninguém segura.' O André cantou o refrão errado durante anos sem saber, inserindo 'identidade' no lugar de 'entidade.' |
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Letra
Se eu lhe dissesse olhe além do horizonte Conselho ou sermão, não aprendemos a lição Bravo mundo novo Se eu lhe dissesse Bravo mundo novo está nascendo Herdamos do passado velhos erros e idéias Bravo mundo novo Não pergunte então Bravo mundo novo, decadente nosso cativeiro |
História
Bravo mundo novo, uma das músicas mais sérias da Plebe, era a favorita do Renato Russo. Uma vez ele perguntou ao Philippe porque não repetiam a parte do meio, que aparecia uma vez, que ele achava tão legal. Philippe respondeu justamente porque era a parte que as pessoas mais gostavam. Alex Antunes, crítico paulista, também a achava uma das melhores músicas da Plebe. É um belo exemplo do trabalho de duas vozes contrastantes, o agudo do Philippe com o grave do Jander. Quando foi gravado, o Herbert sugeriu que aproveitassem a orquestra de 22 pessoas que gravaria A Ida, sob regência do Jaques Morelembaum, o mesmo cellista de Até Quando. O Jaques então apareceu com a orquestração praticamente dobrando a guitarra do Philippe, que adicionou uma dramaticidade à música e a transformou em umas das mais requisitadas entre àquelas que não tiveram tanta execução de rádio. Apesar da semelhança com a obra de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, o livro não chegou a influênciar na letra. A EMI chegou a cogitar que fosse uma música de trabalho, mas não sabiam como trabalhar uma música considerada, pela empresa, tão diferente. Realmente a Plebe não se encaixava nos moldes brasileiros de 'parada de sucessos.' Nunca apareceram no programa Globo de Ouro, nunca tiveram uma música em novela e não eram incluídos em coletâneas de sucesso. Não por escolha da banda, que até apreciaria a exposição, mas pelos moldes do mercado. Pela segunda vez na história da música brasileira, Ernest Hemmingway é citado numa canção. Raul Seixas tinha uma música chamada "Por Quem os Sinos Dobram". |
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Letra
Go Johnny, go! Johnny vai à guerra outra vez Ele era apenas uma pequena ilha de luz na escuridão Festa cheia de soldados que insistem em batalhar Ele não teme o interrogatório, mas as drogas podem fazê-lo falar Johnny vai à guerra outra vez Você os ouve? Estão lá fora! E a trégua quanto tempo que eu espero Agora a noite terminou E a trégua não vem nunca! |
História
Talvez a musica mais poderosa que a Plebe já fez, é a faixa preferida dos 'plebeus' mais ardorosos. Gravado com apenas uma guitarra, baixo e bateria (assim como Brasília e Sexo e karatê) pois o Jander só cantava quando a música foi feita, Johnny se tornou obrigatório nos shows. Até quando Philippe Seabra estreou o seu Daybreak Gentlemen em Nova Iorque em 1997, os Plebeus que habitavam lá a exigiram. É claro que a banda nova de Philippe estava preparada, mesmo não entendendo o que ele estava cantando, e a platéia veio abaixo. Depois do show, Philippe brincava com os amigos americanos dele "Viu? Não te falei que eu era um rock star no Brasil!" A letra da música faz uma comparação a uma saída noturna de um adolescente com uma batalha. Indo para a guerra, no sentido de lutar contra suas frustrações, sua timidez e, também, os preconceitos contra ele pos se vestir diferente. Nessa "batalha" também está incluído o esforço para ser aceito como é, fugir das drogas, fazer parte de grupos, etc. |
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Letra
Você me prometeu um apartamento em Ipanema Ambição - grana, fama e você Tenho fazer sucesso antes que seja tarde Tocar no Chacrinha ou na televisão Você me comprou, pôs meu talento a venda Ambição - grana, fama e você Ele trocam minhas letras, mudam a harmonia Estar no Chacrinha ou na televisão Grana, fama e você! Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo (fundo!) Ambição - grana, fama e você Não sei o que fazer, grana tá difícil Estar no Chacrinha ou na televisão (a minha renda) A minha renda! |
História
Composta em 83, a música na verdade começou como um protesto sobre falsos punks. No lugar do que viraria "Você me prometeu,'" Philippe e o André escreveram "a sua ideologia, não está na cabeça, a sua ideologia, está na tua camiseta..." E no lugar do futuro "Grana - fama - e você," escreveram "Eu não - quero - me vender." Esta versão nunca foi apresentada ao resto da banda, por motivos óbvios. A letra de Minha Renda era muito mais madura, mas foi o mais 'irreverente' que a Plebe já chegou. O tema saiu da raiva da Plebe de ver grupos como os Paralamas, que todo mundo adorava em BSB, gravando só porque estavam no Rio. Brasília era o maior fim de mundo e a letra refletia esse sentimento de isolamento, mas foi justamente por causa disso que Plebe, Legião e Capital soavam tão únicos. Composta em 83, em cima de uma peça instrumental do Philippe, a música começou a chamar atenção. Através de amigos em comum, os Paralamas ouviram a respeito, e quando a Plebe foi tocar pela primeira vez no Rio, no lendário Circo Voador, eles abriram para a Legião (curiosamente, o primeiro show da Legião foi abrindo para a Plebe em Patos de Minas) que estava abrindo para os Paralamas, curtindo o recém sucesso de Óculos. Na passagem de som, o Herbert esperava de braços cruzados no meio do Circo para escuta - lá. Foi a segunda vez que os Plebeus se encontraram com o ele. A primeira vez foi na sala de ensaio no Brasília Rádio Center, que dividiam com a Legião e o XXX. O Herbert usou um pedal Flanger do Philippe e ligou acidentalmente na tomada sem transformador (Brasília é 220 Volts), mas não falou nada. A primeira coisa que o Herbert disse ao Philippe, antes de escutar a música foi "que papo é esse que queimei o seu pedal?" O Philippe ficou sem graça. Eles subiram ao palco para passar o som e tocaram a Minha renda... "Vou mudar meu nome para Herbert Vianna." Desceram do palco sem saber a sua reação e o Herbert estava todo sorridente. Viraram amigos e ele acabou produzindo os dois primeiros discos da banda. Ele também cantou esta frase no disco, e participou do clipe do Fantástico. Anos depois o Herbert admitiu que foi ele quem queimou o pedal e pediu desculpas. Esse tempo todo, o Philippe pôs a culpa no Iko Ouro Preto, irmão de Dinho do Capital, e guitarrista do extinto Aborto Elétrico. Coitado. A partir daí, dependendo de qual Paralamas estava num show da Plebe, cantavam "Já sei o que vou fazer pra ganhar muito dinheiro, vou mudar meu nome para o Bi Ribeiro" ou "Já sei o que vou fazer pra ter fama e um nome, vou mudar meu nome para o João Barone." Ironicamente, a EMI queria que essa canção fosse a primeira musica de trabalho para apresentar a Plebe ao público brasileiro. Primeira faixa do lado B do disco (não existiam CDs no mercado brasileiro ainda), é curioso a menção de um compacto na letra, pois quando o Concreto foi lançado, as gravadoras já não imprimiam mais compactos para venda. Plebe Rude nunca teve um. O clipe do Fantástico, dirigido pelo Jodele Larcher, foi apresentado no programa pelo Herbert. Este clip, mesmo no formato da Globo, ficou bem feito. Herbert, de terno com aquele fundo habitual que aparece atrás dos apresentadores do programa, falou do explosivo movimento de bandas de Brasília, e de um grupo que ele produziu. O clipe abre com o André ouvindo um fictício produtor musical que o manda, com "Take Um, valendo," a subir no palco, aonde o resto do grupo o esperava. O produtor então pega um rapaz e tenta o moldar num artista comercial. Ele mudava o figurino dele, de punk a sertanejo a brega repetidas vezes enquanto que o grupo tocava num palco de frente de uma parede de tijolos falsos. Antes da gravação, a banda foi dado tinta spray para tornar o set mais 'rude' e picharam um grande 'A' de anarquia. (Ironicamente, na semana seguinte, a Tetê Espindola apareceu com um clip no Fantástico usando o mesmo cenário!) O Philippe tocava um violão Ovation emprestado e o André X estava tocando com o baixo pendurado na altura dos joelhos. No meio da música, quando o rapaz canta "Já sei o que fazer para ganha muita grana..." a câmera dá um close nele. O rapaz vira o Herbert que canta "vou mudar meu nome para Herbert Vianna!" Anos antes do vídeo do Michael Jackson "Black and white," a Plebe inventou o efeito 'morphing.' O clip termina com o rapaz se revoltando e descendo o cacete no produtor, que no final diz "Não Valeu!" e para a surpresa da banda que não sabia que iria ao ar esse detalhe, o Herbert aparece com o mesmo fundo do Fantástico do começo e respondeu "Valeu sim!" Foi assim que o Brasil foi introduzida a Plebe. Ironicamente, nenhum dos integrantes da banda, quando mudaram para o Rio, morou em Ipanema. E muito menos compraram iates. Anos mais tarde, fã confesso da banda, Marcelo D2 usou trechos da letra sem dar credito a banda na música “Em busca da batida perfeita” no disco homônimo de 2003: “João e Maria, cheio de regalia Iate em Botafogo, apartamento em Ipanema |
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Letra
Será verdade, será que não A PM na rua, a guarda nacional Pra a sua proteção Tanques lá fora, exército de plantão A PM na rua, nosso medo de viver Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão Tropas de choque, PM's armados Oposição reprimida, radicais calados Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão Armas poilidas, os canos se esquentam Até quando o Brasil vai poder suportar? Para a sua segurança |
História
A emenda Dante de Oliveira para as Diretas Já tinha acabado de ser recusada pelo Congresso. Quando o país inteiro ligou a televisão a noite para ver o tão esperado resultado, o Cid Moreira apareceu no Jornal Nacional com uma reportagem sobre o aniversário da ocupação Soviética no Afeganistão, que durou 15 minutos. E só. Estado de sítio, pela primeira vez em anos, foi decretado. Jornalistas apanharam e foram presos. Brasília foi isolada do resto do país com o exército na rua. Philippe tinha uma canção sem letra, e estava tentando fazer uma letra de 'amor' pois estava apaixonado pela primeira namorada, mas nada saía. Não teria jeito, a Plebe nunca conseguiu fazer uma letra de amor, com a exceção, anos mais tarde , de Quando a música terminar, do Mais raiva do que medo, e de talvez uma parte de 2a feriado, do Plebe Rude III. A letra de Proteção veio num instante, e foi um feito e tanto gravar a música dois anos depois e apresenta - lá no Chacrinha várias vezes sem a intervenção da censura federal. Anos antes, uma música da Blitz (também artistas da EMI) não só foi censurada para execução em rádio, como todos os discos, e não eram poucos, já prensados, foram recolhidos. A faixa foi aranhada manualmente, disco por disco, para evitar que o público a ouvisse de qualquer maneira. Mas ao contrário de Proteção, seu conteúdo era sexualmente explicito, não político. Os Plebeus não sabiam o que esperar. Muito menos o sucesso estrondoso da faixa, que não só dominou a rádio por meses, mas levou a Plebe ao disco a Ouro. O sucesso da música foi tanto que, para evitar um 'remix' ridículo, pratica comum na época para prolongar a vida útil de rádio de uma faixa, a Plebe Rude entrou mais uma vez em estúdio para gravar a versão que a banda estava atualmente tocando ao vivo, Proteção II, a missão (uma brincadeira em cima de Rambo II, a missão, do filme recém lançado). Uma versão 'remix' de Até Quando foi feita sem o conhecimento nem aval da banda, mas para o seu alívio, poucas pessoas a ouviram. Anos mais tarde, Proteção II foi incluída no Nunca fomos tão brasileiros que vinha dentro do box set da Plebe Rude, o Portfólio, lançado em 1997, sem nenhuma menção. O clipe, o que é considerado o melhor da banda, foi feito num galpão no centro do Rio. A banda tocou a música, intercalado com imagens de repressão policial e militar. No fundo, sombras de soldados e de monumentos de Brasília eram projetadas num fundo branco. No final, um par de algemas eram jogadas no chão e até o Partido Socialista brasileiro, com o slogan 'Tortura Nunca Mais' queria usar a música para a sua campanha. Mas a única vez que a banda autorizou algum partido a usar uma de suas obras foi quando o Partido Comunista foi legalizado e tiveram o seu primeiro horário gratuito televisionado nacionalmente em 87, com um minuto da faixa Brasília, última faixa do Concreto já rachou. |
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Letra
De repente distância No nordeste a terra descansa em paz Dona Terezina vira pro lado Eu procuro além dos Recifes A negligência vem mais de cima A festa da raça e da tradição Em nome do pai e do Espirito Santo De Cuiabá, Campo Grande De repente um repentista Na Amazônia, Roraima, Acre, Rondônia Pra atingir em cheio nosso coração Passo por Curitiba e Floripa De repente um repentista Vasto e cinza e olhos ardendo Aporto no Rio, fico observando O problema que é muito grande Meus brasileiros, minhas brasileiras O que eu quero é o porque do improviso É um dito popular! De repente um repentista De repente um repentista |
História
Uma das músicas mais ambiciosas, ou pretensiosas, do rock nacional, Repente é uma das mais longas também. Com mais de 6 minutos de duração, Philippe a mostrou pela primeira vez à banda num ônibus no meio de uma excursão em Minas. Numa letra imensa, que mencionava toda capital e estado brasileiro ao mesmo tempo observando as injustiças e contrastes do Brasil através dos olhos de um repentista, os plebeus teriam que passar por todos os estilos musicais e ritmos dos estados mencionados. Gutje topou o desafio. O conceito foi em cima da observação de que o brasileiro, para sobreviver, tem de improvisar. A banda já tinha tocado em quase toda capital brasileira, e inspiração para a letra não seria problema. Foi difícil gravar tantos instrumentos diferentes em 24 canais somente (O concreto ja rachou foi gravado em 16 canais) e Gutje se sobressaiu com os impressionantes arranjos de bateria e percussão. O seu nome figurou entre os melhores bateristas brasileiros na revista Bizz naquele ano. Mais uma vez, Zé Americo, que tocou o teclado de Valor, na mesma sessão de estúdio gravou safona para a parte do sul. Os Plebeus ficaram impressionados com ele, e realmente, o arranjo de sanfona no meio da canção é lindo. A Plebe tocou a música várias vezes, mas como era quilométrica, Philippe tinha que ter a letra no chão no palco a sua frente. Uma vez em Curitiba, quando a banda não estava com a música ensaiada, alguns estudantes de direito começaram a cantar o refrão música para chamar a banda de volta para o bís. O Philippe voltou ao microfone com um violão e chamou os plebeus ao palco, que cantaram a música inteira com ele, cantando partes da letra que nem ele lembrava. Poucas pessoas perceberam através da frase "o sol nascente se põe em Goiás" a menção da radiação nuclear que foi fatalmente encontrado num centro urbano em Goiás na época, causando muita discriminação contra produtos Goiânos e reacendendo a polêmica sobre o programa nuclear brasileiro. Pouco tempo depois, o Governo apareceu com a constrangedora campanha de TV Nacional, "Eu amo Goiânia." Atenção para o 'riff' de guitarra da música Brasília, do Concreto Já Rachou, que rola por trás da parte que passa pelo Distrito Federal. No final da parte, a guitarra começa a falhar a lá Gang of Four, propositalmente. Mas como era de se esperar, ninguém entendeu Repente, e com a música Valor também no repertório, tinha pessoas dizendo que o grupo tinha virado um grupo de baião. Por causa do tamanho da letra e da diversificação de estilos, comparações com Faroeste Caboclo foram inevitáveis. O Renato Russo confidenciou ao Philippe que apesar de ser fã número 1 da banda, não gostou da música. Anos depois, Daniela Mercury gravou uma música que passava pelo Brasil inteiro e grupos de rock com um sotaque regional apareciam mais na mídia. A Plebe sem dúvida esteve à frente do seu tempo. O jornalista Arthur Dapieve chamou Repente de "um inteligente passeio póli-rítmico pelo Brasil," mas só quem era plebeu gostou. |
