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Letra
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História
Marca registrada das 'duas vozes' da Plebe, Brasília virou um clássico instantâneo, de aonde saiu o título do primeiro disco, O Concreto já Rachou. Para alguns, a música mais poderosa que a Plebe já fez. A música tinha duas linhas melódicas, com o Jander cantando coisas diferentes ao mesmo tempo que o Philippe e fazia menção aos privilégios de alguns servidores públicos com a frase "carros pretos nos colégios," um retrato forte do que movia a cidade. A Capital Federal tinha apenas 25 anos na época em que a música foi feita e as obras públicas da cidade já mostravam sinais de fadiga, passarelas de pedestres com o azulejo caindo e viadutos com sinais de stress evidentes. Isso, para a Plebe simbolizava a decadência da utopia forjada que era Brasília, toda a corrupção que desviava dinheiro da obras públicas para Deus sabe aonde. O Concreto já Rachou inicialmente teria 6 músicas, mas o Herbert conseguiu convencer os executivos da EMI que Brasília era fundamental ao disco, e que a Plebe merecia a exceção. Senão, teria que ficar para o Nunca Fomos tão Brasileiros, egundo disco da banda. Marca registrada das 'duas vozes' da Plebe, Brasília virou um clássico instantâneo, de aonde saiu o título do primeiro disco, O Concreto já Rachou. Para alguns, a música mais poderosa que a Plebe já fez. A música tinha duas linhas melódicas, com o Jander cantando coisas diferentes ao mesmo tempo que o Philippe e fazia menção aos privilégios de alguns servidores públicos com a frase "carros pretos nos colégios," um retrato forte do que movia a cidade. A Capital Federal tinha apenas 25 anos na época em que a música foi feita e as obras públicas da cidade já mostravam sinais de fadiga, passarelas de pedestres com o azulejo caindo e viadutos com sinais de stress evidentes. Isso, para a Plebe simbolizava a decadência da utopia forjada que era Brasília, toda a corrupção que desviava dinheiro da obras públicas para Deus sabe aonde. O Concreto já Rachou inicialmente teria 6 músicas, mas o Herbert conseguiu convencer os executivos da EMI que Brasília era fundamental ao disco, e que a Plebe merecia a exceção. Senão, teria que ficar para o Nunca Fomos tão Brasileiros, egundo disco da banda. |
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Letra
Eu decido o seu futuro Estou rindo de você Artigo 93 O que você faz escondido diverte, me faz rir Estou rindo de você Faça o que você bem entender Você acha que é livre para agir como quer? Estou rindo de você Artigo 93 Se eu largar a tua mão você vai se perder Estou rindo de você O seu direito é me obedecer |
História
Uma das músicas mais poderosas da Plebe, Códigos tem a cara de uma banda vivendo perto do poder. Philippe abriu o Código Penal e escolheu três artigos alheatóriamente, mas retórica é retórica e as frases adicionaram ainda mais dramaticidade a música. Tão importante para repertório da banda, Códigos foi incluída na colêtanea de melhores sucessos lançado em outubro de 1998, na série Preferência Nacional, da EMI. |
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Letra
Este ano, juramos sempre a união A dúvida dentro de você é medo Este ano, passa mês muda estação Nem sempre a porta abrirá Cada ano que passa me faço a mesma promessa No ano que vem, desta vez eu sei A dúvida dentro de você é medo |
História
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Letra
Passa tempo, passa estrada Corda no pescoço Roda Brasil Um cristo em cada cidade Roda Brasil Queimando a bandeira de raiva |
História
Roda Brasil era um projeto de canção na qual André e Philippe estavam trabalhando quando a Plebe acabou em 1994. A letra, com grande parte escrito pelo Gutje, tinha sido revisada pelo Herbert Vianna, à época, e a linha de baixo era inspirada nos discos do XTC. Quando foram rever a música para o disco ao vivo, ganhou outra roupagem, mas verdade seja dita, nunca fez a cabeça dos quatro músicos. Entrou no disco por falta de outra opção e foi apresentada poucas vezes ao vivo. |
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Letra
Se eu lhe dissesse olhe além do horizonte Conselho ou sermão, não aprendemos a lição Bravo mundo novo Se eu lhe dissesse Bravo mundo novo está nascendo Herdamos do passado velhos erros e idéias Bravo mundo novo Não pergunte então Bravo mundo novo, decadente nosso cativeiro |
História
Bravo mundo novo, uma das músicas mais sérias da Plebe, era a favorita do Renato Russo. Uma vez ele perguntou ao Philippe porque não repetiam a parte do meio, que aparecia uma vez, que ele achava tão legal. Philippe respondeu justamente porque era a parte que as pessoas mais gostavam. Alex Antunes, crítico paulista, também a achava uma das melhores músicas da Plebe. É um belo exemplo do trabalho de duas vozes contrastantes, o agudo do Philippe com o grave do Jander. Quando foi gravado, o Herbert sugeriu que aproveitassem a orquestra de 22 pessoas que gravaria A Ida, sob regência do Jaques Morelembaum, o mesmo cellista de Até Quando. O Jaques então apareceu com a orquestração praticamente dobrando a guitarra do Philippe, que adicionou uma dramaticidade à música e a transformou em umas das mais requisitadas entre àquelas que não tiveram tanta execução de rádio. Apesar da semelhança com a obra de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, o livro não chegou a influênciar na letra. A EMI chegou a cogitar que fosse uma música de trabalho, mas não sabiam como trabalhar uma música considerada, pela empresa, tão diferente. Realmente a Plebe não se encaixava nos moldes brasileiros de 'parada de sucessos.' Nunca apareceram no programa Globo de Ouro, nunca tiveram uma música em novela e não eram incluídos em coletâneas de sucesso. Não por escolha da banda, que até apreciaria a exposição, mas pelos moldes do mercado. Pela segunda vez na história da música brasileira, Ernest Hemmingway é citado numa canção. Raul Seixas tinha uma música chamada "Por Quem os Sinos Dobram". |
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Letra
Será verdade, será que não A PM na rua, a guarda nacional Pra a sua proteção Tanques lá fora, exército de plantão A PM na rua, nosso medo de viver Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão Tropas de choque, PM's armados Oposição reprimida, radicais calados Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão Armas poilidas, os canos se esquentam Até quando o Brasil vai poder suportar? Para a sua segurança |
História
A emenda Dante de Oliveira para as Diretas Já tinha acabado de ser recusada pelo Congresso. Quando o país inteiro ligou a televisão a noite para ver o tão esperado resultado, o Cid Moreira apareceu no Jornal Nacional com uma reportagem sobre o aniversário da ocupação Soviética no Afeganistão, que durou 15 minutos. E só. Estado de sítio, pela primeira vez em anos, foi decretado. Jornalistas apanharam e foram presos. Brasília foi isolada do resto do país com o exército na rua. Philippe tinha uma canção sem letra, e estava tentando fazer uma letra de 'amor' pois estava apaixonado pela primeira namorada, mas nada saía. Não teria jeito, a Plebe nunca conseguiu fazer uma letra de amor, com a exceção, anos mais tarde , de Quando a música terminar, do Mais raiva do que medo, e de talvez uma parte de 2a feriado, do Plebe Rude III. A letra de Proteção veio num instante, e foi um feito e tanto gravar a música dois anos depois e apresenta - lá no Chacrinha várias vezes sem a intervenção da censura federal. Anos antes, uma música da Blitz (também artistas da EMI) não só foi censurada para execução em rádio, como todos os discos, e não eram poucos, já prensados, foram recolhidos. A faixa foi aranhada manualmente, disco por disco, para evitar que o público a ouvisse de qualquer maneira. Mas ao contrário de Proteção, seu conteúdo era sexualmente explicito, não político. Os Plebeus não sabiam o que esperar. Muito menos o sucesso estrondoso da faixa, que não só dominou a rádio por meses, mas levou a Plebe ao disco a Ouro. O sucesso da música foi tanto que, para evitar um 'remix' ridículo, pratica comum na época para prolongar a vida útil de rádio de uma faixa, a Plebe Rude entrou mais uma vez em estúdio para gravar a versão que a banda estava atualmente tocando ao vivo, Proteção II, a missão (uma brincadeira em cima de Rambo II, a missão, do filme recém lançado). Uma versão 'remix' de Até Quando foi feita sem o conhecimento nem aval da banda, mas para o seu alívio, poucas pessoas a ouviram. Anos mais tarde, Proteção II foi incluída no Nunca fomos tão brasileiros que vinha dentro do box set da Plebe Rude, o Portfólio, lançado em 1997, sem nenhuma menção. O clipe, o que é considerado o melhor da banda, foi feito num galpão no centro do Rio. A banda tocou a música, intercalado com imagens de repressão policial e militar. No fundo, sombras de soldados e de monumentos de Brasília eram projetadas num fundo branco. No final, um par de algemas eram jogadas no chão e até o Partido Socialista brasileiro, com o slogan 'Tortura Nunca Mais' queria usar a música para a sua campanha. Mas a única vez que a banda autorizou algum partido a usar uma de suas obras foi quando o Partido Comunista foi legalizado e tiveram o seu primeiro horário gratuito televisionado nacionalmente em 87, com um minuto da faixa Brasília, última faixa do Concreto já rachou. |
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Letra
Luzes que piscam, gritam e avisam Você se esforça para aparentar Nos seus sonhos tudo era perfeito Você olha seus amigos, que riem a vontade Vocês tentam agir de maneira casual E agora que acabou, você nem reparou Nos seus sonhos tudo era perfeito Nos seus sonhos tudo era perfeito Giovanni Casanova não faria melhor Nos seus sonhos tudo era perfeito |
História
Luzes foi outra homenagem incluída no Cd ao vivo, dessa vez para o finado Fejão, guitarrista lendário de Brasília, que tocou no Escola de Escândalos. Foi a música de trabalho escolhida pela gravadora, com direito à clipe do José Eduardo Belmonte. Uma canção permanente nos setlists dos shows, mesmo sendo uma temática tão ímpar para a Plebe. Não é todo dia que você vê os Plebeus cantando sobre a "primeira vez". |
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Letra
Sexo e karate na minha TV Então eu volto pra TV Que você não gosta mais de mim? Sexo e karatê, Sexo e karatê, Sexo e karatê Sexo e karatê, não quero mais ver Pois eu também não gosto de você! Sexo e karatê, Sexo e karatê, Sexo e karatê |
História
Sexo e karatê, uma das primeiras músicas da Plebe, tinha o tempo metade da velocidade da gravação. O clima era bem 'The Cure' na sua primeira fase e se chamava "Gritos no escuro." Mas como os amigos da banda de Brasília não hesitavam em procurar semelhanças com grupos estrangeiros, dobraram o tempo, e mudaram a letra. Foi a única musica da Plebe com um gongo, que soa na introdução. A Fernanda Abreu, da então Blitz, gravou o "que você não gosta mais de mim" a convite do Herbert, o produtor do disco. |
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Letra
As vezes tenho medo E quando olho em volta As vezes sinto raiva Pois muita gente mesmo Só pra empurrar Eles te dão a mão Eles te dão a mão, te dão a mão... As vezes tenho medo Pois muita gente mesmo Só pra empurrar só pra empurrar |
História
A Plebe e o Cólera eram como unha e carne no final da década de 1980 e ja foram chamados de "a filial Paulista da Plebe". Quando em São Paulo, era comum André, Philippe e Jander estarem na companhia de, no mínimo, o Pi R e o Val, quando não com o Redson. O Jander que trouxe a música Medo para as passagens de som da Plebe. Quando da volta em 2000, pressionados para ter inéditas no disco ao vivo, a opção mais natural de fazer uma homenagem ao Cólera foi a versão de Medo que aparece no CD Enquanto a Trégua Não Vem. E por versão, foi mais um retrabalho completo na música, dando um toque mais Plebe à canção, inclusive com inclusão de uma nova parte, em Si, que não existe na música original. Quando chamaram o Redson para participar do lançamento do disco novo no Abril Pró-Rock, como convidado especial nas músicas "Medo" e "Até Quando", ele aprovou a versão, mas a achou muito lenta, ha ha ha. O show rendeu a Plebe a capa do Globo, numa matéria intítulada "Punks no Mangue", com uma foto grande do Redson junto ao Philippe cantando no microfone. Sempre que tocavam juntos, em shows antológicos no Circo Voador, Colera tocava "Até Quando" enquanto Plebe tocava "Medo" e "Pela Paz em todo Mundo". Uma vez até o Philippe tocou bateria na música "Medo". |
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Letra
Todo dia as sete eu ligo meu radio para ouvir Na Voz do Brasil A voz fala, fala e ninguém escuta A Voz do Brasil, que não tenha Ceará, Recife, Brasília, Ano Zero Aviso aos navegantes o mar não está pra peixe Voz do Brasil! Ceará, Recife, Brasília, Ano Zero Voz do Brasil |
História
Voz do Brasil é uma música da pré-história da Plebe Rude. Composta quando o Philippe só tocava guitarra e o Jander só cantava. Bem no estilo punk, inspiradíssima nos Dead Kennedys, é um clássico. Poucas vezes a banda usou a música como abertura de shows, funcionando muito bem. Infelizmente, só fica boa na voz do Jander, que saiu da Plebe em 2003. |
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Letra
Quem tem a razão? Esclarece por favor Justiça é tão bela Eu só sei... adeus Quem escutar então? Esclarece por favor Uma crença ajudaria Eu só sei... adeus Aceitar ou não? Esclarece por favor |
História
Ao contrário da crença popular, A Ida não tem nada a ver com a ópera Aida. Esta música foi feita para um amigo do Philippe, Alexei Farias, que foi atropelado por um barco na Barra da Tijuca, no Rio, acidente que lhe causou a morte. Estudante de oceonografia numa faculdade carioca, ele estava mergulhando dentro da faixa de segurança imposta pela guarda costeira. Um barco em alta velocidade a menos de cem metros da praia, o atropelou. Um amigo que estava com ele conseguiu puxar o Alexei até a praia, mas ele não sobreviveu aos ferimentos. Esta música foi um parto para o Philippe, que não estava se acostumando com a vida no Rio. Ele não estava se adaptando à cidade e se sentia muito sozinho. Tinha a idéia básica da música por mêses, mas não conseguia expressar o seu pesar pela primeira pessoa próximo a ele que faleceu, três anos antes. No encarte duplo do disco, a letra de A Ida é dedicada ao Alexei. Num show em Nitéroi, no estado do Rio, a irmã do Alexei foi ao show e a música foi dedicada à sua família. Violão, tambores, e uma orchestra de 22 pessoas. É a favorita de muitos críticos. Um critico paulista chegou a confidenciar à banda que ele achou a música uma das mais bonitas que tinha ouvido em toda sua vida. Durante a gravação das cordas, o Herbert e o Philippe se enfiaram no canto da sala imensa do estúdio 1 da EMI e ouviram a orquestra com lágrimas no olhos. A Ida virou música de trabalho e teve dois clips gravados, sendo um para o Fantastico. Até hoje é uma das mais requisitadas em shows. |
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Letra
Ontem fez cem anos Tem um outro lugar Ninguém pode calar Tire a mordaça Demoraria mais de cem anos Mas existe um outro lugar Esse retrocesso Tem um outro lugar Um ideal que se agarra Ontem fez cem anos Tem um outro lugar Demoraria mais de cem anos Mas existe um outro lugar |
História
Na véspera dos cem anos da abolição da ecravidão no Brasil, Philippe escreveu esta canção, inspirado na canção "Biko" do Peter Gabriel. A música tinha acabado de ser regravada para a trilha do filme "Cry Freedom", narrando a trajetoria do ativista anti-apartheid Stephan Biko, morto pela policia sul-africana. Por pouco não foi escolhida como música de trabalho, mas os programadores de rádio, que as gravadoras começavam a convidar para ajudar na escolha de músicas de trabalho, acharam a introdução longa demais. A influência dos programadores provávelmente foi uma das piores coisas que poderia ter acontecido à música brasileira, e foi nessa época que a prática foi consolidada. Mais uma vez, os Plebeus chamaram Jaques Moremlembaum para tocar, mas desta vez o arranjo era simples, acentuando o dedilhado de violao de nylon do Philippe. O instrumental do meio foi usado como introdução do show durante a excursão inteira e nao volta da Plebe em 1999. |
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Letra
Há uma espada sobre a minha cabeça Que eu tenho que trabalhar Há uma espada sobre a minha cabeça Que a minha vitória é a derrota de alguém |
História
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Letra
No olho do furacão esta calma Não tente explicar a tempestade De cima do altar é estranho Você sabe que não estou aqui para converter Se você falar mentiras sobre a gente É! Não olhe para mim É! Não me acuse! Não vou rezar pra infiéis Olhe em volta, veja os danos feito pelo vento Não tente explicar a tempestade Se você quiser entender olhe em volta Você sabe que não estou aqui para converter Se você falar mentiras sobre a gente |
História
Desde a época que Minha Renda foi composta, a Plebe tinha uma música com o refrão completo de "se você falar mentiras sobre a gente, falamos a verdade sobre você." O resto da canção era completamente diferente. Ninguém da banda lembra como era, e a idéia ficou arquivada por 4 anos. A EMI estava pressionando a banda a gravar o segundo disco, e num final de tarde chuvoso, daquela chuva torrencial que inunda todo o Rio, Philippe estava na casa do André. Só que a chuva não parava nunca e Philippe teve que passar a noite por lá. Inspirados no filme Rude Boy, do Clash, que assistiram em vídeo, traçaram a música, um desabafo sobre toda a pressão que estavam passando com a exposição, do sentimento estranho de estar no olho público e das críticas que começavam a ser não tão positivas como antes. Com uma audição mais atenciosa da para perceber que a frase "vejo muitos sorrisos, e um é falso," é seguido de um membro não idêntificado da banda falando "o horror" (1m17s dentro da faixa em CD). Depois de homenagear o Herbert no primeiro disco, em Minha Renda, agora seria a vez do crítico paulista, Alex Antunes. Nos primeiros shows da banda em São Paulo, dois anos antes de gravar o primeiro disco, as vezes a Plebe dividia o palco com a sua banda, o Número 2, na qual cantava. Eles tinham uma música que citava o filme Apocalypse Now (Apocalipse) aonde o Alex narrava "o horror." Sempre que a banda o encontrava, ou se referia a ele, eles sorriam e o imitavam, falando "O horror." O Antunes vivia dizendo que adorava a Plebe, que Bravo Mundo Novo era uma das melhores músicas do rock brasileiro, que coincidentamente está no mesmo disco. É uma piada pessoal que a banda, até hoje, não sabe se ele pegou. Mentiras por Enquanto não tinha título até a hora da mixagem. A banda a chamava de 'Mentiras,' mas o Finis Africae já tinha uma música com esse nome. O Renato Luiz, técnico de gravação perguntava sempre, "Afinal, qual é o nome desta música?" A banda respondia, é "Mentiras, por enquanto". E assim ficou. Foi a última faixa do disco Nunca fomos tão Brasileiros. |
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Letra
Go Johnny, go! Johnny vai à guerra outra vez Ele era apenas uma pequena ilha de luz na escuridão Festa cheia de soldados que insistem em batalhar Ele não teme o interrogatório, mas as drogas podem fazê-lo falar Johnny vai à guerra outra vez Você os ouve? Estão lá fora! E a trégua quanto tempo que eu espero Agora a noite terminou E a trégua não vem nunca! |
História
Talvez a musica mais poderosa que a Plebe já fez, é a faixa preferida dos 'plebeus' mais ardorosos. Gravado com apenas uma guitarra, baixo e bateria (assim como Brasília e Sexo e karatê) pois o Jander só cantava quando a música foi feita, Johnny se tornou obrigatório nos shows. Até quando Philippe Seabra estreou o seu Daybreak Gentlemen em Nova Iorque em 1997, os Plebeus que habitavam lá a exigiram. É claro que a banda nova de Philippe estava preparada, mesmo não entendendo o que ele estava cantando, e a platéia veio abaixo. Depois do show, Philippe brincava com os amigos americanos dele "Viu? Não te falei que eu era um rock star no Brasil!" A letra da música faz uma comparação a uma saída noturna de um adolescente com uma batalha. Indo para a guerra, no sentido de lutar contra suas frustrações, sua timidez e, também, os preconceitos contra ele pos se vestir diferente. Nessa "batalha" também está incluído o esforço para ser aceito como é, fugir das drogas, fazer parte de grupos, etc. |
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Letra
Um pouco além de notícias de jornal O que tens que evitar é se acustomar O poder do sim ou não O absurdo e essa indecisão É o caminho ao voto popular O poder do sim ou não |
História
Plebiscito abria o terceiro disco da banda com uma porrada logo de cara, uma temática do que era de se esperar de uma banda de Brasília: simples e honesto. Sem muita imaginação, quase todos os críticos que escreviam sobre a Plebe usavam os termos "direto à jugular" ou "metralhadora giratória," mas convenhamos, Plebiscito nao os dava muita escolha. |
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Letra
Você me prometeu um apartamento em Ipanema Ambição - grana, fama e você Tenho fazer sucesso antes que seja tarde Tocar no Chacrinha ou na televisão Você me comprou, pôs meu talento a venda Ambição - grana, fama e você Ele trocam minhas letras, mudam a harmonia Estar no Chacrinha ou na televisão Grana, fama e você! Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo (fundo!) Ambição - grana, fama e você Não sei o que fazer, grana tá difícil Estar no Chacrinha ou na televisão (a minha renda) A minha renda! |
História
Composta em 83, a música na verdade começou como um protesto sobre falsos punks. No lugar do que viraria "Você me prometeu,'" Philippe e o André escreveram "a sua ideologia, não está na cabeça, a sua ideologia, está na tua camiseta..." E no lugar do futuro "Grana - fama - e você," escreveram "Eu não - quero - me vender." Esta versão nunca foi apresentada ao resto da banda, por motivos óbvios. A letra de Minha Renda era muito mais madura, mas foi o mais 'irreverente' que a Plebe já chegou. O tema saiu da raiva da Plebe de ver grupos como os Paralamas, que todo mundo adorava em BSB, gravando só porque estavam no Rio. Brasília era o maior fim de mundo e a letra refletia esse sentimento de isolamento, mas foi justamente por causa disso que Plebe, Legião e Capital soavam tão únicos. Composta em 83, em cima de uma peça instrumental do Philippe, a música começou a chamar atenção. Através de amigos em comum, os Paralamas ouviram a respeito, e quando a Plebe foi tocar pela primeira vez no Rio, no lendário Circo Voador, eles abriram para a Legião (curiosamente, o primeiro show da Legião foi abrindo para a Plebe em Patos de Minas) que estava abrindo para os Paralamas, curtindo o recém sucesso de Óculos. Na passagem de som, o Herbert esperava de braços cruzados no meio do Circo para escuta - lá. Foi a segunda vez que os Plebeus se encontraram com o ele. A primeira vez foi na sala de ensaio no Brasília Rádio Center, que dividiam com a Legião e o XXX. O Herbert usou um pedal Flanger do Philippe e ligou acidentalmente na tomada sem transformador (Brasília é 220 Volts), mas não falou nada. A primeira coisa que o Herbert disse ao Philippe, antes de escutar a música foi "que papo é esse que queimei o seu pedal?" O Philippe ficou sem graça. Eles subiram ao palco para passar o som e tocaram a Minha renda... "Vou mudar meu nome para Herbert Vianna." Desceram do palco sem saber a sua reação e o Herbert estava todo sorridente. Viraram amigos e ele acabou produzindo os dois primeiros discos da banda. Ele também cantou esta frase no disco, e participou do clipe do Fantástico. Anos depois o Herbert admitiu que foi ele quem queimou o pedal e pediu desculpas. Esse tempo todo, o Philippe pôs a culpa no Iko Ouro Preto, irmão de Dinho do Capital, e guitarrista do extinto Aborto Elétrico. Coitado. A partir daí, dependendo de qual Paralamas estava num show da Plebe, cantavam "Já sei o que vou fazer pra ganhar muito dinheiro, vou mudar meu nome para o Bi Ribeiro" ou "Já sei o que vou fazer pra ter fama e um nome, vou mudar meu nome para o João Barone." Ironicamente, a EMI queria que essa canção fosse a primeira musica de trabalho para apresentar a Plebe ao público brasileiro. Primeira faixa do lado B do disco (não existiam CDs no mercado brasileiro ainda), é curioso a menção de um compacto na letra, pois quando o Concreto foi lançado, as gravadoras já não imprimiam mais compactos para venda. Plebe Rude nunca teve um. O clipe do Fantástico, dirigido pelo Jodele Larcher, foi apresentado no programa pelo Herbert. Este clip, mesmo no formato da Globo, ficou bem feito. Herbert, de terno com aquele fundo habitual que aparece atrás dos apresentadores do programa, falou do explosivo movimento de bandas de Brasília, e de um grupo que ele produziu. O clipe abre com o André ouvindo um fictício produtor musical que o manda, com "Take Um, valendo," a subir no palco, aonde o resto do grupo o esperava. O produtor então pega um rapaz e tenta o moldar num artista comercial. Ele mudava o figurino dele, de punk a sertanejo a brega repetidas vezes enquanto que o grupo tocava num palco de frente de uma parede de tijolos falsos. Antes da gravação, a banda foi dado tinta spray para tornar o set mais 'rude' e picharam um grande 'A' de anarquia. (Ironicamente, na semana seguinte, a Tetê Espindola apareceu com um clip no Fantástico usando o mesmo cenário!) O Philippe tocava um violão Ovation emprestado e o André X estava tocando com o baixo pendurado na altura dos joelhos. No meio da música, quando o rapaz canta "Já sei o que fazer para ganha muita grana..." a câmera dá um close nele. O rapaz vira o Herbert que canta "vou mudar meu nome para Herbert Vianna!" Anos antes do vídeo do Michael Jackson "Black and white," a Plebe inventou o efeito 'morphing.' O clip termina com o rapaz se revoltando e descendo o cacete no produtor, que no final diz "Não Valeu!" e para a surpresa da banda que não sabia que iria ao ar esse detalhe, o Herbert aparece com o mesmo fundo do Fantástico do começo e respondeu "Valeu sim!" Foi assim que o Brasil foi introduzida a Plebe. Ironicamente, nenhum dos integrantes da banda, quando mudaram para o Rio, morou em Ipanema. E muito menos compraram iates. Anos mais tarde, fã confesso da banda, Marcelo D2 usou trechos da letra sem dar credito a banda na música “Em busca da batida perfeita” no disco homônimo de 2003: “João e Maria, cheio de regalia Iate em Botafogo, apartamento em Ipanema |
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Letra
Não é nossa culpa Com tanta riqueza por ai Até quando esperar? E cadê a esmola Até quando esperar? Posso, vigiar o seu carro, te pedir cigarro, engraxar o seu sapato? Até quando esperar? |
História
Feita em cima da frase do André X "com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração?" Philippe completou a letra em 84. Nesta época o grupo ensaiava debaixo da piscina do centro Olímpico em Brasília, numa sala que conseguiram através da Camila, primeira empresária do grupo, indiretamente iluminada pela luz que vinha dos vidros sub-aquáticos. Na verdade a música, que virou hino, era uma espécie de auto crítica, pois falava de justiça social enquanto o grupo morava na ilha da fantasia que era Brasília. "Não e nossa culpa, nascemos já com uma benção..." Mas também foi um dos protestos mais fortes da má distribuição de renda no país jamais feito. A primeira vez que ela foi tocada foi num festival no Ginásio de Esportes em Brasília junto com a Legião Urbana e o Ultraje a Rigor. Legião ainda não havia gravado o primeiro disco, mas quem viu o show (a Plebe foi a banda de abertura no Ginásio com mais de 5 mil pessoas; o maior público até então da Plebe - apesar de que poucos estavam ali por causa da banda e da Legião, Ultraje estava no auge), viu que o rock de Brasília estava prestes a estourar. Quando foi gravado, 16 canais foram suficientes para essa música simples, mas foi o poder dela que fez que as rádios naturalmente escolherem-na para tocar primeiro. A música escolhida para ser a música de trabalho foi A minha renda, com direito a clipe do Fantástico. Mesmo assim Até Quando virou sucesso e o rock de Brasília passou a ter a fama que tem, ainda mais com o Capital Inicial, morando em São Paulo, também estourado. Um clipe, na mesma casa aonde foi tirado a foto da capa do Concreto Já Rachou, foi filmado, com direção do José Emilio Rondeau. A idéia do cello foi de Herbert, que chamou Jaques Morelembaum, então arranjador de Tom Jobim. Numa sessão rápida, foi gravado o que é considerado um dos 'riffs' mais reconhecíveis do rock Brasil. Mas a música não tinha o cello no começo sozinho. Só quando a música estava sendo mixada e o Renato Luiz, o fenomenal técnico de gravação, 'solou' o canal do cello para poder equaliza-lá, e a banda sugeriu que fosse gravado numa fita separada do resto dos instrumentos, e colada na frente. Dito e feito. Mas se os 'headphones' do Jaques estivessem um pouco mais alto, não seria possível isolar o som do cello e o começo da música seria como fora intencionada. A banda deixou-o solar um pouco na parte do meio, e ele até complementa o solo de guitarra do Philippe, considerados um dos mais fortes gravados do Rock nacional. Foi a primeira vez que o Herbert vestiu seriamente a camisa de produtor, e fez um belíssimo trabalho. O Herbert recebeu um disco de ouro por sua participação e até hoje este é considerado um dos seus melhores trabalhos. Lulu Santos, Paralamas, Cólera, Tantra e Capital Inicial, sem mencionar inúmeras bandas 'cover,' já tocaram a música ao vivo. É um clássico. A Universidade de Brasília usava a música para ilustrar a desigualdade social no Brasil para os alunos de certas matérias. |
