Plebe Rude

Plebe Rude :: Para Sempre
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Para Sempre
1 - Proteção
protecao2.mp3
8-para_sempre-2001.jpg
Proteção
Música e letra: Philippe Seabra
Letra

Será verdade, será que não
nada do que posso falar
e tudo isso prá sua protecao
nada do que posso falar

A PM na rua, a guarda nacional
nosso medo suas armas, a coisa não tá mal
a instituição esta aí para a nossa protecao

Pra a sua proteção

Tanques lá fora, exército de plantão
apontados aqui pro interior
e tudo isso para sua proteção
pro governo poder se impor

A PM na rua, nosso medo de viver
um consolo é que eles vão me proteger
a unica pergunta é: me proteger do que?

Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão

Tropas de choque, PM's armados
mantêm o povo no seu lugar
Mas logo é preso, ideologias marcadas
se alguém quiser se rebelar

Oposição reprimida, radicais calados
toda a angustia do povo é silenciada
Tudo pra manter a boa imagem do Estado!

Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão

Armas poilidas, os canos se esquentam
esperando a sua função
exército brabo e o governo lamenta
que o povo aprendeu a dizer não

Até quando o Brasil vai poder suportar?
Código penal não deixa o povo rebelar
Autarquia baseados em armas não dá
E tudo isso é para a sua segurança

Para a sua segurança

História

A emenda Dante de Oliveira para as Diretas Já tinha acabado de ser recusada pelo Congresso. Quando o país inteiro ligou a televisão a noite para ver o tão esperado resultado, o Cid Moreira apareceu no Jornal Nacional com uma reportagem sobre o aniversário da ocupação Soviética no Afeganistão, que durou 15 minutos. E só. Estado de sítio, pela primeira vez em anos, foi decretado. Jornalistas apanharam e foram presos. Brasília foi isolada do resto do país com o exército na rua.

Philippe tinha uma canção sem letra, e estava tentando fazer uma letra de 'amor' pois estava apaixonado pela primeira namorada, mas nada saía. Não teria jeito, a Plebe nunca conseguiu fazer uma letra de amor, com a exceção, anos mais tarde , de Quando a música terminar, do Mais raiva do que medo, e de talvez uma parte de 2a feriado, do Plebe Rude III. A letra de Proteção veio num instante, e foi um feito e tanto gravar a música dois anos depois e apresenta - lá no Chacrinha várias vezes sem a intervenção da censura federal. Anos antes, uma música da Blitz (também artistas da EMI) não só foi censurada para execução em rádio, como todos os discos, e não eram poucos, já prensados, foram recolhidos. A faixa foi aranhada manualmente, disco por disco, para evitar que o público a ouvisse de qualquer maneira. Mas ao contrário de Proteção, seu conteúdo era sexualmente explicito, não político. Os Plebeus não sabiam o que esperar. Muito menos o sucesso estrondoso da faixa, que não só dominou a rádio por meses, mas levou a Plebe ao disco a Ouro.

O sucesso da música foi tanto que, para evitar um 'remix' ridículo, pratica comum na época para prolongar a vida útil de rádio de uma faixa, a Plebe Rude entrou mais uma vez em estúdio para gravar a versão que a banda estava atualmente tocando ao vivo, Proteção II, a missão (uma brincadeira em cima de Rambo II, a missão, do filme recém lançado). Uma versão 'remix' de Até Quando foi feita sem o conhecimento nem aval da banda, mas para o seu alívio, poucas pessoas a ouviram. Anos mais tarde, Proteção II foi incluída no Nunca fomos tão brasileiros que vinha dentro do box set da Plebe Rude, o Portfólio, lançado em 1997, sem nenhuma menção.

O clipe, o que é considerado o melhor da banda, foi feito num galpão no centro do Rio. A banda tocou a música, intercalado com imagens de repressão policial e militar. No fundo, sombras de soldados e de monumentos de Brasília eram projetadas num fundo branco. No final, um par de algemas eram jogadas no chão e até o Partido Socialista brasileiro, com o slogan 'Tortura Nunca Mais' queria usar a música para a sua campanha. Mas a única vez que a banda autorizou algum partido a usar uma de suas obras foi quando o Partido Comunista foi legalizado e tiveram o seu primeiro horário gratuito televisionado nacionalmente em 87, com um minuto da faixa Brasília, última faixa do Concreto já rachou.

Para Sempre
2 - Até Quando Esperar
ate_quando_esperar.mp3
8-para_sempre-2001.jpg
Até Quando Esperar
Música: Philippe Seabra, André X e Gutje / Letra: Philippe Seabra e André X
Letra

 

Não é nossa culpa
nascemos já com uma benção
mas isso não é desculpa
pela má distribuição

Com tanta riqueza por ai
onde é que esta, cadê sua fração?
Até quando esperar?

E cadê a esmola
que nos damos sem perceber
que aquele abençoado
poderia ter sido você

Até quando esperar?
A plebe ajoelhar esperando a ajuda de Deus

Posso, vigiar o seu carro, te pedir cigarro, engraxar o seu sapato?

Até quando esperar?
A plebe ajoelhar esperando a ajuda do divino Deus

 

História

Feita em cima da frase do André X "com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração?" Philippe completou a letra em 84. Nesta época o grupo ensaiava debaixo da piscina do centro Olímpico em Brasília, numa sala que conseguiram através da Camila, primeira empresária do grupo, indiretamente iluminada pela luz que vinha dos vidros sub-aquáticos. Na verdade a música, que virou hino, era uma espécie de auto crítica, pois falava de justiça social enquanto o grupo morava na ilha da fantasia que era Brasília. "Não e nossa culpa, nascemos já com uma benção..." Mas também foi um dos protestos mais fortes da má distribuição de renda no país jamais feito.

A primeira vez que ela foi tocada foi num festival no Ginásio de Esportes em Brasília junto com a Legião Urbana e o Ultraje a Rigor. Legião ainda não havia gravado o primeiro disco, mas quem viu o show (a Plebe foi a banda de abertura no Ginásio com mais de 5 mil pessoas; o maior público até então da Plebe - apesar de que poucos estavam ali por causa da banda e da Legião, Ultraje estava no auge), viu que o rock de Brasília estava prestes a estourar.
Quando foi gravado, 16 canais foram suficientes para essa música simples, mas foi o poder dela que fez que as rádios naturalmente escolherem-na para tocar primeiro. A música escolhida para ser a música de trabalho foi A minha renda, com direito a clipe do Fantástico. Mesmo assim Até Quando virou sucesso e o rock de Brasília passou a ter a fama que tem, ainda mais com o Capital Inicial, morando em São Paulo, também estourado. Um clipe, na mesma casa aonde foi tirado a foto da capa do Concreto Já Rachou, foi filmado, com direção do José Emilio Rondeau.
A idéia do cello foi de Herbert, que chamou Jaques Morelembaum, então arranjador de Tom Jobim. Numa sessão rápida, foi gravado o que é considerado um dos 'riffs' mais reconhecíveis do rock Brasil. Mas a música não tinha o cello no começo sozinho. Só quando a música estava sendo mixada e o Renato Luiz, o fenomenal técnico de gravação, 'solou' o canal do cello para poder equaliza-lá, e a banda sugeriu que fosse gravado numa fita separada do resto dos instrumentos, e colada na frente. Dito e feito. Mas se os 'headphones' do Jaques estivessem um pouco mais alto, não seria possível isolar o som do cello e o começo da música seria como fora intencionada. A banda deixou-o solar um pouco na parte do meio, e ele até complementa o solo de guitarra do Philippe, considerados um dos mais fortes gravados do Rock nacional.
Foi a primeira vez que o Herbert vestiu seriamente a camisa de produtor, e fez um belíssimo trabalho. O Herbert recebeu um disco de ouro por sua participação e até hoje este é considerado um dos seus melhores trabalhos.
Lulu Santos, Paralamas, Cólera, Tantra e Capital Inicial, sem mencionar inúmeras bandas 'cover,' já tocaram a música ao vivo. É um clássico. A Universidade de Brasília usava a música para ilustrar a desigualdade social no Brasil para os alunos de certas matérias.

Feita em cima da frase do André X "com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração?" Philippe completou a letra em 84. Nesta época o grupo ensaiava debaixo da piscina do centro Olímpico em Brasília, numa sala que conseguiram através da Camila, primeira empresária do grupo, indiretamente iluminada pela luz que vinha dos vidros sub-aquáticos. Na verdade a música, que virou hino, era uma espécie de auto crítica, pois falava de justiça social enquanto o grupo morava na ilha da fantasia que era Brasília. "Não e nossa culpa, nascemos já com uma benção..." Mas também foi um dos protestos mais fortes da má distribuição de renda no país jamais feito.

A primeira vez que ela foi tocada foi num festival no Ginásio de Esportes em Brasília junto com a Legião Urbana e o Ultraje a Rigor. Legião ainda não havia gravado o primeiro disco, mas quem viu o show (a Plebe foi a banda de abertura no Ginásio com mais de 5 mil pessoas; o maior público até então da Plebe - apesar de que poucos estavam ali por causa da banda e da Legião, Ultraje estava no auge), viu que o rock de Brasília estava prestes a estourar.

Quando foi gravado, 16 canais foram suficientes para essa música simples, mas foi o poder dela que fez que as rádios naturalmente escolherem-na para tocar primeiro. A música escolhida para ser a música de trabalho foi A minha renda, com direito a clipe do Fantástico. Mesmo assim Até Quando virou sucesso e o rock de Brasília passou a ter a fama que tem, ainda mais com o Capital Inicial, morando em São Paulo, também estourado. Um clipe, na mesma casa aonde foi tirado a foto da capa do Concreto Já Rachou, foi filmado, com direção do José Emilio Rondeau.
A idéia do cello foi de Herbert, que chamou Jaques Morelembaum, então arranjador de Tom Jobim. Numa sessão rápida, foi gravado o que é considerado um dos 'riffs' mais reconhecíveis do rock Brasil. Mas a música não tinha o cello no começo sozinho. Só quando a música estava sendo mixada e o Renato Luiz, o fenomenal técnico de gravação, 'solou' o canal do cello para poder equaliza-lá, e a banda sugeriu que fosse gravado numa fita separada do resto dos instrumentos, e colada na frente. Dito e feito. Mas se os 'headphones' do Jaques estivessem um pouco mais alto, não seria possível isolar o som do cello e o começo da música seria como fora intencionada. A banda deixou-o solar um pouco na parte do meio, e ele até complementa o solo de guitarra do Philippe, considerados um dos mais fortes gravados do Rock nacional.

Foi a primeira vez que o Herbert vestiu seriamente a camisa de produtor, e fez um belíssimo trabalho. O Herbert recebeu um disco de ouro por sua participação e até hoje este é considerado um dos seus melhores trabalhos.

Lulu Santos, Paralamas, Cólera, Tantra e Capital Inicial, sem mencionar inúmeras bandas 'cover,' já tocaram a música ao vivo. É um clássico. A Universidade de Brasília usava a música para ilustrar a desigualdade social no Brasil para os alunos de certas matérias.

Para Sempre
3 - Minha Renda
minha_renda.mp3
8-para_sempre-2001.jpg
Minha Renda
Música: Philippe Seabra / Letra: Plebe Rude
Letra

Você me prometeu um apartamento em Ipanema
Iate em Botafogo, se eu entrasse no esquema
contrato milionário, grana, fama e mulheres
a música não importa, o importante é a renda!

Ambição - grana, fama e você
Ambição - grana, fama e você

Tenho fazer sucesso antes que seja tarde
Eles acham que eu vendo, eu tenho uma boa imagem
o meu produtor, ele gosta de mim
grana vale mais que a minha dignidade

Tocar no Chacrinha ou na televisão
tudo isso ajuda pra minha divulgação
isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!

Você me comprou, pôs meu talento a venda
você me ensinou que o importante é a renda
contrato milionário, grana, fama e mulheres
a música não importa, o importante é a renda!

Ambição - grana, fama e você
Ambição - grana, fama e você

Ele trocam minhas letras, mudam a harmonia
no compacto esta escrito que a música é minha
ja sei o que vou fazer pra ganhar muita grana
vou mudar meu nome para Herbert Vianna

Estar no Chacrinha ou na televisão
tudo isso ajuda pra minha divulgação
isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!

Grana, fama e você!

Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo (fundo!)
minha letra é muito forte? Se quiser eu a mudo
e tem que ter refrão (sim!) um refrão repetido (repetido!)
pra música vender, tem que ser accessivel!

Ambição - grana, fama e você
Ambição - grana, fama e você

Não sei o que fazer, grana tá difícil
tenho que me formar e nem escolhi um ofício
Você é músico, não é revolucionário!
Faça o que eu te digo que te faço milionário!

Estar no Chacrinha ou na televisão (a minha renda)
tudo isso ajuda pra minha divulgação (a minha renda)
isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!

A minha renda!

História

Composta em 83, a música na verdade começou como um protesto sobre falsos punks. No lugar do que viraria "Você me prometeu,'" Philippe e o André escreveram "a sua ideologia, não está na cabeça, a sua ideologia, está na tua camiseta..." E no lugar do futuro "Grana - fama - e você," escreveram "Eu não - quero - me vender." Esta versão nunca foi apresentada ao resto da banda, por motivos óbvios. A letra de Minha Renda era muito mais madura, mas foi o mais 'irreverente' que a Plebe já chegou.

O tema saiu da raiva da Plebe de ver grupos como os Paralamas, que todo mundo adorava em BSB, gravando só porque estavam no Rio. Brasília era o maior fim de mundo e a letra refletia esse sentimento de isolamento, mas foi justamente por causa disso que Plebe, Legião e Capital soavam tão únicos.

Composta em 83, em cima de uma peça instrumental do Philippe, a música começou a chamar atenção. Através de amigos em comum, os Paralamas ouviram a respeito, e quando a Plebe foi tocar pela primeira vez no Rio, no lendário Circo Voador, eles abriram para a Legião (curiosamente, o primeiro show da Legião foi abrindo para a Plebe em Patos de Minas) que estava abrindo para os Paralamas, curtindo o recém sucesso de Óculos. Na passagem de som, o Herbert esperava de braços cruzados no meio do Circo para escuta - lá. Foi a segunda vez que os Plebeus se encontraram com o ele. A primeira vez foi na sala de ensaio no Brasília Rádio Center, que dividiam com a Legião e o XXX. O Herbert usou um pedal Flanger do Philippe e ligou acidentalmente na tomada sem transformador (Brasília é 220 Volts), mas não falou nada. A primeira coisa que o Herbert disse ao Philippe, antes de escutar a música foi "que papo é esse que queimei o seu pedal?" O Philippe ficou sem graça. Eles subiram ao palco para passar o som e tocaram a Minha renda... "Vou mudar meu nome para Herbert Vianna." Desceram do palco sem saber a sua reação e o Herbert estava todo sorridente. Viraram amigos e ele acabou produzindo os dois primeiros discos da banda. Ele também cantou esta frase no disco, e participou do clipe do Fantástico. Anos depois o Herbert admitiu que foi ele quem queimou o pedal e pediu desculpas. Esse tempo todo, o Philippe pôs a culpa no Iko Ouro Preto, irmão de Dinho do Capital, e guitarrista do extinto Aborto Elétrico. Coitado.

A partir daí, dependendo de qual Paralamas estava num show da Plebe, cantavam "Já sei o que vou fazer pra ganhar muito dinheiro, vou mudar meu nome para o Bi Ribeiro" ou "Já sei o que vou fazer pra ter fama e um nome, vou mudar meu nome para o João Barone."

Ironicamente, a EMI queria que essa canção fosse a primeira musica de trabalho para apresentar a Plebe ao público brasileiro. Primeira faixa do lado B do disco (não existiam CDs no mercado brasileiro ainda), é curioso a menção de um compacto na letra, pois quando o Concreto foi lançado, as gravadoras já não imprimiam mais compactos para venda. Plebe Rude nunca teve um.

O clipe do Fantástico, dirigido pelo Jodele Larcher, foi apresentado no programa pelo Herbert. Este clip, mesmo no formato da Globo, ficou bem feito. Herbert, de terno com aquele fundo habitual que aparece atrás dos apresentadores do programa, falou do explosivo movimento de bandas de Brasília, e de um grupo que ele produziu. O clipe abre com o André ouvindo um fictício produtor musical que o manda, com "Take Um, valendo," a subir no palco, aonde o resto do grupo o esperava. O produtor então pega um rapaz e tenta o moldar num artista comercial. Ele mudava o figurino dele, de punk a sertanejo a brega repetidas vezes enquanto que o grupo tocava num palco de frente de uma parede de tijolos falsos. Antes da gravação, a banda foi dado tinta spray para tornar o set mais 'rude' e picharam um grande 'A' de anarquia. (Ironicamente, na semana seguinte, a Tetê Espindola apareceu com um clip no Fantástico usando o mesmo cenário!) O Philippe tocava um violão Ovation emprestado e o André X estava tocando com o baixo pendurado na altura dos joelhos.

No meio da música, quando o rapaz canta "Já sei o que fazer para ganha muita grana..." a câmera dá um close nele. O rapaz vira o Herbert que canta "vou mudar meu nome para Herbert Vianna!" Anos antes do vídeo do Michael Jackson "Black and white," a Plebe inventou o efeito 'morphing.'

O clip termina com o rapaz se revoltando e descendo o cacete no produtor, que no final diz "Não Valeu!" e para a surpresa da banda que não sabia que iria ao ar esse detalhe, o Herbert aparece com o mesmo fundo do Fantástico do começo e respondeu "Valeu sim!" Foi assim que o Brasil foi introduzida a Plebe.

Ironicamente, nenhum dos integrantes da banda, quando mudaram para o Rio, morou em Ipanema. E muito menos compraram iates.
Mas apresentaram a música no Chacrinha...

Anos mais tarde, fã confesso da banda, Marcelo D2 usou trechos da letra sem dar credito a banda na música “Em busca da batida perfeita” no disco homônimo de 2003:

“João e Maria, cheio de regalia
Entrou no conto do canalha que fazia e acontecia
Agora é artista não se mistura cá plebe
Domingo no Faustão Terça-feira na Hebe

Iate em Botafogo, apartamento em Ipanema
Uma vida de bacana se eu entrasse pro esquema
Mas eu busco na raiz e o natal que eu sempre quis
Não é um saco de dinheiro que me deixa feliz”

Para Sempre
4 - Brasília
brasilia.mp3
8-para_sempre-2001.jpg
Brasília
Música e Letra: Plebe Rude
Letra

Capital da esperança
Asas e eixos do Brasil
Longe do mar, da poluição
mas um fim que ninguém previu

Carros pretos nos colégios
em tráfego linear
Servidores Públicos ali
polindo chapas oficiais

Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais

As luzes iluminam
os carros só passam
A morte traz vida
e s baratas se arrastam

O concreto já rachou!
Brasília, Brasília, Brasília

Os prédios se habitam
as maquinas param
as árvores enfeitam
e a polícia controla

Os comércios só vendem
os porteiros só olham

E essas pessoas
elas não fazem nada
mas essas pessoas elas não fazem nada
Nada! Nada!

Brasília tem luz
Brasília tem carros
Brasília tem mortes
Tem até baratas

Brasília tem prédios
Brasília tem máquinas
Árvores nos eixos
a polícia montada

 

Utopia na mente de alguns
Utopia na mente de alguns

 


Utopia na mente de alguns
Utopia na mente de alguns

 

 

Brasília, Brasília...

História

Marca registrada das 'duas vozes' da Plebe, Brasília virou um clássico instantâneo, de aonde saiu o título do primeiro disco, O Concreto já Rachou. Para alguns, a música mais poderosa que a Plebe já fez. A música tinha duas linhas melódicas, com o Jander cantando coisas diferentes ao mesmo tempo que o Philippe e fazia menção aos privilégios de alguns servidores públicos com a frase "carros pretos nos colégios," um retrato forte do que movia a cidade.

A Capital Federal tinha apenas 25 anos na época em que a música foi feita e as obras públicas da cidade já mostravam sinais de fadiga, passarelas de pedestres com o azulejo caindo e viadutos com sinais de stress evidentes. Isso, para a Plebe simbolizava a decadência da utopia forjada que era Brasília, toda a corrupção que desviava dinheiro da obras públicas para Deus sabe aonde.

O Concreto já Rachou inicialmente teria 6 músicas, mas o Herbert conseguiu convencer os executivos da EMI que Brasília era fundamental ao disco, e que a Plebe merecia a exceção. Senão, teria que ficar para o Nunca Fomos tão Brasileiros, egundo disco da banda.

Marca registrada das 'duas vozes' da Plebe, Brasília virou um clássico instantâneo, de aonde saiu o título do primeiro disco, O Concreto já Rachou. Para alguns, a música mais poderosa que a Plebe já fez. A música tinha duas linhas melódicas, com o Jander cantando coisas diferentes ao mesmo tempo que o Philippe e fazia menção aos privilégios de alguns servidores públicos com a frase "carros pretos nos colégios," um retrato forte do que movia a cidade.

A Capital Federal tinha apenas 25 anos na época em que a música foi feita e as obras públicas da cidade já mostravam sinais de fadiga, passarelas de pedestres com o azulejo caindo e viadutos com sinais de stress evidentes. Isso, para a Plebe simbolizava a decadência da utopia forjada que era Brasília, toda a corrupção que desviava dinheiro da obras públicas para Deus sabe aonde.

O Concreto já Rachou inicialmente teria 6 músicas, mas o Herbert conseguiu convencer os executivos da EMI que Brasília era fundamental ao disco, e que a Plebe merecia a exceção. Senão, teria que ficar para o Nunca Fomos tão Brasileiros, egundo disco da banda.

Para Sempre
5 - Johnny Vai à Guerra
johnny_vai_a_guerra.mp3
8-para_sempre-2001.jpg
Johnny Vai à Guerra
Música e letra: Plebe Rude
Letra

Go Johnny, go!

Johnny vai à guerra outra vez
diversão que ele conhece bem
Johnny vai à guerra outra vez
enquanto que a trégua não vem (não vem...)

Ele era apenas uma pequena ilha de luz na escuridão
sentado debaixo de um poste somente a pensar
Quem está lá fora? Ele queria saber.
O que a noite lhe espera? Ele procura saber. Saber!

Festa cheia de soldados que insistem em batalhar
por ausentes generais

Eles atacaram por trás com tapinhas na costas
ja se conheciam há muito tempo mas tinham que disfarçar
Trocarem papéis, informações falsas
Se esconderam atrás de sorrisos procurando vitórias. Vitórias!

Todos sabem a procedência, mas não seu destino
Vão para todos os lugares

Ele não teme o interrogatório, mas as drogas podem fazê-lo falar
revelar segredos sobre ele mesmo
que o tornaria vunerável demais

Johnny vai à guerra outra vez
diversão que ele conhece bem
Johnny vai à guerra outra vez
enquanto que a trégua não vem (não vem...)

Você os ouve? Estão lá fora!
Você os vê? Estão lá fora!
Seus aliados, estão lá fora!
Contra você!

E a trégua quanto tempo que eu espero
E a trégua quanto tempo que eu espero e não vem (não vem...)

Agora a noite terminou
mais uma batalha foi ganha
Mas ainda restam outras guerras
outros fins de semana
outros fins de semana

E a trégua não vem nunca!

História

Talvez a musica mais poderosa que a Plebe já fez, é a faixa preferida dos 'plebeus' mais ardorosos. Gravado com apenas uma guitarra, baixo e bateria (assim como Brasília e Sexo e karatê) pois o Jander só cantava quando a música foi feita, Johnny se tornou obrigatório nos shows. Até quando Philippe Seabra estreou o seu Daybreak Gentlemen em Nova Iorque em 1997, os Plebeus que habitavam lá a exigiram. É claro que a banda nova de Philippe estava preparada, mesmo não entendendo o que ele estava cantando, e a platéia veio abaixo. Depois do show, Philippe brincava com os amigos americanos dele "Viu? Não te falei que eu era um rock star no Brasil!"

A letra da música faz uma comparação a uma saída noturna de um adolescente com uma batalha. Indo para a guerra, no sentido de lutar contra suas frustrações, sua timidez e, também, os preconceitos contra ele pos se vestir diferente. Nessa “batalha” também está incluído o esforço para ser aceito como é, fugir das drogas, fazer parte de grupos, etc.

Talvez a musica mais poderosa que a Plebe já fez, é a faixa preferida dos 'plebeus' mais ardorosos. Gravado com apenas uma guitarra, baixo e bateria (assim como Brasília e Sexo e karatê) pois o Jander só cantava quando a música foi feita, Johnny se tornou obrigatório nos shows. Até quando Philippe Seabra estreou o seu Daybreak Gentlemen em Nova Iorque em 1997, os Plebeus que habitavam lá a exigiram. É claro que a banda nova de Philippe estava preparada, mesmo não entendendo o que ele estava cantando, e a platéia veio abaixo. Depois do show, Philippe brincava com os amigos americanos dele "Viu? Não te falei que eu era um rock star no Brasil!"

A letra da música faz uma comparação a uma saída noturna de um adolescente com uma batalha. Indo para a guerra, no sentido de lutar contra suas frustrações, sua timidez e, também, os preconceitos contra ele pos se vestir diferente. Nessa “batalha” também está incluído o esforço para ser aceito como é, fugir das drogas, fazer parte de grupos, etc.

Para Sempre
6 - Censura
censura.mp3
8-para_sempre-2001.jpg
Censura
Música: Philippe Seabra / Letra: Philippe Seabra e André X
Letra

Unidade repressora oficial

A censura, a censura
unica entidade que ninguém censura

Hora pra dormir
hora pra pensar
Porra meu papai
deixa me falar

Unidade repressora oficial

A censura, a censura
unica entidade que ninguém censura

Contra a nossa arte está a censura
abaixo a postura, viva a ditadura
Jardel com travesti, censor com bisturi
corta toda música que você não vao ouvir

Unidade repressora oficial

A censura, a censura
unica entidade que ninguém censura

Nada para ouvir, nada para ler
nada para mim, nada pra você
nada no cinema, nada na TV
nada para mim, nada pra você

Unidade repressora oficial
Unidade repressora oficial

História

A censura não era uma novidade para a Plebe. Na época da ditadura, toda música tinha quer ter permissão da Polícia Federal para ser apresentada ao vivo. Duas cópias de cada música tinham que ser enviadas ao Departamento de Censura Federal, que as vezes demorava meses para aprovação. Mas é claro que a Plebe não mandava as letras mais subversivas.

No verão de 83, Philippe passou um mês nos Estados Unidos com os seus irmãos, para ver se ele gostaria de se mudar para lá depois de se formar do segundo grau. Por causa disso, a Plebe perdeu a oportunidade de tocar no Rio pela primeira vez, junto com a Legião. Em Washington D.C., no porão da casa do seu irmão mais velho Alex, que tocava bateria, gravaram uma demo instrumental de uma música que o Philippe estava trabalhando, que viraria Censura. O André Pretorius, o primeiro punk de Brasília, guitarrista do Aborto Elétrico, na época morando em Washington, também tinha um quarto na casa e o porão era o seu estúdio. O Philippe e o seu irmão usaram o seu equipamento, mas não colocaram vocal. Foi o irmão do Philippe que apareceu com a ideia dos tambores nas partes de "unidade repressora oficial".

Philippe nasceu em Washington e se mudou para o Brasil com 9 anos de idade, e foi a primeira vez desde que saiu, que voltou a América. Ele não gostou muito dos EUA, estava com 16 anos e não conseguia se ver morando lá. E ele tinha a banda. Na volta, quando o avião fez escala no Rio, ele leu num jornal carioca uma entrevista com Nelson Motta ou o Caetano Veloso, que falou "ninguém censura a censura." Num outro caderno do mesmo jornal tinha uma materia sobre a polícia, que tinha subido um morro no dia anterior. Era chamada de unidade repressora oficial.

Poucas pessoas perceberam a menção do falecido ator Jardel Filho, "Jardel com travesti, censor com bisturi," que na época participava de um cena erótica com um travesti no filme Rio Babilônia, de Neville D'Almeida. O filme foi censurado e a cena teve que ser cortada, causando muita polêmica e a ameaça da volta da censura ao país. Anos depois, o Philippe conheceu o polêmico diretor no festival de Gramado, na epoca em que fazia trilha sonora para Cinema.

Censura foi a próxima música de trabalho depois de A Ida. Foi sucesso e por muito pouco não levou o Nunca fomos a disco de Ouro também. Mas, como era de se esperar, a música foi censurada. Ironicamente, num bom sinal que a abertura democrática estava acontecendo, não foi o tema da música que chamou a atenção dos censores, foi a palavra 'porra.' A banda não chegou a se assustar com isso, até tiveram mais exposição na imprensa. Logo foi liberada para execução e até tocaram a música várias vezes no Chacrinha, aonde uma vez o Jander passou uma rasteira no Russo, o 'curinga' do Abelardo 'Chacrinha' Barbosa e o Philippe foi até o mesa de jurados e beijou a mão da Luiza Brunet, lhe confessando que era seu maior fã.

Em noites de show mais descontraídos, o Jander as vezes cantava 'a fisura, única vontade que ninguém segura.' O André cantou o refrão errado durante anos sem saber, inserindo 'identidade' no lugar de 'entidade.'

Para Sempre
7 - Plebiscito
plebiscito.mp3
8-para_sempre-2001.jpg
Plebiscito
Música e letra: Plebe Rude
Letra
Um pouco além de notícias de jornal
um pouco aquém da situação atual
este absurdo já é tão constante
se você para por um instante

O que tens que evitar é se acustomar

O poder do sim ou não
as letras em negrito
quem cala consente, isso não
proponho um plebiscito

O absurdo e essa indecisão
tanto esforço para dar uma opinião
a plebe incita uma chance
se você para por um instante

É o caminho ao voto popular

O poder do sim ou não
as letras em negrito
quem cala consente, isso não
proponho um plebiscito

História

Plebiscito abria o terceiro disco da banda com uma porrada logo de cara, uma temática do que era de se esperar de uma banda de Brasília: simples e honesto. Sem muita imaginação, quase todos os críticos que escreviam sobre a Plebe usavam os termos "direto à jugular" ou "metralhadora giratória," mas convenhamos, Plebiscito nao os dava muita escolha.

Para Sempre
8 - Sexo e Karatê
sexo_e_karate.mp3
8-para_sempre-2001.jpg
Sexo e Karatê
Música: André X / Letra: André X e Jander Bilaphra
Letra
Sexo e karate na minha TV
me deixa tao doente que liguei pra voce
e atendeu um chinês que me falou em inglês
"que você não gosta mais de mim."

 Então eu volto pra TV
pra ver sexo e karatê
Lembrei de você
Liguei para um chinês que me lembrou outra vez
"que você não gosta mais de mim."

Que você não gosta mais de mim?

Sexo e karatê, Sexo e karatê, Sexo e karatê

Sexo e karatê, não quero mais ver
um uísque sem gelo e voltei pra TV
telefonei, falei com você
Está passando na Globo sexo e karatê

Pois eu também não gosto de você!

Sexo e karatê, Sexo e karatê, Sexo e karatê

História
Sexo e karatê, uma das primeiras músicas da Plebe, tinha o tempo metade da velocidade da gravação. O clima era bem 'The Cure' na sua primeira fase e se chamava "Gritos no escuro." Mas como os amigos da banda de Brasília não hesitavam em procurar semelhanças com grupos estrangeiros, dobraram o tempo, e mudaram a letra. 

Foi a única musica da Plebe com um gongo, que soa na introdução. A Fernanda Abreu, da então Blitz, gravou o "que você não gosta mais de mim" a convite do Herbert, o produtor do disco.

Para Sempre
9 - Luzes (ao vivo)
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Luzes
Letra
Luzes que piscam, gritam e avisam
Que chegou a hora que você sonhou
São anos de espera, que chegam ao fim
Um frio na espinha apesar do calor

 

Você se esforça para aparentar
toda a calma que lhe falta
O medo te assalta, tudo pode dar errado
Você esta apavorado, você esta em pânico
Mas agora não tem volta, algo te impulsiona
E as luzes coloridas não param de piscar

Nos seus sonhos tudo era perfeito
Rodolfo Valentino não faria melhor
Nos seus sonhos tudo era perfeito
Giovanni Casanova não faria melhor

Você olha seus amigos, que riem a vontade
porque que você não pode ser assim
Por trás do sorriso, se esconde o medo
E ele é tão grande quanto esse seu

Vocês tentam agir de maneira casual
como se isso fosse corriqueiro e banal
A verdade transparece no rosto de vocês
é mais que ululante que é a primeira vez

E agora que acabou, você nem reparou
que as luzes não piscam
com a mesma intensidade

Nos seus sonhos tudo era perfeito
Rodolfo Valentino não faria melhor

Nos seus sonhos tudo era perfeito

Giovanni Casanova não faria melhor
Rodolfo Valentino não faria melhor
Giovanni Casanova não faria melhor

Nos seus sonhos tudo era perfeito
Rodolfo Valentino não faria melhor
Nos seus sonhos tudo era perfeito
Giovanni Casanova não faria melhor
Rodolfo Valentino não faria melhor
Giovanni Casanova não faria melhor

História

Luzes foi outra homenagem incluída no Cd ao vivo, dessa vez para o finado Fejão, guitarrista lendário de Brasília, que tocou no Escola de Escândalos. Foi a música de trabalho escolhida pela gravadora, com direito à clipe do José Eduardo Belmonte. Uma canção permanente nos setlists dos shows, mesmo sendo uma temática tão ímpar para a Plebe. Não é todo dia que você vê os Plebeus cantando sobre a "primeira vez".

Para Sempre
10 - Voz do Brasil (ao vivo)
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Voz do Brasil
Letra: André X (música incidental: O Guarani)
Letra
Todo dia as sete eu ligo meu radio para ouvir
Hipnotísmo nacional
Todo dia as sete eu ligo meu radio para ouvir
Lavagem cerebral

Na Voz do Brasil
Na Voz do Brasil

A voz fala, fala e ninguém escuta
Pensam que sou biruta
Tentando, tentando em vão
Achar uma estação que não tenha

A Voz do Brasil, que não tenha
Voz do Brasil

Ceará, Recife, Brasília, Ano Zero
Curitiba, São Paulo, Brasília, Ano Zero

Aviso aos navegantes o mar não está pra peixe
Aviso aos navegantes o mar não está pra peixe

Voz do Brasil!

Ceará, Recife, Brasília, Ano Zero
Curitiba, São Paulo, Brasília, Ano Zero
Aviso aos navegantes o mar não esta pra peixe
Aviso aos navegantes o mar não esta pra peixe

Voz do Brasil

História

Voz do Brasil é uma música da pré-história da Plebe Rude. Composta quando o Philippe só tocava guitarra e o Jander só cantava. Bem no estilo punk, inspiradíssima nos Dead Kennedys, é um clássico. Poucas vezes a banda usou a música como abertura de shows, funcionando muito bem. Infelizmente, só fica boa na voz do Jander, que saiu da Plebe em 2003.

Para Sempre
11 - A Ida
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A Ida
Música e letra: Philippe Seabra
Letra
Quem tem a razão?
um burocrata ou um padre com o envangelho em mãos
Um momento instante então
palavras não justificam a ida em vão

 

Esclarece por favor
o que é tão temido só acontece com os outros
O que você faria?

Justiça é tão bela
se funcionasse só uma vez
a lei não ressuscita
burocratriza o que eu já sei

Eu só sei... adeus

Quem escutar então?
Delegado ou jurista, relatório em mãos
ou um padre e seu sermão
um toque divino não é explicação

Esclarece por favor
o que é tão temido só acontece com os outros
me mostre então, a ida sem razão

Uma crença ajudaria
se amenizasse só uma vez
se ter fé for a saída
quem sempre teve foi embora de vez

Eu só sei... adeus

Aceitar ou não?
Crença nenhuma justifica a ida em vão
sua papelada então?
Do que adianta tantas folhas sem conclusão

Esclarece por favor
o que é tão temido só acontece com os outros
me mostre então, a ida sem razão

História
Ao contrário da crença popular, A Ida não tem nada a ver com a ópera Aida. Esta música foi feita para um amigo do Philippe, Alexei Farias, que foi atropelado por um barco na Barra da Tijuca, no Rio, acidente que lhe causou a morte. Estudante de oceonografia numa faculdade carioca, ele estava mergulhando dentro da faixa de segurança imposta pela guarda costeira. Um barco em alta velocidade a menos de cem metros da praia, o atropelou. Um amigo que estava com ele conseguiu puxar o Alexei até a praia, mas ele não sobreviveu aos ferimentos.

Esta música foi um parto para o Philippe, que não estava se acostumando com a vida no Rio. Ele não estava se adaptando à cidade e se sentia muito sozinho. Tinha a idéia básica da música por mêses, mas não conseguia expressar o seu pesar pela primeira pessoa próximo a ele que faleceu, três anos antes.

No encarte duplo do disco, a letra de A Ida é dedicada ao Alexei. Num show em Nitéroi, no estado do Rio, a irmã do Alexei foi ao show e a música foi dedicada à sua família.

Violão, tambores, e uma orchestra de 22 pessoas. É a favorita de muitos críticos. Um critico paulista chegou a confidenciar à banda que ele achou a música uma das mais bonitas que tinha ouvido em toda sua vida. Durante a gravação das cordas, o Herbert e o Philippe se enfiaram no canto da sala imensa do estúdio 1 da EMI e ouviram a orquestra com lágrimas no olhos.

A Ida virou música de trabalho e teve dois clips gravados, sendo um para o Fantastico. Até hoje é uma das mais requisitadas em shows.

Para Sempre
12 - Bravo Mundo Novo
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Bravo Mundo Novo
Música: Philippe Seabra / Letra: Philippe Seabra e André X
Letra
Se eu lhe dissesse olhe além do horizonte
será que você olharia?
Bravo mundo novo está nascendo
pelo visto vai te surpreender um dia

Conselho ou sermão, não aprendemos a lição
de que com insistência ou não
nos protegemos e lutamos contra o que?

Bravo mundo novo

Se eu lhe dissesse
as coisas não são como parecem
será que você escutaria?

Bravo mundo novo está nascendo
pelo visto vai te surpreender um dia

Herdamos do passado velhos erros e idéias
que só servem de exemplo para os demais
que já há muito tempo

Bravo mundo novo

Não pergunte então
se os sinos dobrarão
se dobrarem não será por você

Bravo mundo novo, decadente nosso cativeiro
mas se tão jovem mais parece que já há muito tempo.

História
Bravo mundo novo, uma das músicas mais sérias da Plebe, era a favorita do Renato Russo. Uma vez ele perguntou ao Philippe porque não repetiam a parte do meio, que aparecia uma vez, que ele achava tão legal. Philippe respondeu justamente porque era a parte que as pessoas mais gostavam. Alex Antunes, crítico paulista, também a achava uma das melhores músicas da Plebe. É um belo exemplo do trabalho de duas vozes contrastantes, o agudo do Philippe com o grave do Jander.

Quando foi gravado, o Herbert sugeriu que aproveitassem a orquestra de 22 pessoas que gravaria A Ida, sob regência do Jaques Morelembaum, o mesmo cellista de Até Quando. O Jaques então apareceu com a orquestração praticamente dobrando a guitarra do Philippe, que adicionou uma dramaticidade à música e a transformou em umas das mais requisitadas entre àquelas que não tiveram tanta execução de rádio. Apesar da semelhança com a obra de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, o livro não chegou a influênciar na letra.

A EMI chegou a cogitar que fosse uma música de trabalho, mas não sabiam como trabalhar uma música considerada, pela empresa, tão diferente. Realmente a Plebe não se encaixava nos moldes brasileiros de 'parada de sucessos.' Nunca apareceram no programa Globo de Ouro, nunca tiveram uma música em novela e não eram incluídos em coletâneas de sucesso. Não por escolha da banda, que até apreciaria a exposição, mas pelos moldes do mercado.

Pela segunda vez na história da música brasileira, Ernest Hemmingway é citado numa canção. Raul Seixas tinha uma música chamada "Por Quem os Sinos Dobram".

Para Sempre
13 - Nunca Fomos Tão Brasileiros
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Nunca Fomos Tão Brasileiros 
Música e letra: Plebe Rude
Letra

Sou brasileiro, vocês dizem que sim
mas importações não deixam ser assim
Pra que tudo isso na região tupiniquim?

Nasci aqui, mas não só eu
você está neste barco também (também)

Pensam que é um paraíso
parece que eles vivem aqui
Nunca fomos tão brasileiros

Do que adianta vocês viverem assim?
Ser prisioneiros dentro do seu próprio jardim
Pra que tudo isso na região tupiniquim?

Nasci aqui, mas não só eu
você está neste barco também (também)

Não temos identidade própria
copiamos tudo em nossa volta
Nunca fomos tão brasileiros

Pra que tudo isso na região tupiniquim?
Eu não sei, eu não sei

História

O título da música, que também deu nome ao segundo disco, foi inspirado na obra Nunca Fomos tão Felizes, de Nelson Rodrigues.

Com uma introdução de bateria poderosa, Nunca Fomos era um hit certo nos shows. A música começou a tocar tanto, que a banda resolveu gravar uma versão melhor, chamado Nunca Fomos II, a Missão (brincadeira em cima de Proteção II, versão do primeiro disco da Plebe, inspirado na sequência do filme Rambo: Rambo II, a missão). Para também evitar um 'remix' mal feito (prática comum na época, feito a revelia da banda), re-gravaram a canção, mas com a introdução em 'fade in,' onde o volume demora para entrar. Os Plebeus gravaram o Chacrinha com ela e o velho guerreiro não soube o que fazer com os quase 15 segundos de 'fade in' enquanto a Plebe entrava para o programa.

Inspirado no guitarrista Yngwie Malsteem, Philippe solou mais rápido do que jamais solou, mas felizmente voltou a se concentrar nas guitarras base.

Para Sempre
14 - Consumo
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Consumo
Música: Philippe Seabra / Letra: André X
Letra

Tomei uma coca
cadê o sorriso?
Gastei dinheiro
e fiquei liso

Cale a boca e consuma
Cale a boca e consuma
você não tem o direito de dúvidar

Comprei de tudo
a prestação
o SPC
é o meu caixão

Cale a boca e consuma
Cale a boca e consuma
você não tem o direito de dúvidar

Consumidor
que não reclama
paga filé come banana

Cale a boca e consuma
Cale a boca e consuma
você não tem o direito de dúvidar

História

Uma das primeiras músicas feitas depois da entrada do Jander em 82, Consumo é o mais 'rock na veia' que a Plebe já chegou. Mais uma vez, a Plebe pôde contar com a presença da Fernanda Abreu da Blitz, desta vez acompanhada de sua companheira de banda, a Marcia, que ajudaram com o backing vocal sarcástico (no primeiro disco da banda, a Fernanda gravou em Sexo e karatê).

O André se inspirou numa frase de um poster dos Dead Kennedys, que era uma imensa colagem. Entre os recortes, aparecia a frase "Shut Up and Buy".